Painelistas discutem desafios da democracia liberal e o avanço de discursos anti democráticos no Brasil e no mundo
Por Isabelly Costalonga, Leonardo Correia e Malu Dip.
Na manhã da última terça-feira (07), ocorreu no Grande Auditório da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), o painel “Como enfrentar tramas golpistas em regimes democráticos?”, conduzido pelo professor do curso de Direito da UEPG Pedro Fauth Miranda e pelo historiador e professor da Universidade Federal da Fronteira Sul Mariano Sanchez.
A fala que deu início a apresentação foi de Pedro Fauth, doutor em direito, que contextualizou a democracia liberal no Brasil e em outros países. Miranda discorreu que o modelo de democracia liberal se baseia em dois pilares contraditórios entre si, a tradição de liberalismo político que foca na separação de poderes e na busca pela liberdade individual, e do outro lado, a tradição democrática, em que a ideia central é a igualdade e soberania popular.
O professor destacou que a partir desta contradição surgem desentendimentos e que quando a sociedade funciona e se baseia em princípios antidemocráticos: “Sem dúvida nenhuma, essa construção social acaba, sendo espelhada na sociedade política”, pontua Pedro Miranda. Ele exemplifica esse reflexo ao citar dados de uma pesquisa do Datafolha que 59% dos brasileiros consideram a sociedade majoritariamente racista, porém os mesmos entrevistados afirmam que não se enquadram nesse percentual. E adiciona ainda que em 2025 o Brasil registrou 1568 casos de feminicídio, 4,7% a mais do que o ano anterior (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
O professor destacou a necessidade de fugir de uma linha personalista e de identificação com pessoas específicas, pois, a democracia não tem heróis ou salvadores. “Temos que unir essa democracia liberal com grandes instituições fortes para fugir disso”, conclui.
Em seguida, Mariano Sanchez, contribuiu oferecendo uma contextualização histórica da democracia em diferentes países e épocas. Sanchez ressaltou que a democracia não é um conjunto de regras, mas sim um processo de expansão de direitos e relacionou isso com o surgimento dos movimentos populares que lutavam pela democratização. Sobre a atualidade, Mariano chamou a atenção para o avanço da direita e de medidas antidemocráticas no mundo e a problemática da força dos discursos conservadores e autoritários desde o surgimento do fascismo. E relembra: “este colocava as pessoas na rua e busca recapitular essa força, busca uma massa suscetível a isso”. Neste contexto, o docente destaca o papel fundamental das ciências sociais em retratar a realidade com clareza.
A discussão sobre os desafios da democracia integra o VII Ciclo Descomemorar Golpes “Informar, Educar e Resistir em Tempos de Desinformação”, que teve início no dia 06 e irá até o dia 13 . Confira a programação [AQUI].
