{"id":2139,"date":"2020-08-31T10:45:41","date_gmt":"2020-08-31T13:45:41","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=2139"},"modified":"2020-08-31T10:45:41","modified_gmt":"2020-08-31T13:45:41","slug":"clube-lesbos-dia-da-visibilidade-lesbica-uma-iniciativa-de-lesbicas-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/clube-lesbos-dia-da-visibilidade-lesbica-uma-iniciativa-de-lesbicas-negras\/","title":{"rendered":"Clube Lesbos | Dia da Visibilidade L\u00e9sbica, uma iniciativa de l\u00e9sbicas negras"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: justify\">Eu, Nascimento Aguiar, vulgo formig\u00e3o, sapat\u00e3o preto y estudante de hist\u00f3ria me incumbi que escrever o texto sobre o 29 de agosto. Porque essa data s\u00f3 existe pela luta feita por l\u00e9sbicas negras que vieram antes de n\u00f3s e n\u00e3o vou passar meu c\u00e9lebre 29 de agosto em branco. Para quem n\u00e3o sabe, 29 de agosto \u00e9 o dia que o movimento social l\u00e9sbico convoca a sociedade a ver a hist\u00f3ria, organiza\u00e7\u00e3o e intelectualidade produzida por l\u00e9sbicas, para se atentar \u00e0s viol\u00eancias perpetradas contra l\u00e9sbicas e chama as l\u00e9sbicas para celebrar esta visibilidade e a luta pol\u00edtica em nome de uma transforma\u00e7\u00e3o social que nos beneficie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tendo como base o texto de J\u00e9ssica Ip\u00f3lito, \u00e9 sabido que o I SENALE (Semin\u00e1rio Nacional de L\u00e9sbicas) foi realizado pelo COLERJ (Coletivo de L\u00e9sbicas do Rio de Janeiro). Ip\u00f3lito destaca o nome de Neusa das Dores Pereira, l\u00e9sbica negra, como fundamental para a realiza\u00e7\u00e3o desse processo. Segundo Ana Carla Lemos, o foco do I SENALE era realizar uma articula\u00e7\u00e3o de l\u00e9sbicas dentro do Brasil e fortalecimento de l\u00e9sbicas como sujeito pol\u00edtico, visto que nossas pautas n\u00e3o eram foco de movimentos como o feminista e homossexual. E de acordo com Cl\u00e1udia Pons Cardoso, isso tamb\u00e9m era algo invis\u00edvel dentro do movimento negro, embora algumas l\u00e9sbicas negras se posicionassem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua sexualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro SENALE teve como eixos tem\u00e1ticos sa\u00fade, visibilidade e organiza\u00e7\u00e3o. Estiveram presentes mais de 100 pessoas, mas nem todas assinaram seus nomes para preservar sua identidade diante da sociedade do l\u00e9sbico \u00f3dio e do racismo. Al\u00e9m do COLERJ a feitura do I SENALE se deu com a colabora\u00e7\u00e3o do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Coisa de Mulher &#8211; RJ. Rosangela Castro, l\u00e9sbica negra, ativista e tamb\u00e9m candomblecista, em recente mesa no evento online (A)gosto das L\u00e9sbicas: origens do orgulho e visibilidade l\u00e9sbica, realizado no dia 23 de agosto de 2020 e transmitido via Facebook da p\u00e1gina Cine Sapat\u00e3o, alega categoricamente o I SENALE foi constru\u00eddo por l\u00e9sbicas negras, que com seus corpos por si s\u00f3 j\u00e1 traziam pautas sobre lesbianidade e negritude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda sobre o I SENALE, N\u00fabia Carla Campos indica que as organiza\u00e7\u00f5es tinham pouca estrutura, mas contaram com pequenos apoios institucionais \u2013 tanto estado do Rio de Janeiro como da Uni\u00e3o \u2013 ou seja, n\u00e3o foi um encontro autogestion\u00e1rio. Estiveram presentes l\u00e9sbicas e bissexuais de diversos estados como S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Cear\u00e1, Minas Gerais, Distrito Federal e tamb\u00e9m participantes estrangeiras. Entre as propostas apresentadas na plen\u00e1ria final, para encaminhar aos governos estaduais e federal, estavam, por exemplo, pautas referentes ao HIV, preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis e ginecologia especializada na sexualidade l\u00e9sbica. Campos ainda aponta que, neste evento, foi feita a declara\u00e7\u00e3o do dia 29 de agosto como dia nacional da visibilidade l\u00e9sbica. Algo que a ativista Ros\u00e2ngela Castro sempre destaca como a primeira data de celebra\u00e7\u00e3o do movimento l\u00e9sbico. \u00c9 uma data para comemorar nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 perguntas que podemos fazer para esse fato hist\u00f3rico que n\u00e3o temos respostas, mas essas lacunas apontam que h\u00e1 muito a ser feito para escrever a hist\u00f3ria l\u00e9sbica das pretas. Eu, sapat\u00e3o preto, futuro historiador, entendo que a hist\u00f3ria como ci\u00eancia e teoria foi engendrada no seio da branquitude europeia como uma investiga\u00e7\u00e3o que busca objetividade e neutralidade, acho estritamente necess\u00e1rio fazer o oposto dos patriarcas brancos, ou seja, colocar nossas subjetividades e posicionamentos na escrita da hist\u00f3ria, em especial nos poucos vest\u00edgios que temos sobre l\u00e9sbicas negras porque, como bem ensinou a resist\u00eancia negra da di\u00e1spora, a mem\u00f3ria de nossas mais velhas s\u00e3o as ra\u00edzes desse baob\u00e1.<\/p>\n<p><em>Texto redigido por Formig\u00e3o para o blog Clube Lesbos (<a href=\"http:\/\/www.clubelesbos.com.br\/blog\/29-de-agosto-dia-da-visibilidade-lesbica-uma-iniciativa-de-lesbicas-negras?fbclid=IwAR22c8NlhYWNWjLgfqMWlNSuWEsD3zMJZdHBwF1ZvhAl8lb_BewiD5ThWWc\">confira o blog aqui<\/a>). A imagem que ilustra\u00a0 foi cedida por Marisa Fernandes.<\/em><\/p>\n<div class=\"ck-object-container ck-object-hr\" style=\"text-align: justify\" data-ck-object-type=\"ck-object-hr\">\n<div class=\"ck-object-wrapper ck-object-hr\"><hr class=\"ck-object\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Fontes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A lesbianidade como resist\u00eancia: a trajet\u00f3ria dos movimentos de l\u00e9sbicas no Brasil (1979-2001) \u2013 N\u00fabia Carla Campos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enegrecendo o 29 de agosto: negras l\u00e9sbicas na constru\u00e7\u00e3o da visibilidade \u2013 J\u00e9ssica Ip\u00f3lito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outras falas: feminismos na perspectiva de mulheres negras brasileiras \u2013 Cl\u00e1udia Pons Cardoso<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Rachas ou agrega\u00e7\u00f5es? Uma an\u00e1lise sobre os movimentos de l\u00e9sbicas e movimentos feministas no 8\u00ba SENALE &#8211; Semin\u00e1rio Nacional de L\u00e9sbicas \u2013 Ana Carla da Silva Lemos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":846,"featured_media":2141,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[39],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2139"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/846"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2139\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}