A data tem o propósito de debater e conscientizar sobre agressões físicas e psicológicas nas instituições de ensino
Por Bruna Sluzala e Lucas Barbato
No dia 07 de abril de 2011, às 8h30 da manhã, Wellington Menezes de Oliveira invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, na cidade de Rio de Janeiro, com dois revólveres e disparou contra os alunos que estavam no local. No total, 12 crianças foram assassinadas: 10 meninas e 2 meninos. O caso ficou conhecido como o Massacre de Realengo em referência ao bairro em que a escola está localizada. Considerado um feminicídio por especialistas, visto que o alvo eram as mulheres.
Wellington cometeu suicídio após ser abordado e baleado pelos policiais. Na carta deixada por ele, o bullying que sofreu enquanto frequentava a escola foi descrito como uma de suas motivações para o crime.
Em 2016, cinco anos depois do acontecido, foi sancionada a Lei 13.277/2016, que institui a data 07 de abril como Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola no calendário nacional. Este ano, ela completa uma década.
De acordo com o relatório Ataque às Escolas do Brasil: análise do fenômeno e recomendações para a ação governamental, feito pelo Ministério da Educação em 2023, o número de vítimas nos ataques em ambientes escolares é de 164 pessoas, com 49 casos fatais e 115 feridos. O estudo também afirma que, a partir de 2017, esses episódios aumentaram, com exceção no período de 2020 durante a pandemia de Covid-19. Em 100% dos ataques registrados, os agressores eram do sexo masculino e em algum momento foram motivados por comunidades e discursos de ódio online.
Bullying é qualquer comportamento que coloque em risco a integridade física e mental do indivíduo. As agressões podem se enquadrar como morais, físicas, psicológicas e elas ocorrerem de forma virtual e online no cyberbullying.
Na última edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), de 2019, 39% dos estudantes entrevistados de 13 a 17 anos expuseram que tinham sidos alvos de provocações de outros colegas nos últimos 30 dias antecedentes à pesquisa. A maioria das humilhações comentadas foram em relação a características físicas; 16,5% das ocorrências foram sobre corpo e 10,9% da aparência do rosto. As outras denúncias recebidas são a respeito de raça e cor, com 4,6% dos casos e 2,5% em função da orientação sexual.
A professora e pedagoga, Eni Márcia dos Santos, expõe que quando um aluno está sofrendo violência física ou verbal, ele demonstra mudanças no humor e comportamento. “As vítimas vão tender a se isolar e apresentar uma queda no boletim escolar por conta do medo, que é muito comum nelas. A cognição vai ser comprometida e a aprendizagem não vai ser a mesma do que as dos outros colegas”.
Eni também fala que meninos e meninas ficam mais suscetíveis a desenvolverem transtornos como depressão e ansiedade na infância. “Enquanto escola temos que acolher a criança que está passando por essas situações, seja no apoio de encaminhamento para profissionais da saúde ou no auxílio pedagógico para que ela consiga ter uma boa convivência e dê para retomar os ensinamentos”.
De acordo com a Psicóloga e Professora Paloma Gonçalves, “o bullying é um ato de violência que pode ser física, psicológica, intencionais que são repetitivas a um certo indivíduo”. O ato de praticar o bullying, pode trazer algumas consequências, “essas violências podem gerar dor, angústia, desequilíbrio emocional, elas podem se manifestar por meio da exclusão social, com agressões físicas e verbais”, destaca Paloma.
As principais formas que o bullying se manifesta, segundo a psicóloga, “primordialmente a violência física que é a forma mais visível, pois engloba várias atitudes muito negativas, como socos, chutes, empurrões, entre outras formas físicas diretas”. A psicóloga também explica “ uma outra forma de violência física direta é a inclusão de roubos de pertences, como por exemplo materiais escolares, porque as vítimas ficam coagidas fisicamente”.
Para a Psicóloga Paloma os resultados da prática do bullying são os piores, como danos profundos na saúde mental, gerando normalmente transtornos de ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e baixa autoestima. No desempenho escolar “o medo e o estresse consomem a energia necessária para aprendizagem, o que acaba resultando em queda de nota, dificuldades de concentração e com frequência vem o abandono escolar”, salienta Paloma.
A Psicóloga concluiu falando da importância educacional e da empatia na prevenção do bullying “ acredito que na prática, o principal ponto é a empatia como barreira, é quando alunos empáticos, acabam sentindo o sofrimento do outro e que inibem a prática do bullying”.
