Com menos contratações e baixa procura pela profissão, professores e professoras sofrem com acúmulo de funções
Por Isabelly Costalonga e Malu Dip

Coordenador do curso de Pedagogia em coletiva de imprensa com calouros de jornalismo. Foto: Valentina Bortoluzze.
De acordo com o relatório “Volume de trabalho dos professores dos anos finais do ensino fundamental” realizado pela Associação Dados para um Debate Democrático na Educação (D³e), em parceria com a Fundação Carlos Chagas e o Itaú Social, a sobrecarga de trabalho tem prejudicado a vida de docentes. De acordo com os autores Gabriela Moriconi, Nelson Gimenes e Luciana Leme, no Brasil, 45% do corpo docente atua em mais de uma escola, e 30%, em mais de uma rede. Toda essa sobrecarga é resultado de diversos fatores, como por exemplo, a queda na procura por cursos de licenciatura, a diminuição de concursos públicos na área e o baixo número de contratações efetivas nas redes estaduais e municipais do país. Com menos profissionais disponíveis, as instituições de ensino que empregam professores e professoras tendem a aumentar as jornadas de trabalho sem que isso represente ganhos efetivos.
Segundo o estudo “Joint effect of paid working hours and multiple job holding on work absence due to health problems among basic education teachers in Brazil: the Educatel Study” (Efeito conjunto da jornada de trabalho remunerada e da multiplicidade de empregos sobre o absenteísmo por problemas de saúde entre professores da educação básica no Brasil: o Estudo Educativo) conduzido pela epidemiologista Lucía Rodríguez-Loureiro e publicado em 2019 na revista Cadernos de Saúde Pública, professores brasileiros que trabalham mais de 50 horas por semana em mais de uma escola têm maiores chances de se ausentar do trabalho devido a problemas de saúde.
A ex- professora e coordenadora pedagógica da rede municipal de Castro Adriane Aparecida Carneiro de Jesus afirma que a sobrecarga se faz muito presente no cotidiano da profissão desde o início da vida profissional. “A gente acompanha a situação da profissão pelas notícias e percebe que realmente o trabalho do professor é bem pesado. Enfrentam inúmeras dificuldades na sala de aula em relação aos níveis heterogêneos de aprendizagem, trabalhos que envolvem as famílias, fora o trabalho além do ambiente institucional que é preciso realizar em casa”.
De acordo, a dissertação de mestrado produzida em 2008 pela autora Rejane Aparecida Czekalski “Apropriação da hora‑atividade como espaço para formação de professores em serviço: um estudo sobre a organização do trabalho docente em Telêmaco Borba – PR”, a cada quatro aulas trabalhadas em sala de aula, o professor de Educação Básica tem uma a mais como hora-atividade, o que equivale a 20% de sua carga horária. De acordo com a Lei Estadual nº. 13.807/2002, que regulamenta a hora-atividade, no Paraná a hora-atividade corresponde ao período reservado para as funções da docência, como estudos, planejamento, preparação de aulas, dentre outras atividades inerentes ao trabalho docente. Porém, em grande parte das instituições, o tempo destinado a hora-atividade é menor que o necessário para cumprir todas as demandas, obrigando os e as profissionais a levar trabalho para casa, causando ainda mais desgaste físico e mental.
Segundo o professor, pedagogo e atual presidente do sindicato municipal dos professores, Tércio Nascimento “a sobrecarga que nós temos é fora do normal e precisamos estar muito atentos a essa questão, porque o profissional que está dentro da sala de aula, também precisa de atendimento e acompanhamento médico, psicológico e psiquiátrico”.
