A desconstrução do preconceito contra pessoas com doenças crônicas

Segundo o psicólogo Samuel Santos é necessário trabalhar para que o paciente entenda que a identidade de alguém é muito maior que qualquer diagnóstico de transtorno

 

Por Lucas Barbato 

 

A saúde mental no Brasil passou a ser mais discutida  a partir de 2020 devido a pandemia da Covid 19 que afetou a estabilidade psicológica de muitas pessoas, incluindo aquelas que já lidam com doenças crônicas, como ( esquizofrenia, transtorno bipolar e T.O.C). Em âmbito mundial, de acordo com estimativa da Organização Mundial de Saúde aumentou em 25% a prevalência global de ansiedade e depressão no primeiro ano da pandemia. Entretanto,  o preconceito e a discriminação dessas doenças continuaram 2, e as pessoas o enfrentam diararnente em sua vida social. Em conformidade com o Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério de Saúde, no Paraná em 2024, obteve um total de 65 números de leitos de Saúde Mental, o que corresponde a 13% do percentual. 

O preconceito pode ter um impacto muito forte e negativo na saúde mental de pessoas com doenças crônicas, de acordo com o psicólogo Samuel Santos, as principais consequências são “quando a pessoa passa a acreditar nos rótulos que as definem como perigosos ou incapazes, o que vai resultar em destruição da autoestima e gerando uma vergonha profunda. O medo de ser tachado como uma pessoa louca, faz com o que muita gente sofra em silêncio e  demore anos para buscar ajuda por sentir vergonha”. Para Samuel, o primeiro passo do papel de atuação do psicólogo “é explicar ao paciente e à sua família como é o funcionamento da doença, mostrando o que é biológico e o que é comportamento, o motivo disso porque a informação tira o medo e devolve as rédeas da situação para as mãos da pessoa”, destaca. 

Antes da pandemia, o Brasil já era um dos países com maior prevalência de ansiedade. De acordo com um estudo feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2017, cerca de 18 milhões de brasileiros sofriam com algum tipo de distúrbio relacionado à ansiedade, o que equivalia a 9,3% da população. Além disso, a depressão afetava cerca de 12 milhões de pessoas no país, o que correspondia  a 5,8% da população. 

Fonte: OMS.

A estudante Laura Oliveira, de 23 anos, que vive com borderline, bipolaridade e depressão generalizada, relata que já sofreu preconceito em serviços, principalmente em farmácias, onde foi tratada com desrespeito e falta de empatia. “Eu me sentia julgada, por simplesmente não querer dialogar com as pessoas, só queria ficar na minha. Era como se eu tivesse inventando minha dor e angústia. É difícil lidar com isso todos os dias, tem dias que eu não quero nem levantar da cama”. 

A professora e advogada especialista em direito previdenciário Danielle Biscaia Madureira destaca que a saúde mental tem assumido papel central no debate jurídico contemporâneo, especialmente diante do aumento significativo de diagnósticos de transtornos psiquiátricos graves e persistentes. Condições como esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar, transtorno obssessivo- compulsivo (TOC) e transtorno de personalidade borderline são reconhecidas por seu elevado potencial incapacitante, afetando diretamente a autonomia, a funcionalidade e a capacidade laborativa dos indivíduos, afirma a advogada especialista em direito previdenciário. 

Segundo o Manual MSD Versão Saúde para a família a esquizofrenia abarca um número considerável de pessoas, ela tem prevalência ao redor de 1% em vários países, sem diferença estatística em relação ao gênero. Homens e mulheres apresentam pico de incidência dos sintomas entre 20 e 25 anos de idade. As mulheres apresentam ainda um segundo pico de incidência após os 35 anos.  

 O apoio da família é crucial para a pessoa com doença crônica. A convivência com uma doença crônica pode ser desafiadora, e  o suporte emocional e prático da família pode fazer toda a diferença na qualidade de vida do paciente. “A família adoece junto com o paciente crônico, necessitando de suporte para lidar com o estresse e a sobrecarga do cuidador”, comenta a assistente social Miriam Aparecida Amaral. Miriam destaca que o trabalho do assistente social é pautado na escuta ativa, entrevista social e intervenção articulada com a equipe multidisciplinar para garantir dignidade e qualidade de vida ao paciente e sua família. “O apoio da família é fundamental para a recuperação e reabilitação do paciente”, conclui Miriam. 

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