{"id":353,"date":"2018-03-21T20:57:26","date_gmt":"2018-03-21T23:57:26","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=353"},"modified":"2018-03-21T20:57:26","modified_gmt":"2018-03-21T23:57:26","slug":"jornalismo-responsabilidade-e-violencia-contra-a-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/jornalismo-responsabilidade-e-violencia-contra-a-mulher\/","title":{"rendered":"Jornalismo, responsabilidade e viol\u00eancia contra a mulher"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Em termos meramente t\u00e9cnicos, fazer jornalismo \u00e9 levar informa\u00e7\u00f5es relevantes e corretas para a sociedade. Olhando assim, parece simples: basta levantar, checar e transmitir fatos sobre um assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 s\u00f3 pensar na quantidade de pessoas que formam suas opini\u00f5es e vis\u00f5es de mundo a partir do que leem, ouvem ou assistem nos notici\u00e1rios para entender que n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o f\u00e1cil. Fazer jornalismo envolve ter responsabilidade sobre o que se levanta, checa e, principalmente, transmite ao p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Manchetes e reportagens s\u00e3o poderosas. Elas podem refor\u00e7ar preconceitos sobre um tema ou ajudar a desfaz\u00ea-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A viol\u00eancia contra as mulheres, por exemplo, \u00e9 um assunto cercado de pr\u00e9-julgamentos. Quem nunca ouviu algu\u00e9m dizendo \u201cela mereceu\u201d? Ou homens justificando seus atos dizendo que foi um \u201cmomento de loucura\u201d? A cobertura da imprensa sobre esses crimes pode acentuar ou enfraquecer essas narrativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O jornalismo parece ter escolhido a primeira op\u00e7\u00e3o. Segundo levantamento do Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o divulgado em novembro de 2016, a maior parte da cobertura da imprensa sobre casos de feminic\u00eddio minimiza o comportamento do assassino ou d\u00e1 a entender que alguma atitude da v\u00edtima provocou a viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao destacar os discursos que tentam justificar os crimes, o jornalismo contribui para que a sociedade continue vendo a viol\u00eancia contra a mulher de forma superficial e aceit\u00e1vel, quando ela precisa ser vista como uma viola\u00e7\u00e3o a direitos humanos a ser exposta e combatida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o se trata de transformar reportagens em campanhas pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher. Mas \u00e9 preciso relatar os fatos com profundidade e olhar cr\u00edtico, sem cair na tenta\u00e7\u00e3o de apenas reproduzir declara\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es parciais de mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fazer jornalismo respons\u00e1vel \u00e9 uma forma de defender os direitos humanos. Se n\u00e3o por considera\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade, que seja por auto-preserva\u00e7\u00e3o. Afinal, a atividade s\u00f3 existe enquanto um direito humano fundamental &#8212; a liberdade de express\u00e3o &#8212; existir e for respeitado.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\">Marina Iemini Atoji \u00e9 jornalista formada pela ECA-USP. Desde 2011, \u00e9 gerente executiva da Abraji (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo), onde coordena projetos e ministra treinamentos sobre acesso a informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. J\u00e1 trabalhou na ONG Transpar\u00eancia Brasil como editora e pesquisadora no projeto Excel\u00eancias, banco de dados sobre congressistas brasileiros.<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em termos meramente t\u00e9cnicos, fazer jornalismo \u00e9 levar informa\u00e7\u00f5es relevantes e corretas para a sociedade. 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