{"id":3302,"date":"2021-05-12T11:56:47","date_gmt":"2021-05-12T14:56:47","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=3302"},"modified":"2021-05-12T11:56:47","modified_gmt":"2021-05-12T14:56:47","slug":"auxilio-emergencial-historias-de-quem-busca-sobrevivencia-com-tao-pouco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/auxilio-emergencial-historias-de-quem-busca-sobrevivencia-com-tao-pouco\/","title":{"rendered":"Aux\u00edlio Emergencial: Hist\u00f3rias de quem busca sobreviv\u00eancia com t\u00e3o pouco"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEstou morando de favor, desempregada e meu marido n\u00e3o consegue um emprego na \u00e1rea dele\u201d. Este \u00e9 o relato da jovem Tatiane Maciel (23), e a realidade de muitos outros ponta-grossenses que est\u00e3o desempregados, receberam o aux\u00edlio emergencial do Governo Federal em 2020 e perderam o benef\u00edcio em 2021. No ano passado, cerca de 68 milh\u00f5es de brasileiros receberam o aux\u00edlio de R$600, o que representa quase um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o. A L<\/span><a href=\"http:\/\/legislacao.planalto.gov.br\/legisla\/legislacao.nsf\/Viw_Identificacao\/lei%2013.979-2020?OpenDocument\"><span style=\"font-weight: 400\">ei n\u00ba 13.979, de 6 de fevereiro de 2020<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> trata das medidas para enfrentamento da emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica decorrente do coronav\u00edrus (covid-19) e a partir dela se instituiu o pagamento do aux\u00edlio. Criado para servir como apoio na renda dos brasileiros que conseguiram o benef\u00edcio.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Em 2021, o n\u00famero de benefici\u00e1rios ser\u00e1 de 45,6 milh\u00f5es, ou seja, 28% das pessoas cadastradas anteriormente n\u00e3o ter\u00e3o acesso ao novo aux\u00edlio emergencial. E, ainda, neste ano, o valor ser\u00e1 menor, o cidad\u00e3o receber\u00e1 entre R$150 e R$375.\u00a0 Os pagamentos foram divididos em quatro parcelas que come\u00e7aram a ser depositadas em mar\u00e7o e v\u00e3o at\u00e9 junho de 2021. O Governo Federal n\u00e3o anunciou nenhuma atualiza\u00e7\u00e3o sobre novas parcelas.<\/span><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3303\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/trajetorio-auxilio-site-do-elos-300x150.png\" alt=\"\" width=\"770\" height=\"385\" \/><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">No in\u00edcio de 2020, Tatiane morava sozinha em Ponta Grossa e conseguia sustentar a si mesma. \u201cAtualmente, moro de favor na casa de um tio, junto com meu noivo Alisson, em Carambe\u00ed&#8221;, conta a jovem. O noivo, Alisson (22), faz bico de pedreiro e Tatiane, desempregada, cuida da casa. O tio, Francisco Machado, j\u00e1 passou dos 40 anos e tamb\u00e9m ficou desempregado em 2020. No momento, ele trabalha como jardineiro por conta pr\u00f3pria, e assim como a sobrinha n\u00e3o receber\u00e1 o novo aux\u00edlio emergencial.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">No come\u00e7o da pandemia, Tatiane trabalhava em um mercado, por\u00e9m foi despedida. Depois de perder sua \u00fanica renda, foi morar com Alisson, alugaram um bar na Nova R\u00fassia e come\u00e7aram a trabalhar. \u201cA clientela caiu por conta do Covid-19, por isso n\u00e3o t\u00ednhamos dinheiro pra pagar aluguel e outras contas. Por fim, pediram a casa que mor\u00e1vamos no bairro Gralha Azul, e decidimos vir morar em Carambe\u00ed na casa do meu tio\u201d, conta Tatiane.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 49,4% da popula\u00e7\u00e3o brasileira economicamente ativa terminou o ano de 2020 desempregada. No Paran\u00e1, 9,4% encerrou o ano desocupada, ou seja, pessoas que est\u00e3o desempregadas, mas em busca de um emprego. \u00c9 a maior taxa de desocupa\u00e7\u00e3o no estado desde 2012, ano que o IBGE come\u00e7ou a acompanhar os n\u00fameros.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Ainda, segundo os dados, os principais afetados pela falta de emprego foram os jovens. Tatiane relata que ela e o marido t\u00eam dificuldade de encontrar emprego pela falta de experi\u00eancias pedida em processos seletivos. \u201cChegando aqui meu noivo n\u00e3o conseguia servi\u00e7o por conta das experi\u00eancias dele que s\u00e3o de gar\u00e7om e motorista. Agora, ele est\u00e1 trabalhando como servente de pedreiro e eu estou desempregada. N\u00e3o consigo servi\u00e7o de jeito nenhum porque n\u00e3o tenho experi\u00eancia\u201d finaliza a jovem.<\/span><br \/>\n<b>\u00cdndice de desemprego \u00e9 19% maior entre mulheres<\/b><br \/>\n<a href=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/posts\/mais-de-50-das-mulheres-brasileiras-estao-fora-do-mercado-de-trabalho-formal\/\"><span style=\"font-weight: 400\">As mulheres foram as mais atingidas pela crise econ\u00f4mica e pand\u00eamica<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Dados do IBGE divulgados em janeiro deste ano, indicam que apenas 40% das mulheres, com 14 anos ou mais, est\u00e3o trabalhando. Enquanto que o n\u00famero de homens \u00e9 de 59%. Al\u00e9m disso, do total da popula\u00e7\u00e3o brasileira fora do mercado de trabalho, 64% s\u00e3o mulheres. Let\u00edcia Carla Rodrigues de Almeida (24) tem tr\u00eas crian\u00e7as pequenas e mora com o marido e os tr\u00eas filhos no bairro Itapo\u00e1, em Ponta Grossa. No m\u00eas de mar\u00e7o de 2020, ela trabalhava em um mercado no bairro Santa Paula (o mesmo que Tatiane Maciel), por\u00e9m, Let\u00edcia engravidou e sua gravidez era de risco. \u201cTive que me afastar para me resguardar durante a pandemia de Covid-19\u201d, relata Let\u00edcia Rodrigues.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Em 2021, a jovem voltou a trabalhar, dessa vez em uma feira de verduras, tamb\u00e9m no bairro Santa Paula, tr\u00eas vezes por semana, como aut\u00f4noma, ou seja, sem registro na carteira. Acontece que Let\u00edcia se infectou com o coronav\u00edrus. \u201cCom medo, voltei ao trabalho. Mesmo me cuidando \u00e0s vezes preciso atender no caixa da feira e acabei pegando o Covid-19\u201d lamenta. Isolada dos filhos, a jovem m\u00e3e conta como tem sido a vida desde mar\u00e7o de 2020, sua rotina e expectativas para o futuro. Confira o relato de Let\u00edcia em \u00e1udio:<\/span><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3302-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/sonoraleticia.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/sonoraleticia.mp3\">https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/sonoraleticia.mp3<\/a><\/audio><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Mesmo com o valor atual do aux\u00edlio emergencial, de R$375, Let\u00edcia n\u00e3o poderia suprir os gastos da casa, nem mesmo as despesas do filho mais novo, que incluem pacotes de fralda e latas de leite.\u00a0<\/span><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3305\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/leticia-site-do-elos-300x250.png\" alt=\"\" width=\"570\" height=\"476\" \/><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<b>Aux\u00edlio Emergencial \u00e9 insuficiente para cobrir gastos dom\u00e9sticos\u00a0<\/b><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Marli Terezinha Kozak (49) mora h\u00e1 quase 10 anos no Jardim Los Angeles com o filho Jo\u00e3o Pedro (14). Terezinha tem mais dois filhos, Aline e Oelinton, j\u00e1 adultos, por\u00e9m n\u00e3o recebe pens\u00e3o do pai de seu filho mais novo. Antes do aux\u00edlio emergencial, a m\u00e3e se sustentava com trabalhos de diarista e com o Bolsa Fam\u00edlia. Em 2020, Marli Terezinha recebia R$1.200,00 de aux\u00edlio emergencial e mais a cesta b\u00e1sica oferecida pela Prefeitura de Ponta Grossa, por ter um filho matriculado no sistema Municipal de Ensino. \u201cHoje eu estou desempregada e recebo aux\u00edlio emergencial de R$375,00 por ser m\u00e3e solteira e s\u00f3 cuido da casa. O aux\u00edlio ajuda a comprar o b\u00e1sico, mas n\u00e3o tudo que \u00e9 necess\u00e1rio para uma casa\u201d, conta Marli Terezinha.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">O aux\u00edlio emergencial cobre metade do valor total da cesta b\u00e1sica em Ponta Grossa. O relat\u00f3rio mensal realizado pelo Nerepp-UEPG, indica que em abril a cesta b\u00e1sica custa R$671,84 na cidade. Para uma fam\u00edlia que recebe um sal\u00e1rio m\u00ednimo, ou seja R$1.045,00 mensais, esse valor representa 64% da renda. Para aqueles que sobrevivem com o aux\u00edlio emergencial de R$375, \u00e9 imposs\u00edvel comprar todos os itens que fazem parte da cesta b\u00e1sica. Desde o in\u00edcio da pandemia, em fevereiro de 2020, o valor da cesta em Ponta Grossa teve um aumento de $145. Outros setores da vida dom\u00e9stica tamb\u00e9m aumentaram o valor nos \u00faltimos meses. O pre\u00e7o do g\u00e1s de cozinha j\u00e1 subiu mais de 40% s\u00f3 em 2021. <\/span><a href=\"https:\/\/periodico.sites.uepg.br\/index.php\/infraestrutura\/2119-gas-de-cozinha-fica-5-2-mais-caro-em-ponta-grossa-em-marco\"><span style=\"font-weight: 400\">O valor m\u00e9dio em Ponta Grossa \u00e9 de R$84,08<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. A partir de junho, a conta de luz ter\u00e1 um aumento de 9,67%. J\u00e1 a conta de \u00e1gua aumentou 5,7% em abril deste ano.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEstou morando de favor, desempregada e meu marido n\u00e3o consegue um emprego na \u00e1rea dele\u201d. Este \u00e9 o relato da jovem Tatiane Maciel (23), e a realidade de muitos outros ponta-grossenses que est\u00e3o desempregados, receberam o aux\u00edlio emergencial do Governo Federal em 2020 e perderam o benef\u00edcio em 2021. 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