Ato contra violência de gênero marca Dia da Mulher em Ponta Grossa

Caminhada no Lago de Olarias homenageia vítimas de feminicídio  e cobra fim da violência contra mulheres

Por Amanda Grzebielucka e Pietra Gasparini

A caminhada “Parem de nos matar” reuniu mulheres no Lago de Olarias, em Ponta Grossa, neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher. O ato foi organizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Ponta Grossa (CMDM) em conjunto com os movimentos feministas. O ato oficial da caminhada precisou ser adiado devido ao mau tempo, mas, mesmo assim, as participantes realizaram essa mobilização simbólica.

Para marcar o ato, a organização pediu que as participantes vestissem camisetas pretas e levassem um par extra de sapatos. 

Os calçados foram dispostos no local em formato de cruz, em uma homenagem simbólica às  vítimas de feminicídio no Brasil. Foto: Pietra Gasparini

Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios registrados da história, totalizando 1.568 mulheres mortas por razões de gênero, segundo dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em março de 2026. O número representa um aumento de 4,7% em relação a 2024. Segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), Ponta Grossa registrou 4.390 denúncias de violência contra a mulher, só no 1° semestre de 2024. No mesmo ano, houve 8 casos de feminicídios praticados por companheiros ou ex-companheiros.

Participante da manifestação e integrante do movimento Levante Mulheres Vivas PG, Ligiane De Meira, falou sobre a importância da mobilização no combate à violência sistêmica sofrida pelas mulheres. “Estamos aqui para lutar não só pelas mulheres que estão agora, mas também pelas que foram e pelas que virão. Nós não queremos presentes, não queremos chocolates ou flores. O que a gente quer é respeito durante todos os dias da nossa vida”, declarou a ativista.

O protesto contou com um momento de microfone aberto, no qual a integrante do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Ponta Grossa (CMDM) e do Levante Mulheres Vivas PG, Juliane Carrico, leu uma carta, falando sobre a violência contra as mulheres. “Dia 8 de março é um dia de luta das mulheres! Estamos aqui, hoje, para lutar contra todas as formas de violência contra as mulheres. Todos os dias uma de nós é assassinada, desacreditada, assediada, estuprada, Caminhada no Lago de Olarias homenageia vítimas de feminicídio  e cobra fim da violência contra mulheres silenciada simplesmente por ser mulher. O conselho tem um papel fundamental na cobrança ao enfrentamento à violência contra a mulher na cidade e, como mecanismo deliberativo e fiscalizador, também se faz presente na cobrança de efetivação de leis e acionamento de órgãos para que sejam cumpridas as políticas de proteção. Por isso, esse evento torna-se um marco e chama atenção para a luta coletiva, somando movimentos sociais, coletivos, equipamentos públicos de prevenção e enfrentamento de todos os tipos de violência em todas as esferas e convida toda a sociedade organizada a participar e compor nosso conselho. Pela vida de todas as mulheres: negras, indígenas, quilombolas, do campo trans, crianças, gestantes, idosas, PCDs, trabalhadoras! Para que nossas vozes sejam ouvidas, seguimos em luta para enfrentar a violência, com autonomia, liberdade e justiça social para todas as mulheres. PAREM DE NOS MATAR!”

Mesmo com mau tempo, dezenas de ativistas se uniram ao ato. Foto: Pietra Gasparini

Após a leitura da carta e outras falas, as participantes seguiram para uma caminhada em volta do lago com gritos de protesto. 

 
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