{"id":185,"date":"2023-07-06T11:46:53","date_gmt":"2023-07-06T14:46:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/egressos\/?p=185"},"modified":"2023-07-07T10:01:26","modified_gmt":"2023-07-07T13:01:26","slug":"aluno-egresso-da-uepg-tem-tese-de-doutorado-indicada-a-premio-da-capes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/egressos\/aluno-egresso-da-uepg-tem-tese-de-doutorado-indicada-a-premio-da-capes\/","title":{"rendered":"Aluno egresso da UEPG tem tese de doutorado indicada a pr\u00eamio da Capes"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-38023 alignleft lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-3.jpg\" alt=\"\" width=\"434\" height=\"289\" data-srcset=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-3.jpg 1280w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-3-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-3-1232x821.jpg 1232w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-3-272x182.jpg 272w\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-3.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 434px) 100vw, 434px\" \/>Uma estrada rural entre topos de morros e vales, rodeada por vegeta\u00e7\u00e3o remanescente da Floresta de Arauc\u00e1ria. Essa foi a vista que Renato Pereira admirou por mais de 60 dias. O resultado da experi\u00eancia rendeu a tese de doutorado \u2018Entre valos e v\u00eados: territorialidades de perman\u00eancia dos sujeitos das comunidades tradicionais rurais da Estrada da Lomba, Paran\u00e1\u2019. Com a publica\u00e7\u00e3o, o aluno egresso da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) teve seu trabalho indicado ao Pr\u00eamio Nacional Capes Tese 2023.<\/p>\n<p>A defesa da tese aconteceu em dia 30 de setembro. Desenvolvida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da UEPG, a tese de Renato aconteceu a partir da metodologia da imers\u00e3o, em conviv\u00eancia com comunidades rurais, especialmente faxinaleses e quilombolas. A partir da pesquisa oral e documental, o trabalho focou nos saberes-fazeres, religiosidade, ancestralidade e historicidade.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma surpresa quando os membros da banca ressaltaram a import\u00e2ncia da tem\u00e1tica e a qualidade do texto, para concorrer ao pr\u00eamio da Capes\u201d,\u00a0conta Renato. O trabalho buscou mostrar o que as comunidades tradicionais que nasceram pela Estrada do Lomba possuem de mais importante em suas territorialidades de perman\u00eancia, que perduram ao longo do tempo e do espa\u00e7o. \u201cMinha motiva\u00e7\u00e3o aumentou \u00e0 medida em que eu acessava as diversas forma\u00e7\u00f5es familiares que constitu\u00edram a Estrada da Lomba, a partir do final dos anos 1700, como o casal Nat\u00e1ria e Silverio, um dos indiv\u00edduos origin\u00e1rios do territ\u00f3rio\u201d, recorda.<img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-38026 alignright lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-6.jpg\" alt=\"\" width=\"479\" height=\"638\" data-srcset=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-6.jpg 780w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-6-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-6-768x1024.jpg 768w\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-6.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 479px) 100vw, 479px\" \/><\/p>\n<p><strong>A pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>Foi a partir do estudo da genealogia dos n\u00facleos familiares que a tese ganhou corpo. \u201cDepois de diversas passagens pelos lugares, comecei a perceber pequenos ro\u00e7ados tradicionais, as hortas, os quintais e os criadouros comunit\u00e1rios\u201d. Toda essa paisagem fica\u00a0 nos Campos Gerais, na conflu\u00eancia dos limites do Distrito de Itaiacoca (Ponta Grossa) e Distrito de Tr\u00eas C\u00f3rregos (Campo Largo).<\/p>\n<p>Aos poucos, os pequenos agrupamentos comunit\u00e1rios que vivem pr\u00f3ximas Passo do Pupo, Distrito de Itaiacoca, se tornaram mais vis\u00edveis no mapa de campo de Renato. A mem\u00f3ria visual de toda a paisagem est\u00e1 viva na cabe\u00e7a e cora\u00e7\u00e3o do pesquisador, o qual consegue descrever em detalhes: \u201cLembro dos moledros na beira da estrada, do cerradinho, do cemit\u00e9rio. Depois que se passa da sede do Crutac da UEPG, uma curva sinuosa exibe para-choques de autom\u00f3veis nas sarjetas, depois o Mato Queimado, Pinheiro Bonito, o atoleiro e serra acima, Sete Saltos de Cima, Palmital dos Pretos e Sete Saltos de Baixo\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Os dias em campo promoveram experi\u00eancias pela Estrada da Lomba, especialmente pelos caminhos ocultos pelo mapa. \u201cA Estrada da Lomba n\u00e3o surgiu apenas como um conceito, pois \u00e9 uma via de passagem das terras mais interioranas de Ponta Grossa e Campo Largo, revelando a espontaneidade com que antigos n\u00facleos familiares se consolidaram em agrupamentos comunit\u00e1rios ao longo dos anos\u201d, informa.<\/p>\n<p>Com o estudo, Renato conheceu novos lugares e pessoas. \u201cComo a benzedeira Domingas \u201cCoita\u201d e o curandeiro D\u00e1rio Branca, que fazia curas com galhos de Espinheira Santa. Visitamos lideran\u00e7as quilombolas e agricultores que valorizam a agricultura de base ancestral\u201d. O trabalho para a tese tamb\u00e9m rendeu participa\u00e7\u00e3o em mutir\u00f5es em manh\u00e3s frias de inverno. \u201cAt\u00e9 coletamos capim para fazer a cobertura para a casa de barro e sap\u00e9, projetada pelo l\u00edder quilombola\u201d, recorda.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-38024  lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-4.jpg\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"318\" data-srcset=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-4.jpg 1280w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-4-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-4-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-4-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-4-1232x924.jpg 1232w\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-4.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/>A conviv\u00eancia com as comunidades se aprofundou no passar do tempo. Renato acompanhou as atividades da ro\u00e7a, a sapecada da erva-mate, a colheita do milho em bandeira e dos mutir\u00f5es para \u201cmaiar\u201d feij\u00e3o. \u201cColetei\u00a0<em>capim-estrepe<\/em>\u00a0para cobertura de uma casa, participei da manuten\u00e7\u00e3o dos valos e dos v\u00eados, da confec\u00e7\u00e3o das cestarias, da festa de santo, da celebra\u00e7\u00e3o da vida na agricultura familiar, da festa de padroeiro, das carnea\u00e7\u00f5es, dos carreiros com os mateiros, das ro\u00e7adas, dos carreiros de lenha, das rodas de chimarr\u00e3o, das planta\u00e7\u00f5es e colheitas\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Conex\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria com a UEPG iniciou quando Renato tinha 12 anos, por meio da Escola de Guardas Mirins Tenente Antonio Jo\u00e3o. \u201cIn\u00fameras pessoas contribu\u00edram para o meu aperfei\u00e7oamento profissional e, ao mesmo tempo, me incentivaram a continuar estudando\u201d, conta. Com a aprova\u00e7\u00e3o no Vestibular de Licenciatura em Geografia, em 2007, veio conviv\u00eancia com professores lideran\u00e7as universit\u00e1rias, estudantes de gradua\u00e7\u00e3o, mestrado e doutorado.<\/p>\n<p>Na institui\u00e7\u00e3o, Renato tamb\u00e9m desenvolveu o gosto de trabalhar com cultura. \u201cFui gestor cultural e atualmente tenho uma editora, a Editora Panaro, em sociedade com minha esposa, a professora Tanize Tomasi, que me acompanhou durante toda a pesquisa de campo, nas imers\u00f5es, j\u00e1 que tamb\u00e9m estava realizando p\u00f3s-doutorado\u201d. A experi\u00eancia da pesquisa desenvolveu em Renato o gosto pela leitura e escrita \u2013 o que rendeu publica\u00e7\u00f5es como \u2018Duas casas para decorar\u2019; \u2018M\u00e3e d\u2019\u00e1gua\u2019; \u2018O time de Cuco\u2019; e \u2018Onde nascem as borboletas\u2019. Atualmente, ele \u00e9 membro-fundador da cadeira n\u00ba 10 e vice-presidente da Academia de Letras do Noroeste do Rio Grande do Sul \u2013 Alenrio.<img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-38022 alignright lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-2.jpg\" alt=\"\" width=\"446\" height=\"297\" data-srcset=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-2.jpg 1280w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-2-1232x821.jpg 1232w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-2-272x182.jpg 272w\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-pereira-2.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 446px) 100vw, 446px\" \/><\/p>\n<p>L\u00e1 no fundo, a tese sempre esteve conectada com a hist\u00f3ria Renato.\u00a0 \u201cA partir da minha pr\u00f3pria fam\u00edlia, conduzi a investiga\u00e7\u00e3o para compreender os processos migrat\u00f3rios de in\u00fameros n\u00facleos familiares paulistas e mineiros desde o s\u00e9culo 19. Em 1985, ano em que nasci, meu n\u00facleo familiar migrou para Ponta Grossa, no centro-leste do Estado do Paran\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Ao revisitar a tese, depois da escrita, Renato reflete sobre a amplitude do estudo e a import\u00e2ncia da perman\u00eancia dos sujeitos em seus contextos, dos seus modos de viver e habitar. \u201cNo fundo, estamos falando de nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria, que foi sendo invisibilizada ao longo do tempo. Este Brasil que nunca esteve nas bibliografias passou a fazer parte de um estudo acad\u00eamico\u201d, destaca. O Renato, que quis escrever as trajet\u00f3rias das vidas em encontro, pela genealogia, iniciou com um projeto de tese e saiu com o cora\u00e7\u00e3o aquecido pelos encontros. \u201cPenso que a Geografia deve gostar de gente e a UEPG permitiu que este trabalho acontecesse\u201d, finaliza.<\/p>\n<blockquote><p>Texto: J\u00e9ssica Natal | Fotos: Tanize Tomasi\/Arquivo Pessoal<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_38071\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-38071 size-full lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato.png\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"768\" aria-describedby=\"caption-attachment-38071\" data-srcset=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato.png 1280w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-300x180.png 300w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-1024x614.png 1024w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-768x461.png 768w, https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato-1232x739.png 1232w\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/renato.png\" data-sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-38071\" class=\"wp-caption-text\">Nas palavras de Renato: \u201cEncontrei esta foto que \u00e9 muito simb\u00f3lica para mim e para a UEPG. Ali em cima da mesa est\u00e1 o projeto de implanta\u00e7\u00e3o da EAD, que mais tarde se tornaria Nutead. Ao centro, de vermelho, a professora Leide Mara Schmidt, \u00e0 sua direita, Cleide Faria Rodrigues, eu estou \u00e0 direita da foto, e ao meu lado est\u00e1 a atual Editora da UEPG, Beatriz Gomes Nadal.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Uma estrada rural entre topos de morros e vales, rodeada por vegeta\u00e7\u00e3o remanescente da Floresta de Arauc\u00e1ria. Essa foi a vista que Renato Pereira admirou por mais de 60 dias. 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