{"id":4116,"date":"2021-10-21T09:01:25","date_gmt":"2021-10-21T12:01:25","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=4116"},"modified":"2021-10-21T09:01:25","modified_gmt":"2021-10-21T12:01:25","slug":"pobreza-menstrual-uma-realidade-que-precisa-ser-discutida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/pobreza-menstrual-uma-realidade-que-precisa-ser-discutida\/","title":{"rendered":"Pobreza menstrual: uma realidade que precisa ser discutida"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:18px\"><em>\u201cA pobreza menstrual, al\u00e9m de ser uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica, \u00e9 tamb\u00e9m a pobreza de informa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a volunt\u00e1ria do Casulo Casa Colaborativa<\/em><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Discutir menstrua\u00e7\u00e3o continua sendo um tabu na sociedade. Sendo algo passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, o ato de menstruar se torna uma vergonha e a pessoa, uma p\u00e1ria. Quem nunca precisou pedir um absorvente emprestado e toda a troca ocorreu como se fosse um contrabando? Ou ao inv\u00e9s de avisar que estava menstruando utilizou-se de eufemismos como \u201cestou de chico\u201d? S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es como essas que impedem uma maior abertura sobre o assunto e, consequentemente, auxiliam na perpetua\u00e7\u00e3o da falta de acesso a produtos relacionados \u00e0 menstrua\u00e7\u00e3o pela popula\u00e7\u00e3o economicamente vulner\u00e1vel, situa\u00e7\u00e3o que \u00e9&nbsp; conhecida como pobreza menstrual.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">O absorvente, considerado um item b\u00e1sico de higiene \u00edntima e presente em todos os banheiros de eventos, n\u00e3o \u00e9 visto assim por toda a popula\u00e7\u00e3o. Tributado como um produto cosm\u00e9tico e n\u00e3o de higiene, o elemento n\u00e3o \u00e9 disponibilizado pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), o que impede pessoas de baixa renda de ter acesso a eles. Segundo o Impost\u00f4metro, sustentado pela Associa\u00e7\u00e3o Comercial de S\u00e3o Paulo, o absorvente possui uma tributa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 34,48%, o que pode ser comparado com produtos sup\u00e9rfluos como pipoca de micro-ondas, com 34,99%. \u201cA pobreza menstrual, al\u00e9m de ser uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica \u00e9, tamb\u00e9m, a pobreza de informa\u00e7\u00e3o e de&nbsp; conversas sobre o assunto menstrua\u00e7\u00e3o\u201d, aponta Juliane Carrico, organizadora da campanha de arrecada\u00e7\u00e3o de itens de higiene pessoal no Casulo Casa Colaborativa, em Ponta Grossa.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Ao longo da vida, s\u00e3o necess\u00e1rias mais de 8.880 unidades de absorventes por pessoas menstruantes. Segundo o movimento Livre Para Menstruar, parte dos clubes Girl Up para acabar com a pobreza menstrual no Brasil, mulheres que se encontram na faixa et\u00e1ria dos 5% mais pobres &#8211; com renda anual de R$ 1.920,00 reais -, precisam trabalhar at\u00e9 4 anos apenas para arcar com os absorventes utilizados. S\u00e3o nessas situa\u00e7\u00f5es que pessoas nessas situa\u00e7\u00f5es arriscam a sa\u00fade genital ao improvisar absorventes com tecidos, pap\u00e9is, sacolas e, em alguns casos, miolo de p\u00e3o.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><strong>A pobreza menstrual no Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Uma em quatro jovens j\u00e1 faltaram \u00e0 escola por n\u00e3o poderem comprar artigos de higiene pessoal, exp\u00f5e a pesquisa realizada pela marca de absorventes Always. Isso, de acordo com o levantamento realizado pela Unicef e o Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA), representa mais de quatro milh\u00f5es de meninas sem acesso a itens m\u00ednimos de cuidados menstruais nas escolas, variando de produtos como absorventes at\u00e9 banheiros com sabonetes. Al\u00e9m disso, mostra que 900 mil mulheres n\u00e3o t\u00eam acesso a \u00e1gua canalizada em seus domic\u00edlios.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">A Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o-Governamental (ONG), Rosas de Luxemburgo, que oferece apoio profissional para mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade em Ponta Grossa, tamb\u00e9m contribui na arrecada\u00e7\u00e3o de itens juntamente com o Casulo. Considerando que ainda faltam di\u00e1logos entre o poder p\u00fablico e a popula\u00e7\u00e3o, o projeto funciona como uma ponte para levar os itens \u00e0s mulheres em necessidade, sendo as primeiras contempladas aquelas que cumprem pena em regime de monitora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, uso da tornozeleira e, tamb\u00e9m, egressas do sistema penitenci\u00e1ria. \u201cAcreditamos que a quebra do tabu que envolve a pobreza menstrual j\u00e1 \u00e9 um come\u00e7o muito significativo. Come\u00e7ar ocupar espa\u00e7os levando esse debate j\u00e1 \u00e9 o primeiro passo para dar visibilidade ao tema\u201d, afirmam.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Maria Vit\u00f3ria*, de 18 anos, \u00e9 moradora de Ponta Grossa e conta com o aux\u00edlio de projetos sociais para poder menstruar com liberdade. Dividindo a casa com outras tr\u00eas mulheres, sua m\u00e3e, uma tia e uma irm\u00e3, Maria relata que j\u00e1 precisou utilizar papel higi\u00eanico para poder ir \u00e0 escola, uma vez que ocorria um revezamento entre as quatro para decidir quem ficaria com o pacote. \u201cEra um sentimento muito estranho ir na casa das minhas amigas e elas terem v\u00e1rios pacotes de absorventes no banheiro. Eu nem sabia que existiam tipos diferentes de absorventes\u201d, expressa. Al\u00e9m disso, ela aponta que a falta de di\u00e1logo sobre isso na escola fazia com que ela sentisse vergonha em pedir ajuda da coordena\u00e7\u00e3o, visto que o assunto menstrua\u00e7\u00e3o era praticamente proibido.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Ainda, a jovem explica como a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas sobre o assunto prejudicou a sua aceita\u00e7\u00e3o com o fato de menstruar. \u201cNunca entendi o porqu\u00ea n\u00e3o existia a distribui\u00e7\u00e3o de absorventes nos postos, mas de camisinha sim. A menstrua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma escolha, sexo \u00e9\u201d, explica Maria Vit\u00f3ria. Sobre isso, adiciona que esse segredo ao redor da menstrua\u00e7\u00e3o fez com que ela considerasse algo biol\u00f3gico errado e que n\u00e3o deveria ser comentado fora do ciclo pessoal. Para a volunt\u00e1ria Juliane Carrico, grande parte desse sentimento vem da formula\u00e7\u00e3o da sociedade. \u201cExiste muito machismo e patriarcado estruturado onde vivemos. Em algumas culturas, a pessoa no momento da menstrua\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode praticar algumas atividades, porque \u00e9 algo \u2018sujo\u2019\u201d, relata.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas e arrecada\u00e7\u00f5es de itens de higiene<\/strong><\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">A prefeitura de Ponta Grossa, atrav\u00e9s da Secretaria Municipal de Pol\u00edticas P\u00fablicas Sociais, vai come\u00e7ar um plano de a\u00e7\u00e3o de combate \u00e0 pobreza menstrual. Reunindo-se com lideran\u00e7as que j\u00e1 realizam esse tipo de a\u00e7\u00e3o, passaram a atender a demanda da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda e extrema pobreza, por interm\u00e9dio dos Centros de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social (CRAS). Al\u00e9m de iniciar acordos com o Departamento da Mulher do Governo do Estado, para promover a campanha que prev\u00ea a isen\u00e7\u00e3o de impostos dos produtos de higiene pessoal e o reconhecimento do item como uso b\u00e1sico da sa\u00fade feminina.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">O projeto Rosas de Luxemburgo, juntamente com o Casulo Casa Colaborativa lan\u00e7aram uma campanha de arrecada\u00e7\u00e3o de absorventes no m\u00eas de maio. No primeiro m\u00eas, arrecadaram 3.500 absorventes &#8211; o que corresponde a 80 mulheres atendidas. Com isso, a campanha permanece ativa, visto que \u201c parte do entendimento que a demanda de pobreza menstrual \u00e9 uma demanda constante na vida das mulheres\u201d, exemplifica Rosas. As doa\u00e7\u00f5es podem ser feitas atrav\u00e9s das redes sociais, pela Casulo, pelo Rosas de Luxemburgo, e mais 4 pontos de coleta que toparam participar da campanha, o Terreiro Caboclos da Lei, o Studio Split, Galeria Prette, Studio \u00c9lev\u00e9e e o Vittace Jardim Carvalho.<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA pobreza menstrual, al\u00e9m de ser uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica, \u00e9 tamb\u00e9m a pobreza de informa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a volunt\u00e1ria do Casulo Casa Colaborativa Discutir menstrua\u00e7\u00e3o continua sendo um tabu na sociedade. Sendo algo passado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, o ato de menstruar se torna uma vergonha e a pessoa, uma p\u00e1ria. 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