Passeata incentiva respeito e inclusão aos autistas
Por: Ana Luísa Runho e Maria Eduarda Almeida

Foto: Maria Eduarda
Aconteceu nesta quinta-feira (02) a 13ª Caminhada da Associação de Proteção dos Autistas (APROAUT) em decorrência do Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Participaram do evento profissionais da associação, mães, pais, pessoas com autismo e apoiadores da causa. O ato iniciou na Praça da Igreja Sagrado Coração de Jesus e seguiu até o Ginásio Jamal Farjallah Bazzi. O diagnóstico precoce e o atendimento adequado foram as principais pautas.
O dia 2 de Abril é dedicado a informar a população que uma pessoa com o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem a capacidade de conviver em sociedade, e não é impossibilitada por sua condição de realizar qualquer atividade. Apesar disso, é imprescindível que haja a acessibilidade principalmente na educação, com ações como a inserção de professores de apoio. O TEA é uma condição neurológica que altera a maneira como uma pessoa percebe o mundo e se comunica. Apesar disso, ainda é amplamente tratado como uma doença na sociedade, e este preconceito reflete diretamente na vida das pessoas autistas, que enfrentam intolerância e exclusão social.

Manifestantes levantam cartazes informativos sobre o autismo. Foto: Maria Eduarda
“Nós lutamos por respeito, dignidade, inclusão e empatia” relata Jane Lopes, mãe de Alexandro, autista nível 3 de suporte. A mãe destaca a importância da terapia na vida do filho, que tem a comorbidade da apraxia da fala, ou seja, não verbalização. Ele passa por atendimentos multidisciplinares que têm como objetivo melhorar a qualidade de vida e inserção social. A mãe evidenciou a importância da acessibilidade escolar: “O trabalho com as escolas é muito importante. Precisa ter essa dinâmica do professor realmente inclusivo, que trabalhe com a turma em relação ao autismo, ao TDAH, etc. São vários transtornos; existem outras comorbidades que afetam em uma escola.” Jane participou da linha de frente do protesto, lutando ativamente pela causa e incentivando a multidão a entoar, cada vez mais intensamente, palavras em defesa de sua pauta.

Mãe incentiva manifestação a exigir direitos. Foto: Ana Luísa
“A melhor forma de minimizar e combater o preconceito é a conscientização” diz Mírian Lacerda, mãe de Leandro e Elisabete, gêmeos de 21 anos. Ela ressaltou a exclusão social que eles enfrentam, sendo tratados de maneira diferente de outras pessoas. Contou também que ambos os filhos realizam a intervenção terapêutica, que contribui principalmente para a habilidade de socialização. “O autismo não tem cura, mas a intervenção terapêutica com a equipe multidisciplinar pode melhorar a qualidade de vida e ajudar na questão da socialização”, Mírian salientou.

População reivindica direitos para os autistas. Foto: Ana Luísa
A caminhada também saiu em defesa do diagnóstico precoce do autismo. Os sintomas presentes na infância são cruciais para o diagnóstico, pois na vida adulta o autista tende a praticar o masking, que consiste em ocultar as características do autismo para se adequar a um meio social. Essa prática se torna prejudicial a longo prazo, pois a criança que não obteve o diagnóstico se torna um adulto que pode adquirir comorbidades como depressão e ansiedade. A coordenadora do Centro Dia da APROAUT, Magda Tenório, explica: “Muitas famílias demoram a aceitar o diagnóstico. Às vezes, a criança já dá indícios e a família demora para procurar o atendimento médico. O diagnóstico precoce é o ideal”.

População caminha a favor de seus direito. Maria Eduarda
Compareceram à caminhada pessoas autistas de todas as faixas etárias. Magda indicou a importância da terapia ao destacar este fato. “Tem muitos autistas que estão nesse espaço por conta das terapias. Se não tivessem, talvez eles não conseguissem sair de casa”, ressaltou.
