{"id":668,"date":"2019-07-28T19:41:42","date_gmt":"2019-07-28T19:41:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/?p=668"},"modified":"2021-05-17T20:06:55","modified_gmt":"2021-05-17T20:06:55","slug":"casa-do-divino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/dicion\/casa-do-divino\/","title":{"rendered":"Casa do Divino"},"content":{"rendered":"<p>A Casa do Divino \u00e9 uma propriedade particular leiga de culto ao Divino Esp\u00edrito Santo, existente na \u00e1rea central de Ponta Grossa, na Rua Santos Dumont n\u00ba 524, desde 1882.<\/p>\n<p>O culto ao Divino Esp\u00edrito Santo na forma de festas, novenas, ora\u00e7\u00f5es, bingos, m\u00fasicas, bailados, precat\u00f3rios, promessas, partilha de alimentos e barracas com comidas e bebidas teve origem a partir de uma promessa feita pela Rainha D. Isabel de Arag\u00e3o, no s\u00e9culo XIII, diante de uma crise que Portugal passava. A rainha pagou \u201ca promessa no dia de Pentecostes de 1296 na Igreja do Esp\u00edrito Santo na Vila de Alenquer, ritual que passou a realizar-se todos os anos, na mesma data incorporando-se no calend\u00e1rio das comemora\u00e7\u00f5es do Pentecostes com suas ins\u00edgnias e rituais\u201d (CORR\u00caA, 2012, p. 52). No Brasil, a devo\u00e7\u00e3o foi introduzida, inicialmente, no litoral dos atuais estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul por imigrantes a\u00e7orianos por volta do s\u00e9culo XVIII e \u201c[&#8230;] gradativamente foi se propagando por todo territ\u00f3rio nacional ganhando caracter\u00edsticas singulares [&#8230;]\u201d (ROCHA, 2012, p. 13) e nomina\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Com essas caracter\u00edsticas festivas e populares, o culto ao Divino Esp\u00edrito Santo j\u00e1 era registrado em Ponta Grossa desde a metade do s\u00e9culo XIX. Tamb\u00e9m, no final do s\u00e9culo XIX, espalhou-se a not\u00edcia em Ponta Grossa de uma senhora curada milagrosamente por a\u00e7\u00e3o do Divino. Em outubro de 1882, D. Maria Selvarina Julio Xavier encontrou, em um olho d&#8217;\u00e1gua, uma imagem do Esp\u00edrito Santo, ou seja, uma pomba de asas abertas. Segundo mat\u00e9ria publicada no jornal Di\u00e1rio dos Campos (1979), D. Maria sofria de problemas mentais e falta de mem\u00f3ria, tanto que, ao encontrar a imagem, ela estava perdida, andando sem destino, rumo \u00e0 cidade de Castro, sem, inclusive, saber o motivo de sua sa\u00edda de casa. Segundo o relato publicado no jornal, ao deparar-se com o objeto, rezou e sentiu-se curada, recobrando a mem\u00f3ria e voltando para casa. A not\u00edcia de sua cura espalhou-se e, a partir de ent\u00e3o, passou a ser conhecida na cidade como \u2018Nh\u00e1 Maria do Divino\u2019.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia de seu retorno para casa, Nh\u00e1 Maria come\u00e7ou a recolher e ganhar quadros de diferentes santos. Do ac\u00famulo desses objetos, construiu, em uma das salas da frente de sua casa, um altar, que, posteriormente, recebeu um ostens\u00f3rio onde fica exposta, at\u00e9 hoje, a imagem do Divino (DI\u00c1RIO DOS CAMPOS, 1979, p. 6-A).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do altar com a imagem do Divino, amigos e familiares come\u00e7aram a frequentar o local, onde eram realizadas novenas, ora\u00e7\u00f5es particulares, prociss\u00f5es na rua com as bandeiras at\u00e9 as resid\u00eancias pr\u00f3ximas, culminando com a festa em honra ao Divino Esp\u00edrito Santo no domingo de Pentecostes (50 dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa). Com a morte de Nh\u00e1 Maria, em maio de 1921, a casa passou para o seu sobrinho, Luiz Joaquim Ribeiro e esposa, Zeferina Ribeiro, que se tornou a respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o do culto religioso realizado (IDEM).<\/p>\n<p>A transmiss\u00e3o da responsabilidade pela manuten\u00e7\u00e3o do local de culto para outra pessoa representa o interesse na continuidade, ou seja, a preocupa\u00e7\u00e3o com a preserva\u00e7\u00e3o de uma dada mem\u00f3ria, que, naquele momento, j\u00e1 n\u00e3o era mais individual \u2013 somente de Nh\u00e1 Maria \u2013, mas coletiva \u2013 de muitos devotos que frequentavam o lugar, possibilitando a identifica\u00e7\u00e3o deles com as pr\u00e1ticas devocionais que ali ocorriam.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s mais de trinta anos \u00e0 frente da Casa do Divino, Zeferina Ribeiro Chaves faleceu em novembro de 1957. A partir de ent\u00e3o, a sua filha Edy Ribeiro Chaves tornou-se a respons\u00e1vel pelo local de culto. Por 39 anos consecutivos, Edy abriu a porta da resid\u00eancia de sua fam\u00edlia, permitindo que diferentes pessoas, muitas delas desconhecidas, entrassem na sala principal, local em que estava o altar com a imagem encontrada por Nh\u00e1 Maria em 1882. At\u00e9 que, em 1996, j\u00e1 com 70 anos e com problemas de sa\u00fade, fechou essa entrada, suspendendo as atividades religiosas da Casa do Divino.<\/p>\n<p>N\u00e3o tendo filhos, Edy contou com a ajuda de seu sobrinho Ant\u00f4nio Edu Chaves e da esposa dele, L\u00eddia Hoffmann Chaves, para cuidar do local de devo\u00e7\u00e3o. O casal mudou-se para a casa e a reabriu aos devotos. Em 1999, ap\u00f3s o falecimento de Edy, L\u00eddia assumiu efetivamente a responsabilidade pelas atividades religiosas da Casa do Divino, retomando a realiza\u00e7\u00e3o anual da Festa do Divino, a partir de 2002, e a realiza\u00e7\u00e3o semanal das novenas.<\/p>\n<p>A Casa, no transcurso dos anos, deixou de ser apenas um local de culto e passou a ser reconhecida oficialmente como um patrim\u00f4nio cultural de Ponta Grossa, tendo sido tombada em 2004. De acordo com o parecer dos conselheiros do COMPAC, a Casa do Divino possui \u201c[&#8230;] valor arquitet\u00f4nico, hist\u00f3rico e referencial como lugar de mem\u00f3ria, e como patrim\u00f4nio cultural intang\u00edvel [&#8230;] [porque \u00e9 um] local de devo\u00e7\u00e3o de f\u00e9 popular da comunidade, que faz parte da religiosidade e do imagin\u00e1rio ponta-grossense\u201d (CONSELHO, 2004, p. 48).<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>CONSELHO Municipal de Patrim\u00f4nio Cultural. Processo n\u00ba 02\/2004, Tombamento do im\u00f3vel Casa do Divino. Inscri\u00e7\u00e3o n\u00ba 41 no Livro do Tombo Definitivo. Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, 2004. Acervo: Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura.<\/p>\n<p>CORR\u00caA, Luiz Nilton. <em>Festa do Divino Esp\u00edrito Santo<\/em>: dos A\u00e7ores ao Brasil, um estudo comparativo. Tese (Doutorado em Antropologia de Ibero-Am\u00e9rica). Universidade de Salamanca. Salamanca, 2012, 272 p. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.youscribe.com\/BookReader\/Index\/1792731?documentId=1770910 Acesso em: 23.ago.2015.<\/p>\n<p>DI\u00c1RIO DOS CAMPOS. Reda\u00e7\u00e3o. <em>Divino de Ponta Grossa vai completar 100 anos<\/em>. Ponta Grossa, Di\u00e1rio dos Campos, p. 6-A, 28 jan. 1979. Acervo: Casa da Mem\u00f3ria Paran\u00e1.<\/p>\n<p>ROCHA, Vanderley de P. <em>F\u00e9, cultura e tradi\u00e7\u00e3o<\/em>: as celebra\u00e7\u00f5es em honra ao Divino Esp\u00edrito Santo na cidade de Ponta Grossa 1882-2011. Ponta Grossa: Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, 2012.<\/p>\n<p><strong>Autora: \u00a0<\/strong>Elizabeth Johansen<\/p>\n<p>Professora Adjunta do Departamento de Hist\u00f3ria UEPG<\/p>\n<p><strong>Ano<\/strong>: 2019<\/p>\n<p><strong>Revis\u00e3o<\/strong>: 2020<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Casa do Divino \u00e9 uma propriedade particular leiga de culto ao Divino Esp\u00edrito Santo, existente na \u00e1rea central de Ponta Grossa, na Rua Santos Dumont n\u00ba 524, desde 1882. 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