Parceria visa engajar a comunidade escolar nas celebrações dos 50 anos da escola, e o primeiro encontro com estudantes contou com palestra sobre as trajetórias vivenciadas no colégio
Por:Isabelly Costalonga, Leonardo Correia e Malu Dip
A equipe do projeto de extensão e da pesquisa aplicada desenvolvida pelo Elos – Jornalismo, Direitos Humanos e Formação Cidadã, deu início, nesta quarta-feira (27), às atividades práticas junto aos estudantes do Colégio Estadual Polivalente. Coordenada pelas professoras Paula Melani Rocha, Karina Janz Woitowicz e Graziela Bianchi, a iniciativa conta com a atuação direta da professora da escola, Eloni Santos, e das bolsistas de pesquisa do Elos, Malu Garcez Dip e Amanda Crissi.
Neste primeiro encontro, estudantes do Ensino Fundamental e Médio participaram da apresentação do projeto Elos, que atua diretamente na promoção da cidadania, no fortalecimento dos direitos humanos e na valorização da diversidade. A parceria, que surgiu a partir de uma demanda apresentada pela escola, tem como propósito central engajar a comunidade escolar na celebração dos 50 anos do Colégio, que serão completados em março de 2027.
Como parte das ações de resgate da memória institucional, os e as estudantes assistiram à palestra da professora Marialva Ribas Kincheski, autora da pesquisa “Memória histórica e cultural do colégio Polivalente”, desenvolvida em 1998. O estudo traça um perfil de alunos, ex-alunos, diretores, professores e funcionários da época, utilizando a metodologia da história oral e destacando a forte integração entre a escola e o bairro Jardim Carvalho, onde está situada.
Durante a conversa, Marialva, que foi docente da instituição, ressaltou a importância de compreender a trajetória do colégio. “Quem não conhece sua história, não sabe de onde vem, nem para onde vai”, pontuou a palestrante, convidando os e as jovens a exercerem um “novo olhar” sobre o espaço que ocupam.
A professora também contextualizou a criação das escolas polivalentes no Brasil. Embora o colégio tenha sido fundado durante o período da ditadura militar, em 1977, o cotidiano escolar buscava dar continuidade às práticas pedagógicas locais que acompanhavam as mudanças econômicas e de costumes da sociedade. Ela relembrou a própria experiência docente na instituição. “Além de ensinar, no processo eu fui aprendendo também”, destacou.
Outro aspecto abordado pela professora foi o modelo das “Salas Ambientes”. Segundo a pesquisadora, a dinâmica de fazer os alunos trocarem de sala a cada disciplina estimulava a autonomia. “Transforma o aluno em alguém mais responsável, capaz de ser agente do seu próprio conhecimento”, afirmou.
O artigo das pesquisadoras Léia Laura de Souza Mendes, Edenar Souza Monteiro, Alessandra Cristina Rios, Roberta da Silva de Stefani Huffel, Fabyane Akemi Nagazawa Teixeira, Danielle Augusta Amorim Pereira Leite e Flavia Mara Feitosa da Silva, publicado em 2022, e com o título: “Estratégias de ensino-aprendizagem nas salas ambientes”, publicado na Revista Educação Pública, mostra que As Salas Ambientes são espaços educacionais projetados e equipados especificamente para uma determinada disciplina ou área do conhecimento. Nesses espaços, os recursos didáticos, materiais manipuláveis e a própria decoração são pensados para refletir o conteúdo a ser ensinado, transformando a sala de aula em um verdadeiro laboratório temático.

O objetivo das oficinas promovidas pelo Elos é desenvolver
habilidades de texto, foto e audiovisual para que estudantes possam atuar na construção e
resgate do acervo de memórias do Colégio. Foto: Bruna Sluzala
No encerramento do encontro, foi aberto espaço para debate. Os e as estudantes compartilharam relatos de pais e familiares que também estudaram no Polivalente. Também demonstraram interesse no retorno de saídas pedagógicas, que foram relatadas como bons momentos vivenciados em outras épocas da escola. A professora Marialva relembrou o projeto de viagens “Turismo, cultura e urbanização”, que levava alunos para conhecer diferentes regiões do Paraná, promovendo também as ações do colégio.
A jornalista e bolsista técnica, Amanda Crissi, que acompanha o projeto, afirma ter considerado a primeira atividade prática na escola bastante proveitosa. “Foi muito bom, porque conseguimos colocar em ação o que estamos planejando para a comunidade escolar no projeto “Memória do Polivalente”. E foi bem importante porque a gente pôde conhecer os alunos, foi esse primeiro contato. Eles estavam bem interessados, uma coisa que a gente nunca sabe quando está fazendo projeto de extensão, é se vai enganar ou não. Mas eles se engajaram, a gente apresentou a proposta e foi super legal, agora aguardamos as próximas oficinas”, completou.
Oficinas e próximos encontros
Para os próximos encontros, estão previstas oficinas práticas de texto, fotografia e vídeo. A programação foi definida em sintonia com os anseios demonstrados pelos próprios estudantes, como a produção de conteúdos voltados para a divulgação de suas atividades escolares e vinculadas aos preparativos de todo o material que será relacionado aos 50 anos do Polivalente.
