{"id":4451,"date":"2021-12-06T08:52:41","date_gmt":"2021-12-06T11:52:41","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=4451"},"modified":"2021-12-06T08:52:41","modified_gmt":"2021-12-06T11:52:41","slug":"a-doenca-e-o-preconceito-e-nao-o-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/a-doenca-e-o-preconceito-e-nao-o-hiv\/","title":{"rendered":"A doen\u00e7a \u00e9 o preconceito e n\u00e3o o HIV"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:17px\"><\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:17px\">Ap\u00f3s 40 anos dos primeiros casos da&nbsp;<strong>S\u00edndrome da Imunodefici\u00eancia Adquirida<\/strong>&nbsp;(em ingl\u00eas&nbsp;<em>acquired immunodeficiency syndrome &#8211; Aids<\/em>) nos Estados Unidos, muitas coisas mudaram. O que era tido como senten\u00e7a de morte, hoje h\u00e1 rem\u00e9dios de tratamento cont\u00ednuo que permitem uma vida e sa\u00fade normais.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:17px\">N\u00e3o muito distante da Covid-19, o in\u00edcio da epidemia da Aids na d\u00e9cada de 1980 tamb\u00e9m causou medo na popula\u00e7\u00e3o e alvoro\u00e7ou a comunidade m\u00e9dica. Demorou a se descobrir um exame m\u00e9dico que identificasse o diagn\u00f3stico. As formas de transmiss\u00e3o ainda n\u00e3o eram claras e a exclus\u00e3o e preconceitos reca\u00edram sobre cinco grupos de pessoas.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:17px\">Os chamados 5H &#8211; homossexuais, hemof\u00edlicos, haitianos, heroin\u00f4manos (usu\u00e1rios de hero\u00edna injet\u00e1vel) e hookers (profissionais do sexo em ingl\u00eas) &#8211; foram os mais acusados pela dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus at\u00e9 se descobrir que heterossexuais, sejam crian\u00e7as ou adultos, passaram a se contaminar. Mas a discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o acabou; n\u00e3o s\u00f3 a Aids levava \u00e0 morte, o preconceito tamb\u00e9m. Eram assassinados aqueles que remetiam aos 5H, n\u00e3o por medo, mas por \u00f3dio.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:17px\">Discrimina\u00e7\u00e3o e mortes, esse \u00e9 o saldo dos estigmas que ainda est\u00e3o presentes em nossa sociedade. Pouco se testa a popula\u00e7\u00e3o devido \u00e0 vergonha perante o assunto, pouco se fala sobre o&nbsp;<strong>V\u00edrus da Imunodefici\u00eancia Humana<\/strong>&nbsp;(em ingl\u00eas&nbsp;<em>Human Immunodeficiency Virus<\/em>&nbsp;&#8211; HIV)&nbsp;devido \u00e0 necessidade de discutir sobre sexo seguro e pouco se fala sobre como as pessoas com diagnostico positivo para o v\u00edrus vivem atualmente.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:17px\">Acontece que muitos se calam quando descobrem o diagn\u00f3stico por vergonha de serem julgados, pelo medo inicial da escassez de informa\u00e7\u00f5es. A primeira coisa que ainda se pensa \u00e9 &#8220;agora vou morrer&#8221; ou at\u00e9 mesmo &#8220;carrego veneno nas veias&#8221;, pensamentos que est\u00e3o impregnados pela falta de conversa\u00e7\u00e3o sobre o HIV.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:17px\">Os soropositivos vivem normalmente, t\u00eam direitos de trabalhar como qualquer outra pessoa, ter relacionamentos afetivos, sair para se divertir e construir uma fam\u00edlia. Isso \u00e9 o que deveria ser dito \u00e0 sociedade. Ningu\u00e9m deve ser julgado pela sua comorbidade, todos devem ter seus direitos reconhecidos, inclusive o direito de uma vida sem preconceito.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:17px\">O Brasil, mesmo com o desmonte do Departamento de Doen\u00e7as de Condi\u00e7\u00f5es Cr\u00f4nicas e Infec\u00e7\u00f5es Sexualmente Transmiss\u00edveis, ainda \u00e9 um exemplo mundial de assist\u00eancia para pessoas que vivem com HIV e Aids. H\u00e1 medi\u00e7\u00f5es e exames dispon\u00edveis no SUS. Do antigo AZT &#8211; coquetel de rem\u00e9dios que muitas vezes causava hepatite medicamentosa &#8211; ao mais novo rem\u00e9dio de tratamento de um comprimido di\u00e1rio, o Dovato composto pelo Dolutegravir e Lamivudina. H\u00e1 outra forma ainda mais promissora para o tratamento, o Cobenuva \u00e9 o medicamento injet\u00e1vel com aplica\u00e7\u00e3o mensal sem necessidade dos comprimidos. Importante mencionar que, seguindo corretamente o tratamento, o soropositivo fica indetect\u00e1vel e intransmiss\u00edvel.<\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:17px\">Os testes &#8211; ainda neste ano &#8211; de vacinas contra HIV n\u00e3o funcionaram. Continuamos sem cura para o HIV. J\u00e1 se passaram 40 anos dos primeiros casos, a ci\u00eancia evoluiu, os tratamentos evolu\u00edram, mas os estigmas presentes na sociedade ainda permanecem. O HIV n\u00e3o mata mais, o preconceito sim, seja em desestimular os soropositivos em continuar com seus tratamentos, seja pela vergonha em realizar os testes dispon\u00edveis no sistema de sa\u00fade p\u00fablico, ou em impedir que as pessoas sejam felizes.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default\" style=\"margin-bottom:-3px\"><p><em><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">A normaliza\u00e7\u00e3o do debate sobre HIV n\u00e3o mostra gourmetiza\u00e7\u00e3o do tema, mas sim a distribui\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. No m\u00eas vermelho de combate ao HIV, \u00e0 Aids e ao preconceito, esse assunto n\u00e3o pode passar batido e nem ser calado.<\/span><\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:17px\">Coluna de Leonardo Duarte \u00e9 graduando em jornalismo pela UEPG, \u00e9 o G do LGBTQIA+ e portador do HIV.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s 40 anos dos primeiros casos da&nbsp;S\u00edndrome da Imunodefici\u00eancia Adquirida&nbsp;(em ingl\u00eas&nbsp;acquired immunodeficiency syndrome &#8211; Aids) nos Estados Unidos, muitas coisas mudaram. O que era tido como senten\u00e7a de morte, hoje h\u00e1 rem\u00e9dios de tratamento cont\u00ednuo que permitem uma vida e sa\u00fade normais. 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