Mobilização por direito à moradia cobra avanços junto à gestão municipal

Movimento defende melhorias na infraestrutura e destinação de 1% do orçamento para enfrentar o déficit habitacional

Por: Guilherme Roza e Leonardo Correia

O mês de março marca a Jornada Nacional de Lutas do Movimento Popular de Luta por Terra, Moradia, Trabalho e Direitos. Por todo o Brasil, comunidades, ocupações e movimentos populares estão se mobilizando para o avanço do direito à moradia digna. Em Ponta Grossa, na quinta-feira (19), às 11 horas, ocorreu o Ato por Moradia Digna organizado pelo Movimento Popular de Luta – PG (MPL). A mobilização teve início com uma passeata na Praça dos Polacos em frente à Igreja Sagrado Coração de Jesus e seguiu em direção à Prefeitura Municipal de Ponta Grossa. 

Movimentos comunitários atuam na representação de famílias em situação de vulnerabilidade social para garantir o cumprimento de direitos básicos e políticas de habitação. Foto: Leonardo Correia

O objetivo era apresentar à prefeita Elizabeth Schmidt a campanha que exige que a União, Estados e Municípios destinem 1% do orçamento público para a produção e regularização de moradias populares, priorizando a população que se encontra na faixa de renda entre 0 e 2 salários mínimos, justamente onde historicamente se concentra o maior déficit habitacional do país.

Segundo a Câmara Municipal de Ponta Grossa, o orçamento municipal para 2026 foi aprovado em cerca de R$2,2 bilhões. O movimento reivindica que 1% seja destinado à moradia popular, equivalente a R$22 milhões por ano, para enfrentar o déficit habitacional da cidade.

 

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Durante a mobilização em frente à Prefeitura, Leandro Dias, integrante da direção nacional do MPL, solicitou ao superintendente João Alfredo Horst Neto a apresentação do manifesto diretamente no gabinete.

Como a prefeita Elizabeth Schmidt cumpria agenda externa, o grupo foi recebido por uma comissão formada pela secretária municipal da Família e Desenvolvimento Social, Camila Calisto Sanches, pelo superintendente de Habitação, João Alfredo Horst Neto, e pela chefe de Gabinete, Enya Gabrielle Ferigotti da Luz. A reunião serviu para o alinhamento de interesses e, como encaminhamento, os representantes da gestão municipal agendaram uma assembleia de demanda estrutural para o dia 28, às 15 horas, na sede da Ocupação Ericson John Duarte.

Ao final do encontro, Leandro expressou entusiasmo ao relatar aos presentes que aquela foi a primeira vez que foram recebidos com o devido respeito pela administração. “Isso é o mínimo que pedimos”, afirmou, ressaltando que o dia foi de vitória por terem sido escutados e pela conquista de um avanço concreto nas negociações.

Cintia Dias, moradora da ocupação e integrante das mobilizações do MPL há quatro anos, relata sua trajetória no movimento: “Eu passei desde o começo frio e fome, lutando por uma moradia digna. E hoje nós aqui queremos infraestrutura de água, luz e esgoto, e que as ruas sejam arrumadas, o que é dever da Prefeitura”.

A caminhada contou com membros do movimento que seguravam bandeiras e cartazes, além de entoarem frases de impacto durante o percurso para visibilizar seu propósito à população e representantes municipais.


                            
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