Servidores de Ponta Grossa rejeitam contraproposta e confirmam greve geral para 4 de maio

Categoria nega oferta da Prefeitura que mantinha reajuste de 5% e vale-alimentação de R$ 650, e reivindicam 8% de aumento e benefício de R$ 800

Por: Leonardo Correia e Malu Dip

Foto: Leonardo Correia

Em assembleia realizada às 17h45 desta segunda-feira (28), aproximadamente 200 servidores municipais de Ponta Grossa rejeitaram, por ampla maioria, a contraproposta da Prefeitura Municipal. Após a categoria ter enviado na última quinta-feira (23) o pedido de 8% de reajuste e vale alimentação de 800,00, o Executivo respondeu mantendo os 5% de reajuste (porém agora sem parcelamento), o vale de 650,00 e o abono das horas da paralisação do dia 8 de abril.

Diante da rejeição desses termos em votação, os servidores confirmaram o início da greve geral na cidade. O primeiro ato de mobilização está agendado para a próxima segunda-feira, dia 4 de maio, com concentração em frente ao prédio da Prefeitura a partir das 8h. O objetivo da paralisação é pressionar a gestão municipal a atender os índices definidos pela categoria em assembleia.

A decisão de ontem é um desdobramento direto da Assembleia Extraordinária ocorrida na última quinta-feira (23). Naquela ocasião, os servidores já haviam negado por unanimidade uma proposta inicial do governo que previa o aumento do vale-alimentação para R$ 650,00 e um reajuste salarial de 5% parcelado em duas vezes. Diante da negativa, a própria categoria formulou uma nova exigência: reajuste de 8% e vale-alimentação de R$ 800,00. No entanto, a resposta da gestão municipal levada à votação nesta segunda-feira não atendeu às expectativas dos trabalhadores. 

A primeira paralisação da categoria em 2026 ocorreu no dia 8 de abril. Segundo a comissão do SindServ-PG, a mobilização foi motivada pela falta de diálogo entre o poder público municipal e os trabalhadores e trabalhadoras, mesmo após diversas tentativas de negociação por parte dos servidores. A proposta inicial do Sindicato era de um reajuste de 15% na data-base e um aumento de 300,00 no vale alimentação, que passaria de 600,00 para 900,00.

Embora os servidores aguardassem uma contraproposta da Prefeitura para o dia 20, na mesma data, o poder público limitou-se a convocar uma reunião de urgência com a comissão sindical. Diante de impasses, a gestão tentou restringir a participação de todos os representantes e alegou não ter recursos financeiros suficientes para atender às demandas. Nesse cenário, a categoria declarou estado de greve na sequência.

Mais do que reuniões deliberativas, as assembleias representam a voz ativa dos servidores, reafirmando o compromisso com processos democráticos onde a decisão coletiva prevalece sobre os impasses individuais.
Foto: Leonardo Correia

A contraproposta da Prefeitura foi apresentada formalmente no dia 22. Ela é composta por três itens: 1- Aumento do Vale-Alimentação para R$ 650,00, a partir do mês de maio, com pagamento retroativo ao mês de abril; 2- Reajuste de 5% do salário-base dos servidores, a ser implementado de forma dividida, sendo 2,5% no mês de maio e 2,5% em outubro, exceto os servidores que já percebem reajuste concedido desde janeiro de 2026; 3- Concessão do abono aos servidores que aderiram a paralisação realizada no dia 08 de abril de 2026.

 Durante a assembleia, foi realizada uma votação com os servidores presentes e a proposta municipal foi rejeitada por unanimidade. A partir disso, o SindServ-PG propôs um reajuste de 7,5% no salário e 150,00 a mais no vale alimentação, a proposta foi rejeitada. E através de uma nova votação, a proposta aceita foi a elaborada pelos próprios funcionários, de um reajuste de 8% e 200,00 a mais no vale alimentação, configurando um benefício de 800,00. 

 O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Ponta Grossa, Luiz Eduardo Pleis, analisou o cenário da luta dos trabalhadores no município. “A luta é histórica, ela sempre existiu e nunca foi fácil para ambas as partes. A força do trabalhador hoje representa muitas vitórias”, ressaltou. O presidente ainda relembra a conquista do vale-alimentação no município, em 2022, que após movimentação dos trabalhadores, a Prefeitura sancionou a Lei nº 15.458/2025, que altera a Lei nº 14.210/2022, atualizando o valor do benefício de R$450,00 para R$600,00 mensais.  

A auxiliar de merendeira, Silvana Tertuliano Pinto, desabafou sobre a realidade do cotidiano de trabalhadores e trabalhadoras. “É um descaso total com os trabalhadores e servidores públicos, um abandono total das nossas demandas, mesmo antes das terceirizações”, declara. Silvana destaca também que achou promissora a assembleia e o processo das decisões em conjunto com os colegas. 

 

 

Skip to content