{"id":3377,"date":"2021-06-09T08:33:47","date_gmt":"2021-06-09T11:33:47","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=3377"},"modified":"2021-06-09T08:33:47","modified_gmt":"2021-06-09T11:33:47","slug":"especial-mulheres-na-politica-mulher-e-politica-os-afrontes-do-patriarcado-e-o-machismo-institucional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/especial-mulheres-na-politica-mulher-e-politica-os-afrontes-do-patriarcado-e-o-machismo-institucional\/","title":{"rendered":"Especial Mulheres na Pol\u00edtica | Mulher e pol\u00edtica: os afrontes do patriarcado e o machismo institucional"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">Neste ano, duas vereadoras sofreram afrontes dentro da C\u00e2mara Municipal de Ponta Grossa ao usarem a tribuna<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Mesmo na segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, o patriarcado e o machismo institucionalizado s\u00e3o barreiras duras que as mulheres enfrentam no campo da pol\u00edtica. Insultos e desrespeitos s\u00e3o discursos destinados \u00e0s mulheres em meio a um sistema social marcado por preconceitos no Brasil.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A historiadora Michele Rotta, professora do <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Col\u00e9gio Estadual Professora Linda Salamuni Bacila em Ponta Grossa, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">considera que o tratamento discriminat\u00f3rio para as mulheres tem origem hist\u00f3rica. &#8220;S\u00e3o as heran\u00e7as hist\u00f3ricas da sociedade forjadas a partir do praticado. O homem e o homem rico decidiam sobre o futuro da sociedade brasileira. Essas marcas n\u00e3o se diluem t\u00e3o r\u00e1pido\u201d, analisa. Ela observa ainda que, em um contexto mais recente, \u00e9 o machismo estrutural que est\u00e1 permeado nas rela\u00e7\u00f5es familiares e no trabalho. \u201cO machismo \u00e9 uma ideia colocada em pr\u00e1tica que n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 nos homens, est\u00e1 nos homens e tamb\u00e9m nas mulheres porque isso est\u00e1 constitu\u00eddo na sociedade&#8221;.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Os desafios para as mulheres eleitas para um cargo p\u00fablico permanecem ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es. Segundo a professora Camilla Tavares, do curso de Jornalismo e do Mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, h\u00e1 um processo de constru\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos que precisa ser enfrentado. &#8220;As mulheres, depois de atravessarem todas essas barreiras e serem eleitas, encontram outras quest\u00f5es que fazem com que a mulher n\u00e3o seja vista como um ser que pertence a essa classe pol\u00edtica. Ela \u00e9 vista atrav\u00e9s de estere\u00f3tipos de pessoa que cuida, de fragilidade, que n\u00e3o pertence de fato a esse lugar&#8221;.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Durante a sess\u00e3o da CPI da Pandemia realizada em 5 de maio, senadores governistas discutiram devido ao fato do presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), permitir que a bancada feminina questionasse o ex-ministro da sa\u00fade Nelson Teich antes dos senadores titulares da comiss\u00e3o. Dentro os 11 membros, nenhuma \u00e9 mulher, o que n\u00e3o impede que as senadoras questionassem os depoentes da CPI.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Por n\u00e3o aceitar que a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) da bancada feminina falasse antes dos demais integrantes, o senador Ciro Nogueira disse: &#8220;N\u00e3o ficou definido em momento nenhum. Ningu\u00e9m respeita mais as mulheres do que o meu partido. Agora, se foi um erro das lideran\u00e7as n\u00e3o indicar as mulheres, a culpa n\u00e3o \u00e9 nossa&#8221;.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Outro caso de diminuir a mulher ocorreu na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo (ALESP). No final de dezembro do ano passado, a deputada estadual Isa Penna (Psol) foi assediada pelo deputado Fernando Cury (expulso do Cidadania) durante uma sess\u00e3o de or\u00e7amento para o estado de S\u00e3o Paulo na ALESP.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A deputada Isa Penna estava de costas para os demais deputados conversando com o presidente da Assembleia. Fernando Cury chegou por tr\u00e1s da deputada apalpando os seios. A rea\u00e7\u00e3o da deputada foi afastar o bra\u00e7o de Fernando. Atualmente o deputado est\u00e1 afastado do seu cargo sem direito a sal\u00e1rio.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">\u00a0A professora de Sociologia Soraya Pink, do <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Col\u00e9gio Estadual Padre Arnaldo Jansen em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">explica que essa situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um ass\u00e9dio moral. &#8220;Esse caso de S\u00e3o Paulo \u00e9 muito mais que um ass\u00e9dio, \u00e9 uma coa\u00e7\u00e3o, um ass\u00e9dio moral. Eu sou homem, eu sou maior. Existe essa id\u00e9ia de que o homem \u00e9 superior. Por causa disso temos a cota de 30% para mulheres para tentar diminuir essa desigualdade pol\u00edtica&#8221;.<\/span><br \/>\n<b>Luta e sororidade<\/b><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">No dia sete de abril, a vereadora Joce Canto (PSC) usou da Tribuna da C\u00e2mara para falar sobre <\/span><span style=\"font-weight: 400\">o valor a ser pago do\u00a0vale-mercado em Ponta Grossa<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> em debate da sess\u00e3o. Na sequ\u00eancia, o vereador Daniel Milla (PSD) usou o adjetivo &#8220;descontrolada&#8221; para se referir \u00e0 fala da parlamentar. Joce Canto descreve a situa\u00e7\u00e3o como desmerecimento e diz que nenhuma mulher pode se calar. &#8220;Vejo isso como uma forma de desmerecimento de uma parlamentar eleita democraticamente. Todos t\u00eam direito a ter voz. N\u00f3s mulheres temos uma luta ainda maior para podermos ser ouvidas, tivemos a luta para votar e ser votadas\u201d. Para ela, quando uma mulher levanta a voz, isso soa como um descontrole e desrespeito. \u201cEstamos aqui para lutar pelo nosso direito de ter voz em qualquer tom. Mulher pode tudo, menos se calar&#8221;, ressalta.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A vereadora Josi do Coletivo do Psol usou de seu discurso para defender a parlamentar. &#8220;Desde o nascimento n\u00f3s somos tolhidas e quando cresce, ela \u00e9 hist\u00e9rica, \u00e9 descontrolada, precisa de rem\u00e9dio controlado. Se a Joce Canto, se eu, se a Mission\u00e1ria Adriana falamos com energia, n\u00e3o podemos ser chamadas de descontroladas, de hist\u00e9ricas. A mulher pode falar com energia sim&#8221;, defende Josi.<\/span><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3378\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-III-300x200.png\" alt=\"\" width=\"571\" height=\"380\" \/><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Em rela\u00e7\u00e3o ao discurso, Daniel Milla (PSD), presidente da C\u00e2mara de Vereadores, disse que iria denunciar a parlamentar na Corregedoria da C\u00e2mara, alegando que o discurso contra o machismo institucionalizado seria voltado a ele.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A professora Camilla Tavares explica que essas situa\u00e7\u00f5es ocorrem devido \u00e0 presen\u00e7a cada vez maior das mulheres em espa\u00e7os p\u00fablicos. &#8220;Estamos tendo uma mudan\u00e7a em um espa\u00e7o majoritariamente masculino, agora tem mulheres ocupando esses espa\u00e7os. Est\u00e3o os homens tem seu espa\u00e7o tensionado por outras pessoas que representam outros grupos&#8221;, explica.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">De acordo com a professora, os embates chamam a aten\u00e7\u00e3o para as dificuldades que se colocam para as mulheres. &#8220;A sociedade \u00e9 machista, a sociedade \u00e9 patriarcal porque n\u00e3o enxerga a mulher como um ser pol\u00edtico num espa\u00e7o p\u00fablico. \u00c9 uma dificuldade que enfrentamos, mas que estamos avan\u00e7ando aos poucos&#8221;, analisa.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A vereadora Mission\u00e1ria Adriana (SD) foi procurada para relatar sua experi\u00eancia como parlamentar na C\u00e2mara Municipal de Ponta Grossa, mas n\u00e3o deu retorno at\u00e9 o fechamento desta reportagem.<\/span><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ano, duas vereadoras sofreram afrontes dentro da C\u00e2mara Municipal de Ponta Grossa ao usarem a tribuna &nbsp; Mesmo na segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, o patriarcado e o machismo institucionalizado s\u00e3o barreiras duras que as mulheres enfrentam no campo da pol\u00edtica. 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