Iniciativa solidária distribui refeições a pessoas em situação de rua em Ponta Grossa

O projeto Gueto em Movimento realiza ações sociais por meio do Hip Hop

Por Ana Luísa Runho e Maria Eduarda Almeida

O projeto Gueto em Movimento nasceu em Ponta Grossa em 23 de novembro de 2019, como uma ação em homenagem à Semana da Consciência Negra. Idealizada pelo músico e entregador Rui Adriano Leiria, o “Polako”, a iniciativa realiza ações sociais e culturais no município, movidas pela cultura do Hip Hop. Entre as principais atividades realizadas, a entrega de alimentos para pessoas em situação de rua. As doações são feitas todas as quintas-feiras, às 20h, em pontos do centro da cidade, e a preparação e distribuição destes alimentos são realizadas pelo próprio Rui, que é o agente principal em todos os processos envolvendo o projeto. 

As arrecadações são obtidas por meio de eventos de Hip Hop, onde o projeto firma parcerias com outras instituições e estabelecimentos para solicitar, como ingresso, alimentos que serão direcionados às entregas realizadas semanalmente. Rui destaca, ainda, a importância da cultura do rap e hip hop para o andamento do projeto. “A ideia nasceu através do Hip Hop. Nós sempre falamos sobre a desigualdade social, sobre as nossas necessidades. O rap traz isso, quando falamos de rap nacional de verdade”, explicou o coordenador.

A iniciativa também está presente em eventos beneficentes do município, que são realizados principalmente em datas comemorativas, como a arrecadação de brinquedos no Natal e no Dia das Crianças. Recentemente, o projeto participou da V Páscoa Solidária, promovida pelo curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) em parceria com o Movimento Popular de Luta (MPL). Foram arrecadados pelo Gueto em Movimento doces para entregar às crianças moradoras da ocupação Ericson John Duarte, no dia 12 de abril. O líder do projeto destaca que foi gratificante poder realizar essas doações, que foram possíveis graças ao Hip Hop. 

Doces distribuídos às crianças na V Páscoa Solidária, na ocupação Ericson John Duarte. (foto: Kamille Vidal)

Apesar de sua importância social, a ideologia da cultura de periferia e as ações voltadas para pessoas vulneráveis são alvos de discriminiação. Rui relatou uma situação em que estava entregando alimentos para os moradores de rua e foi abordado por policiais, que exigiram rispidamente saber o que ele estaria fazendo. Quando abriram o compartimento da moto utilizada para as entregas, estava cheia com as marmitas que seriam doadas. Ao relatar essa vivência, ele evidenciou o preconceito que as pessoas em situação de vulnerabilidade enfrentam todos os dias. “Discriminam pelas pessoas que nós lidamos. Questionam e tentam nos fazer parar, ao invés de ajudarem quem está precisando”, completou. 

Atualmente, a divulgação dos eventos acontece pelo Instagram do projeto @gueto_em_movimento, onde é publicada a rotina de doações e o cardápio oferecido às pessoas em situação de rua a cada semana. Também é possível se informar a respeito das doações, que podem ser feitas pela chave Pix ou em pontos de doação – como a Zion House (Instagram: @zionhouse042). 

 
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