{"id":4016,"date":"2021-09-23T14:01:09","date_gmt":"2021-09-23T17:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=4016"},"modified":"2021-09-23T14:01:09","modified_gmt":"2021-09-23T17:01:09","slug":"o-dia-da-visibilidade-de-uma-sexualidade-apagada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/o-dia-da-visibilidade-de-uma-sexualidade-apagada\/","title":{"rendered":"O dia da visibilidade de uma sexualidade apagada"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n<p>O dia 23 de setembro \u00e9 marcado como o Dia da Visibilidade Bissexual. A data foi escolhida por um grupo de ativistas norte-americanos em 1999, com o intuito de celebrar a comunidade. O dia homenageia o anivers\u00e1rio da morte do psicanalista Sigmund Freud, o primeiro a tratar da quest\u00e3o da bissexualidade.<\/p>\n\n\n<p>Ao tratarmos de sexualidade e identidade devemos considerar as constru\u00e7\u00f5es sociais, culturais e pol\u00edticas da mesma. Danieli Klidzio, licenciada e mestranda em Ci\u00eancias Sociais na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e administradora (juntamente com a pesquisadora Helena Monaco) do perfil @bi_blioteca no Instagram, afirma que compreende a bissexualidade como possibilidade de atra\u00e7\u00e3o sexual e\/ou afetiva sem distin\u00e7\u00e3o de g\u00eanero ou por todos eles. Daniela comenta a respeito da import\u00e2ncia de entender que n\u00e3o se trata apenas da atra\u00e7\u00e3o por homens e mulheres, pois essa seria uma defini\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria e distorcida que nunca foi a colocada pelo movimento social bissexual.&nbsp; \u201cA bissexualidade \u00e9 tamb\u00e9m uma identidade social na medida em que \u00e9 reivindicada por sujeitos sociais como forma de se construir comunidades e pol\u00edticas pr\u00f3prias. \u201d, diz ela.<\/p>\n\n\n<p>A bifobia \u00e9 um termo utilizado para atitudes ou sentimentos preconceituosos e discriminat\u00f3rios contra a bissexualidade. A partir disso, Danieli salienta que a bifobia come\u00e7a pela invisibiliza\u00e7\u00e3o e apagamento, seja sobre as lutas hist\u00f3ricas de bissexuais junto ao movimento LGBTQIAP+ e das pautas pol\u00edticas da bissexualidade ou sobre a subjetividade de pessoas bissexuais. \u201cO apagamento al\u00e9m de ser o ponto onde a bifobia come\u00e7a, \u00e9 tamb\u00e9m onde ela termina. Isso se d\u00e1 porque existe um ciclo vicioso: com o apagamento da bissexualidade, \u00e9 refor\u00e7ada a percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existem bissexuais e a bifobia acaba sendo naturalizada e percebida como nada al\u00e9m de uma fal\u00e1cia. \u201d, enfatiza. Ela acrescenta sobre a percep\u00e7\u00e3o comum de pessoas com um olhar de desconfian\u00e7a com bissexuais, entendendo-os como indecisos. O fato conclui que o preconceito ocorre porque a bissexualidade n\u00e3o est\u00e1 dentro do par\u00e2metro de desejo que foi constru\u00eddo como ideal, a atra\u00e7\u00e3o apenas por um g\u00eanero espec\u00edfico\/definido. Fazendo com que bissexuais sejam lidos socialmente como pessoas em fase de experimenta\u00e7\u00e3o ou que necessitem de amadurecimento da sua sexualidade.<\/p>\n\n\n<p>Para Danieli Klidzio, existe uma grande vari\u00e1vel para pensarmos o que pode afetar a sa\u00fade mental de bissexuais. Mas, um dos fatores principais \u00e9 o isolamento, a falta de amparo e a compreens\u00e3o a respeito do mais primordial que \u00e9 a exist\u00eancia da bissexualidade. Duvidando-se da exist\u00eancia dela. \u201c\u00c9 extremamente adoecedor que pessoas bissexuais sejam questionadas constantemente e tenham sua sexualidade policiada por conta de estere\u00f3tipos, de viol\u00eancias e de micro viol\u00eancias que v\u00eam, inclusive, de dentro de ambientes considerados de acolhimento para pessoas LGBTQIAP+ \u201d, exp\u00f5e. Danieli demonstra o quanto a sa\u00fade mental de pessoas bissexuais pode ser afetada por quest\u00f5es relacionadas ao apagamento dentro da pr\u00f3pria comunidade. \u201cD\u00f3i muito mais quando voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 reconhecida e precisa impor-se para dizer \u201ceu existo, sim! \u201d Em ambientes que se colocam como acolhedores e da comunidade. \u201d, acentua.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/WhatsApp-Image-2021-09-23-at-13.11.09-1-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4020\" width=\"355\" height=\"355\" \/><\/figure><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p>Segundo ela, a preocupa\u00e7\u00e3o com o adoecimento psicossocial e o reconhecimento de pessoas bissexuais n\u00e3o pode ser resumido quando bissexuais est\u00e3o em um relacionamento com algu\u00e9m do mesmo g\u00eanero. Porque bissexuais n\u00e3o existem como uma parte heterossexual e uma parte homossexual. A bissexualidade \u00e9 em si uma identidade espec\u00edfica com demandas espec\u00edficas. Por isso a bifobia precisa ser primeiramente reconhecida, para que tenhamos pol\u00edticas p\u00fablicas que se preocupem com as demandas da bissexualidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 23 de setembro \u00e9 marcado como o Dia da Visibilidade Bissexual. A data foi escolhida por um grupo de ativistas norte-americanos em 1999, com o intuito de celebrar a comunidade. O dia homenageia o anivers\u00e1rio da morte do psicanalista Sigmund Freud, o primeiro a tratar da quest\u00e3o da bissexualidade. 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