{"id":372,"date":"2018-04-07T20:29:54","date_gmt":"2018-04-07T23:29:54","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=372"},"modified":"2018-04-07T20:29:54","modified_gmt":"2018-04-07T23:29:54","slug":"jornalistas-mulheres-se-unem-e-denunciam-assedios-e-violacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/jornalistas-mulheres-se-unem-e-denunciam-assedios-e-violacoes\/","title":{"rendered":"Jornalistas mulheres se unem e denunciam ass\u00e9dios e viola\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">No \u00faltimo domingo (1\u00ba de abril) a Assessora de Comunica\u00e7\u00e3o do Oper\u00e1rio Ferrovi\u00e1rio Sport Clube, Bianca Ivone Machado, de Ponta Grossa, Paran\u00e1, foi assediada verbalmente em Irati, tamb\u00e9m no Paran\u00e1, no est\u00e1dio Em\u00edlio Gomes, enquanto exercia seu trabalho. O caso aconteceu no fim da partida ap\u00f3s o time do Oper\u00e1rio ganhar do Iraty. Cerca de 20 torcedores do Iraty Sport Club, entre homens e mulheres, atacaram Bianca verbalmente in\u00fameras vezes. A tentativa de um fot\u00f3grafo que estava presente de defender Bianca fez com que a torcida hostilizasse a jornalista mais ainda.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00a0Na ter\u00e7a-feira (dia 3 de abril) Bianca foi at\u00e9 a delegacia e realizou um Boletim de Ocorr\u00eancia. A assessora filmou com seu celular o que estava acontecendo, mesmo assim a torcida n\u00e3o se intimidou e continuou hostilizando e ofendendo a mesma. Em nota, em uma de suas redes sociais, Bianca afirmou : \u201cDurante os jogos, costumo ficar de fones de ouvido escutando alguma r\u00e1dio que esteja transmitindo o jogo. Desde que comecei a trabalhar com isso, os fones tamb\u00e9m t\u00eam sido uma alternativa para n\u00e3o ouvir as ofensas quando passo em frente \u00e0 torcida advers\u00e1ria\u201d, mostrando a gravidade da situa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e1 algo novo.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Duas semanas antes, a rep\u00f3rter Renata Medeiros, da R\u00e1dio Ga\u00facha, foi insultada e agredida fisicamente por um torcedor enquanto cobria o jogo do Gr\u00eamio contra o Internacional. O torcedor disse \u201cSai daqui, sua puta\u201d para a jornalista.\u00a0 Na mesma semana, em cobertura ao vivo da partida do Vasco contra Universidad do Chile, pela libertadores, Bruna Dealtry, rep\u00f3rter do canal Esporte Interativo, durante uma entrevista com os torcedores foi beijada, \u00e0 for\u00e7a por um torcedor.\u00a0 Bruna ficou constrangida, disse que a atitude \u201cn\u00e3o foi legal\u201d, e continuou a transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">A jornalista Aline Leonardo, de Francisco Beltr\u00e3o no Paran\u00e1, trabalha com esporte na cidade e \u00e9 a \u00fanica mulher no meio de 17 colegas de profiss\u00e3o. Aline considera deprimente a falta de respeito com as mulheres que est\u00e3o apenas realizando seu trabalho.\u00a0 \u201cAconteceu comigo principalmente no in\u00edcio (estou entrando na terceira temporada), de ouvintes mandarem recados falando coisas que n\u00e3o tinham nada a ver com o meu trabalho. Eram elogios, mas desnecess\u00e1rios naquele momento, fugia de todo o contexto, ent\u00e3o eu ficava extremamente constrangida e nervosa. No gin\u00e1sio, pediam pra tirar fotos, ficavam mandando beijo. Ano passado, em um jogo da LNF (Liga Nacional de Futsal), eu estava indo para a cabine e um homem me pegou pelo bra\u00e7o para dizer que ouviria a nossa transmiss\u00e3o. \u00c9 desafiador enfrentar tudo isso, \u00e9 o principal motivo que me faz relutar em ser rep\u00f3rter de quadra\u201d, concluiu Aline.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Marcilei Rossi, jornalista que atualmente trabalha em Pato Branco, Paran\u00e1, quando questionada sobre a dificuldade que uma mulher encontra nas reda\u00e7\u00f5es de jornais afirma: \u201cN\u00e3o costumo \u201cdeixar barato\u201d, pois acredito que o potencial e a qualidade de trabalho de um profissional n\u00e3o se medem por ser homem ou mulher\u201d.\u00a0 Marcilei tamb\u00e9m conta que, em mais de nove anos se dedicando exclusivamente ao jornalismo, j\u00e1 se deparou com diversas situa\u00e7\u00f5es indesejadas, incluindo na \u00e1rea pol\u00edtica e esportiva. Nos est\u00e1dios ela j\u00e1 escutou que n\u00e3o deveria estar l\u00e1, por ser mulher, e rebateu \u201cN\u00e3o \u00e9 porque sou mulher que n\u00e3o entendo de esportes\u201d.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Beatriz Lima de Castro, jornalista em Curitiba, acredita que o preconceito e a falta de respeito com mulheres que est\u00e3o trabalhando v\u00eam de uma falta de conscientiza\u00e7\u00e3o, principalmente com mulheres que trabalham no meio esportivo, que \u00e9 considerado \u201clugar de homem, n\u00e3o de mulher\u201d. Ela diz que os casos de desrespeito acontecem nos grandes est\u00e1dios, mas principalmente nos jogos da suburbana, onde se tem pouca seguran\u00e7a e controle sobre as torcidas, dando espa\u00e7o para que o preconceito e o ass\u00e9dio se fa\u00e7am presentes. \u201cMuitos torcedores, pelo o que eu percebo, eles partem do pressuposto que a gente est\u00e1 no est\u00e1dio, \u00e0 gente n\u00e3o est\u00e1 onde deveria estar, que aquele n\u00e3o \u00e9 um lugar apropriado para uma mulher. Ent\u00e3o, para eles, n\u00f3s temos que aceitar e arcar com as consequ\u00eancias do que vamos escutar, dos gestos que n\u00f3s vemos\u201d.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em meio a tantos casos graves de ass\u00e9dio foi criada a hashtag \u201c#DeixaElaTrabalhar\u201d por um grupo de 52 jornalistas que trabalham com esporte, entre elas, apresentadoras, rep\u00f3rteres e assessoras de v\u00e1rios ve\u00edculos e emissoras. Segundo as jornalistas, que se colocam como representantes de todas as mulheres que atuam na m\u00eddia esportiva, o objetivo da manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 lutar conta o ass\u00e9dio sexual e moral sofrido por todas nos est\u00e1dios, nas reda\u00e7\u00f5es e nas ruas. O grupo exige puni\u00e7\u00e3o contra assediadores, al\u00e9m de mais respeito ao seu trabalho e at\u00e9 melhorias estruturais, pois h\u00e1 est\u00e1dios no Brasil em que n\u00e3o h\u00e1 banheiros femininos, mostrando o ambiente machista em que as jornalistas se submetem. A repercuss\u00e3o da hashtag foi mundial, jornais como BBC e The Guardian, da Inglaterra, L\u2019Equipe, da Fran\u00e7a, e Deutsche Welle, da Alemanha, publicaram sobre a iniciativa<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Aline Leonardo afirma que se sente representada pela hashtag: \u201cNossas realidades s\u00e3o t\u00e3o diferentes, mas os problemas s\u00e3o os mesmos. Isso s\u00f3 refor\u00e7a que precisamos seguir e precisamos estar juntas, mesmo que seja atrav\u00e9s desses movimentos, pra saber que n\u00e3o estamos sozinhas na briga\u201d afirma Aline.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201c<i>\u00a0<\/i><i>Nosso pedido \u00e9 simples. \u00c9 de uma forma que n\u00e3o agride a ningu\u00e9m e batemos na mesma tecla de gigantes empresas de comunica\u00e7\u00e3o do Brasil: #DeixaElaTrabalhar.\u201d<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right\">Por Milena Oliveira<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo domingo (1\u00ba de abril) a Assessora de Comunica\u00e7\u00e3o do Oper\u00e1rio Ferrovi\u00e1rio Sport Clube, Bianca Ivone Machado, de Ponta Grossa, Paran\u00e1, foi assediada verbalmente em Irati, tamb\u00e9m no Paran\u00e1, no est\u00e1dio Em\u00edlio Gomes, enquanto exercia seu trabalho. 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