Após promessa de entrega para fevereiro, obras na unidade do Parque Bonsucesso só devem terminar em julho; alunos enfrentam rotina exaustiva de locomoção
por: Leonardo Correia
No mês de setembro de 2025, a Escola Municipal Dr. José Pinto Rosas, localizada no Parque Bonsucesso, foi severamente atingida por fortes chuvas que causaram o destelhamento e a destruição parcial da unidade. Na ocasião, o desabamento da cobertura da quadra de esportes comprometeu a estrutura do prédio e a segurança da instituição.
De acordo com relatos de pais e responsáveis, a prefeita Elizabeth Schmidt visitou o bairro após o incidente e comprometeu-se a entregar a escola reformada para o início do ano letivo, em fevereiro de 2026. No entanto, o cronograma não foi cumprido. A instalação de tapumes metálicos para o início das obras ocorreu apenas na terceira semana de março, e a nova previsão comunicada diretamente com os pais pela Prefeitura Municipal indica que a unidade só estará pronta após as férias de julho.
Devido aos danos estruturais, os alunos da unidade foram remanejados para outras instituições de ensino. As crianças da Educação Infantil foram transferidas para o CMEI Padre Ezequiel Belchior, localizado em frente à escola atingida. Já os demais estudantes foram deslocados para a Escola Municipal Frederico Constante Degraf, no bairro Sabará. O deslocamento de 4,1 km é realizado via transporte escolar por meio de ônibus e vans disponibilizados pela prefeitura, com um trajeto de aproximadamente 1h de ônibus, percorrendo trechos da rodovia BR-373 (que liga Ponta Grossa a Prudentópolis).
Segundo Taina Drabeski, mãe de um dos alunos, o esquema de transporte apresenta falhas graves. “Aqui está complicado principalmente em dia de chuva, não tem onde se esconder com as crianças além do fluxo de carro que é muito movimentado”, desabafa.
Kemilly Gonçalves, também mãe de aluno, relata como a mudança afetou a rotina e o bem-estar do filho. “Meu filho chora de medo do ônibus e da distância, porque é muito longe. Ele já chegou a vomitar por causa do movimento do ônibus e do calor”, afirma.

A preservação das unidades de ensino é fundamental para assegurar a dignidade e o direito à educação da comunidade. Foto: Leonardo Correia.
Ana Souza detalhou a conturbação enfrentada nos últimos sete meses. Segundo ela, a rotina exige acordar muito mais cedo, já que o transporte escolar parte pontualmente às 7h30, antecipando o antigo horário de entrada da escola, que ocorria entre 7h45 e 08h. Em caso de perda desse horário do ônibus, não há alternativa de deslocamento para os alunos.
A mãe também relatou as dificuldades específicas de acessibilidade. “Meu filho é autista e necessita de reforço escolar. Antes, a escola era próxima, agora, precisamos levá-lo para longe”, desabafa. Outro ponto crítico levantado por Ana é a segurança no trajeto: “Eles vão e voltam nos horários de pico e precisam atravessar a BR”. Ela conclui observando que o tempo de viagem aumenta no final da semana: “Na sexta-feira, eles chegam ainda mais tarde, pois o fluxo de veículos na rodovia é muito maior”.
Marli Silva relatou o drama vivido pelo filho, que é hemofílico. “Ele depende muito de mim, ele tem muitos problemas com sangramento no nariz e agora estudando longe fica difícil para mim e para ele que tem faltado muito às aulas”.
As mães relataram que mantêm contato direto com a Secretária Municipal de Educação de Ponta Grossa, Joana D’Arc, por meio de um grupo de comunicação que reúne todas as responsáveis pelos alunos e alunas. Segundo elas, a secretária atua como uma ponte direta com a prefeitura. Foi por este canal, inclusive, que as famílias receberam o aviso de que o retorno das atividades na unidade escolar está previsto apenas para após as férias de julho.
A equipe ELOS entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Ponta Grossa para solicitar um posicionamento sobre as causas do atraso na obra e confirmar se o prazo de entrega para o mês de julho será mantido. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta.
