Pesquisadora discute a importância de democratizar o acesso a arquivos para enfrentar a desinformação sobre o período militar
Por: Guilherme Roza
Na última terça-feira (31), completou-se 62 anos do golpe militar de 1964, que implantou uma ditadura militar no Brasil por 21 anos. Nesta segunda-feira (6), o Projeto de Extensão Combate à Desinformação do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em parceria com outras entidades, deu início a sétima edição do Ciclo Descomemorar Golpes, evento anual que acontece desde 2019 com o objetivo de discutir sobre períodos históricos que desrespeitam a democracia e os direitos humanos no Brasil. Entre as programações oferecidas pela iniciativa, uma oficina foi realizada para apresentação de arquivos históricos.
A Oficina: Arquivos, Memória e Direito à Verdade foi ministrada por Maria Victória Klosienski, licenciada em História e atualmente mestranda no Programa de Pós-Graduação em História Política da Universidade Estadual de Maringá (UEM). A historiadora apontou os desafios no processo de pesquisa em arquivos que tratam de eventos da Ditadura Militar, como a destruição de documentos que comprovam violações de direitos humanos e o negacionismo presente na sociedade.
A diferença entre as consequências da Ditadura Militar Brasileira e Argentina também foi discutida e destacou que no país argentino houve mais punição, onde centenas de militares foram condenados após o colapso do regime, enquanto no Brasil seguiu uma transição baseada na Lei de Anistia de 1979, que impediu o julgamento de agentes do Estado e limitou a reparação histórica a pedidos de desculpas oficiais e indenizações financeiras, sem gerar punições penais aos responsáveis por torturas e desaparecimentos.
A palestrante ressaltou a importância de dar visibilidade aos arquivos do período. “Quero mostrar que os arquivos da ditadura estão pouco a pouco sendo democratizados. Fontes muito ricas para trabalhar com a desinformação que é um problema crescente no jornalismo e na sociedade”, afirmou.

Arquivos são entregues aos participantes para identificação de dados. Foto: Guilherme Roza
No final da oficina, uma dinâmica foi feita com os participantes com o intuito de identificar de forma crítica informações de interesse em documentos da ditadura, que têm sido afetados por indivíduos negacionistas e ações desinformativas.
O VII Ciclo Descomemorar Golpes estenderá suas atividades até a próxima segunda-feira (13), e como parte do calendário, outras oficinas, exposições, painéis, mostra de documentários, entrevistas, lançamentos editoriais e uma conferência final serão realizadas por profissionais experientes nos temas.
