Espetáculo cômico “Desajustada” discute a violência de gênero no 53°Fenata

Peça da companhia catarinense Pé de Vento misturou comédia e crítica social ao retratar a opressão das mulheres na sociedade

                                                                      Por Malu Dip

O 53° Festival Nacional de Teatro, Fenata, ocorreu entre os dias 09 e 13 deste mês. Ele é um dos mais tradicionais eventos de teatro do país e acontece desde 1973, de forma ininterrupta. A iniciativa é promovida pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e integra o calendário anual da instituição com suas apresentações sempre em novembro e realizadas na cidade de Ponta Grossa. O evento recebe apresentações de diferentes gêneros, classificações indicativas, grupos e artistas de todo o Brasil e se tornou um espaço de intercâmbio cultural que promove o olhar crítico sobre a sociedade e valoriza o cenário teatral local e nacional.

Na noite do dia 12, o Sesc Estação Saudade recebeu o espetáculo “Desajustada”, uma comédia teatral sem falas, da companhia catarinense Pé de Vento. A obra, originalmente dirigida pela falecida atriz e palhaça Lily Curcio, foi criada e é interpretada por Vanderléia Will, também atriz e palhaça. Na encenação, Vanderléia utiliza gags (gestos e expressões que comunicam o humor de forma visual), além de truques cênicos e efeitos de luz que envolvem o público na história de uma mulher presa em um cotidiano patriarcal, opressor e limitante, simbolizado por uma grande gaiola onde a personagem fica presa.

Segundo o IBGE, até 2020, apenas 23,4% dos municípios brasileiros tinham teatros ou salas de espetáculos. Foto: Malu Dip.

Com 50 minutos de duração e classificação indicativa para maiores de 14 anos, o espetáculo percorre o país todo abordando, com uso do humor e do exagero, a violência de gênero e o papel da mulher na sociedade. Depois da peça, houve um momento de conversa entre a artista e o público. Vanderléia contou um pouco sobre sua trajetória, as ideias e inspiração para a criação do espetáculo. Ela relatou que cada apresentação é diferente da outra, mesmo que a peça seja a mesma. Também acrescentou sobre o sentimento de encenar e ter criado uma apresentação sobre um tema tão relevante para a sociedade: “Eu me sinto uma vitoriosa. É uma vitória, não foi fácil chegar onde eu cheguei, a gente teve que engolir muito, passamos por muitas coisas. E hoje chegar até aqui, com um pouco mais de consciência e ocupar esse lugar de saber o que tá fazendo, saber falar e saber se colocar, é libertador, estou muito feliz e espero que eu consiga evoluir mais e mais”, concluiu. 

A peça criada durante o período da pandemia de COVID-19 estreou em 2021 e desde então o espetáculo já realizou turnês por diversas cidades e estados brasileiros, como em Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, totalizando mais de 14 municípios e também apresentações no exterior.

 

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