O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirma que o trabalho voluntário individual aumentou de 9,4% em 2019 para 13,6% em 2022
Por Bebel Costalonga, Bruna Sluzala e Karen Stinsky
O trabalho voluntário é uma das formas que as instituições não governamentais encontram para manter sua organização e sobrevivência, em que a mobilização da comunidade atua diretamente nos movimentos de inclusão social.
Ele é um agente independente formado pela força popular e opera em todos os contextos, mas sua luta maior é a garantia da dignidade humanitária para todas as pessoas que estão em situações vulneráveis.
Em 1998, foi sancionada a Lei n° 9.608, que prevê o trabalho voluntário como uma atividade não remunerada exercida por pessoa física a qualquer entidade pública ou privada sem fins lucrativos, que exerçam objetivos, culturais, educacionais, científicos, recreativos e de assistência social. O artigo também qualifica o voluntariado como uma atividade sem a necessidade de vínculo empregatício e natureza trabalhista.
Hoje em dia, diversas organizações funcionam a partir do voluntariado. Segundo a Pesquisa Voluntariado no Brasil de 2021, do Instituto de Desenvolvimento Social, há 57 milhões de pessoas no país que fazem atividades voluntárias..
De acordo com Teamstage, cerca de 70% do trabalho voluntário em 2024 é feito informalmente, ou seja, eles acontecem a partir de iniciativas que não estão ligadas à nenhum segmento de instituições de caridade ou empresas. O perfil dos voluntários é constituído em sua maioria por mulheres, que realizam 57% do trabalho voluntário global e 59% do voluntariado informal.
A Irmã Scheilla é uma associação que está presente há 70 anos no município de Ponta Grossa e que realiza ações beneficentes para a população vulnerável, como doações de roupas e o preparo de alimentos. De segunda a sábado, há 15 equipes de voluntários que preparam as refeições. Maria Etelvina, presidente da instituição, afirma que há colaboradores na instituição há mais de 50 anos.
Maria fala que o trabalho voluntário teve impacto em sua vida e que era uma vontade antiga. “A gente faz bem para eles, mas para nós também. É muito gratificante, até porque é uma coisa voluntária. Você não é obrigado, você está aqui porque gosta e é sensível às causas alheias”, expõe.

O voluntariado na Instituição Irmâ Scheilla é realizado na sede, rua do Rosário – Ponta Grossa. Foto: Pietra Gasparini
Daiane Dias é voluntária independente na área de proteção aos animais em Reserva e relata que sempre seguiu os passos da avó. “Com 13 anos já fazia o que estava ao meu alcance. Em 2013 entrei para participar da ONG da cidade onde cedi meu lar para o abrigo de animais. Hoje com 45 anos, me sinto muito bem em ser voluntária na causa animal”.
Ela afirma que sem o trabalho voluntário, o número de animais sofrendo seria ainda maior.
“Minha maior motivação é ver eles bebendo e comendo com saúde. Saber que eu estive ajudando a castrar um animal, o abandono pode diminuir, além de ver eles me agradecendo com um abanar de rabo pelo pouco que pude fazer”, completa Daiane.
