Sabatina marca disputa à Reitoria da UEPG

Com ausência da chapa 2, evento foca em propostas da chapa 1 e temas estruturais da universidade


Por: Lorena Santana, Lucas Barbato e Natália Almeida 

O dia 1º de abril previa um debate entre as chapas 1 e 2 à reitoria da Universidade Estadual de Ponta Grossa, organizado pelo Sindicato dos Docentes da UEPG (SINDUEPG), Diretório Central dos Estudantes (DCE) e centros acadêmicos. Porém, devido à ausência da chapa 2, Ser UEPG, a dinâmica se alterou e acabou assumindo formato de sabatina com a chapa 1, UEPG Sem Medo.

A mesa foi mediada pela jornalista Mareli Martins, com a participação de Alessandro de Melo, presidente do SINDUEPG, Amanda Los, discente representante do Diretório Central dos Estudantes da UEPG e as candidatas da Chapa 1 – UEPG Sem Medo, Marilisa Oliveira e Jeaneth Nunes.

O evento foi divido em quatro blocos e iniciou com a apresentação das candidatas. O segundo bloco foi composto por quatro sorteios de perguntas, alternando as questões entre as entidades organizadoras. O terceiro bloco foi formado por perguntas da plateia. As candidatas reforçaram a questão da transparência e consulta aos estudantes, docentes e agentes para o início de qualquer intervenção externa na Universidade, como obras, por exemplo. Elas consideram que quem vai ser impactado diretamente por alguma interferência precisa participar das decisões.

Assédio e Bolsas 

Questionadas sobre políticas de combate ao assédio, as candidatas apresentaram propostas voltadas à ampliação de canais de denúncia e acolhimento. 

Em relação às bolsas, elas enfatizaram a importância para a comunidade acadêmica e destacaram a necessidade de ampliar a divulgação e o acesso aos editais.

Precarização do trabalho docente e pós graduação

Sobre as condições de trabalho dos docentes, as candidatas asseguram a autorização, planejamento e supervisão de concursos públicos para docentes e técnicos-administrativos. O que, segundo elas, é a maneira mais segura de prevenir as sobrecargas no trabalho.

Com mais professores efetivos, há melhor distribuição de orientações, ampliação de linhas de pesquisa e redução da sobrecarga, o que melhora a qualidade da formação dos pós-graduandos. Além disso, equipes menos precarizadas tendem a garantir maior continuidade nos programas, fortalecendo a produção científica e a própria estrutura da pós-graduação.

Lei Geral das Universidades

A Lei Geral das Universidades (LGU) é uma lei do Paraná que estabelece regras para o funcionamento das universidades públicas estaduais. Ela define como as instituições podem usar recursos, contratar servidores e organizar sua gestão. Também amplia o controle do governo estadual sobre as universidades.

Em relação à LGU, as candidatas afirmam caminhar contra. De acordo com elas, quando a LGU impõe regras que engessam a gestão, centralizam decisões e enfraquecem a capacidade interna das universidades de se autogovernarem, ela atinge o essencial da vida acadêmica. A Lei também impacta diretamente as condições de trabalho de docentes e técnicos, amplia a precarização e compromete o futuro da pesquisa.

Políticas maternas

Em relação a políticas públicas de permanência voltadas às mães estudantes, as candidatas propõem a criação de um espaço em ambos os Campus destinado ao cuidado infantil. A ideia é desenvolver um projeto de extensão com a participação de cursos como Pedagogia, Artes e Música para receber as crianças com qualidade. Dessa forma, busca-se garantir que as mães ou pais possam continuar sua formação acadêmica sem que precisem escolher entre o cuidado com a criança e os estudos. 

A mãe e estudante do terceiro ano de Serviço Social, Jheniffer Rosa, afirma que o sentimento de coletividade e cuidado se perde com o tempo e ressalta a importância de políticas públicas de permanência. “É reconhecer que os filhos não chegam para ser um impedimento, e o acolhimento faz com que eu me sinta vista”, conclui. 

O quarto bloco foi destinado às considerações finais das candidatas. Durante o encerramento, elas reforçaram os principais pontos defendidos ao longo da sabatina, como a valorização do trabalho docente, a defesa da autonomia universitária e o compromisso com políticas de permanência estudantil. Também destacaram a importância da participação ativa da comunidade acadêmica nas decisões institucionais, reafirmando a proposta de uma gestão mais democrática e transparente.

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