Os docentes aprovaram o indicativo de greve, caso não haja avanço nas negociações com o governo Estadual.
Por Natalia Almeida e Pietra Gasparini
Nesta terça-feira (17), docentes das universidades estaduais do Paraná realizaram uma paralisação para fortalecer a luta por direitos e condições dignas de trabalho. Em Ponta Grossa, a mobilização contou com concentrações no Campus Central e no Campus Uvaranas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), com bandeiras e entrega de panfletos ao longo do dia.

Docentes das universidades estaduais do Paraná realizam paralisação por reajuste salarial. Foto: João Paulo Fagundes
Durante a tarde ocorreu a Assembleia Ordinária na sede do SINDUEPG (Seção Sindical dos Docentes da UEPG), momento principal do dia de paralisação. Durante o encontro, foi aprovado o indicativo de greve, por unanimidade, caso as negociações com o governo estadual não avancem
A paralisação se deve aos 10 anos sem reajustes salariais de acordo com a inflação, o que leva a perda do poder de compra e a defasagem salarial. Além disso, os professores protestam contra os efeitos da Lei Geral das Universidades (LGU), criada pelo governo Ratinho Júnior. Segundo eles, a lei gera a falta de docentes, perda de autonomia dos profissionais e publicização dos dados dos servidores.
O presidente do Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (SINDUEPG), Alessandro de Melo, reforça que a paralisação que integra as sete universidades estaduais e a Federação das Entidades Sindicais do Paraná (FES) vem com uma esperança de resposta do governo Estadual. “ Estamos fazendo pressão faz tempo, e há uma tendência de que, nesta semana, o governo tenha alguma resposta a essa reivindicação. Tem uma sinalização de que é possível. Temos esperança de que alguma coisa saia, mas se a gente não fizer nada, não sai nada. Temos que nos segurar na esperança, temos que lutar”,declara.
O sindicalista explica que não esperam uma grande mudança, mas sim, o atendimento ao mínimo constitucional, que é a reposição da inflação do último período, “O governo Ratinho Júnior se consolidou como um governo que não dialoga com os professores”. O professor conta que existe a conversa diretamente com o secretário da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná(SETI), com o líder do governo na Assembleia, e às vezes com a Casa Civil, mas nunca com o governador. “ Temos essa distância. A relação não vai mudar, isso não tem nem possibilidade, o que é possível é uma reposição, um mínimo para repor a inflação, isso a gente está aguardando”, afirma Alessandro.
O presidente afirma que, embora o governo destaque o investimento nas universidades, esses recursos são aplicados de forma que limita a autonomia acadêmica.“ O governo dá o dinheiro para que as universidades usem nos projetos que o governo determina, enquanto isso, falta dinheiro para coisas básicas.O governo faz o edital para determinada finalidade, mas essa finalidade não necessariamente é aquela que a gente está desenvolvendo na universidade”.Segundo ele, essa indução é prejudicial, ” O certo seria os professores e os cursos decidirem as pesquisas e o Estado apoiar, agora quando o Estado determina qual é a pesquisa, isso é ruim”, explica.
A professora do Departamento de Estudos da Linguagem, Pascoalina Saleh, fala sobre a importância da mobilização, “O que temos hoje não é produto da bondade do Estado, e muito menos de governos pontuais. Isso é resultado de demandas sociais, de lutas”. A docente reforça que, se não houver mobilização, haverá mais perdas, “Nenhum direito é dado de bandeja. São resultados de reivindicações. E parece que as pessoas às vezes perdem essa dimensão. Isso serve para a nossa recomposição salarial, mas também para outros direitos”, defende.
Entre as reivindicações estão uma data-base que recomponha a inflação de 2025, e a recomposição dos reajustes atrasados. Assim como a equalização do piso do magistério superior do Paraná com o piso nacional do magistério e mudanças na carreira, como a inclusão do associado D e o acesso ao Professor Titular.
