Profissionais da saúde discutiram conceitos e práticas para a prevenção do uso de drogas
Por Ana Luísa Runho e Maria Eduarda Almeida
No dia 15 de junho, a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) promoveu uma atividade de conscientização sobre álcool e outras drogas. A ação foi desenvolvida em parceria com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) e a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp). Foram realizadas duas palestras no Grande Auditório do campus central da UEPG, voltadas à comunidade universitária e externa. A atividade faz alusão ao Junho Branco, campanha de conscientização sobre o combate ao uso abusivo de substâncias psicoativas.
A primeira palestra, “Combate ao etilismo/alcoolismo”, foi ministrada pelo médico do trabalho Ricardo Possagno, que trouxe discussões referentes aos riscos do uso excessivo do álcool, um fenômeno social que representa um problema de saúde pública mundial. O médico explicou que o alcoolismo, ou síndrome de dependência de álcool, é diferente do etilismo, o simples uso do álcool. Apesar de serem conceitos distintos, uma pessoa etilista pode se tornar alcoólatra, caso não pratique o consumo consciente. O profissional relatou dificuldades no tratamento em razão de um estigma social, em que, muitas vezes, a pessoa que sofre de alcoolismo não aceita que possui o transtorno, pois ele é alvo de preconceitos na sociedade. “As pessoas precisam ser tratadas sem preconceito nenhum”, argumentou. Ele também destacou que já trabalhou com diversos casos da síndrome.

O médico Ricardo Possagno orientou sobre os malefícios do consumo abusivo de bebida alcoólica. (Foto: Maria Eduarda Almeida)
A segunda palestra tratou do tema “Saúde mental e o uso de substâncias – cocaína, cannabis e outras drogas: da neurologia aos critérios diagnósticos, impactos laborais e caminhos de cuidado”, e foi conduzida por Willman Josviak, médico clínico, e Augusto Bronzini, psiquiatra. Eles explicaram os conceitos de drogas, substâncias que alteram o metabolismo, e substâncias psicoativas, que alteram funções neurológicas.
A atividade tratou sobre os prejuízos que as drogas trazem na vida individual e coletiva e a precariedade do tratamento, que é pouco acessado pelos usuários: de 316 milhões de pessoas que usaram alguma droga em 2023, apenas 8,15% buscou o tratamento. A pessoa que tem dependência em substâncias psicoativas encontra dificuldades para se relacionar, e por isso enfrenta uma exclusão social. “O custo nas relações interpessoais é muito alto. Nós vemos famílias sofrendo, colegas de trabalho, cônjuges, filhos. a questão do transtorno de uso de substâncias afetam a sociedade como um todo”, ressaltou o profissional. O Transtorno por Uso de Substâncias (TUS) causa dependência ao ativar o mecanismo de recompensa do cérebro e deve ser prevenido com a conscientização sobre o assunto.
O evento teve como objetivo promover a prevenção no ambiente universitário, meio em que também há incidência de uso de drogas. As palestras esclareceram conceitos e expuseram dados muitas vezes desconhecidos pela população, para informar e conscientizar a comunidade.
