{"id":4488,"date":"2022-02-10T17:11:06","date_gmt":"2022-02-10T20:11:06","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=4488"},"modified":"2022-02-10T17:11:06","modified_gmt":"2022-02-10T20:11:06","slug":"manifesto-solidario-as-familias-desalojadas-de-ocupacao-cobra-politica-habitacional-da-prefeitura-de-pg-e-esclarecimentos-sobre-operacao-policial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/manifesto-solidario-as-familias-desalojadas-de-ocupacao-cobra-politica-habitacional-da-prefeitura-de-pg-e-esclarecimentos-sobre-operacao-policial\/","title":{"rendered":"Manifesto solid\u00e1rio \u00e0s fam\u00edlias desalojadas de ocupa\u00e7\u00e3o cobra pol\u00edtica habitacional da Prefeitura de PG e esclarecimentos sobre opera\u00e7\u00e3o policial"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n<p>Quem determinou uma opera\u00e7\u00e3o policial, sem processo e autoriza\u00e7\u00e3o judicial, com<br \/>cerca de 200 soldados, em poucas horas, para desocupar \u00e1rea tomada por fam\u00edlias de<br \/>sem casa? Foi exatamente isso que aconteceu no primeiro fim de semana de<br \/>Fevereiro na cidade de Ponta Grossa (PR). Em reconhecimento ao direito<br \/>constitucional \u00e0 moradia e em rep\u00fadio ao descumprimento da decis\u00e3o do Supremo<br \/>Tribunal Federal, que suspende os despejos e remo\u00e7\u00f5es durante a pandemia,<br \/>manifestamos nosso apoio \u00e0s fam\u00edlias desalojadas por uma a\u00e7\u00e3o policial e exigimos<br \/>resposta do poder p\u00fablico a respeito do caso.<br \/>No fim da tarde do dia 4 de Fevereiro de 2022, cerca de 60 fam\u00edlias sem casa<br \/>ocuparam uma \u00e1rea da Companhia de Habita\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1 (Cohapar), da Prolar e de<br \/>propriedade particular, no Parque dos Sabi\u00e1s, bairro Car\u00e1-Car\u00e1, em Ponta Grossa,<br \/>parte do referido terreno, at\u00e9 2021, pertencia \u00e0 Prolar (Prefeitura de PG), de acordo<br \/>com apura\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00f5es veiculadas na m\u00eddia local. A ocupa\u00e7\u00e3o foi coordenada<br \/>pela Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL).<br \/>Poucas horas depois, \u00e0s 4 horas da madrugada do s\u00e1bado (5\/02), quando as fam\u00edlias<br \/>dormiam sob lonas, aproximadamente 200 policiais cercaram a \u00e1rea, desmontaram as<br \/>barracas e retiraram as fam\u00edlias do local. Os ocupantes sequer conseguiram registrar a<br \/>a\u00e7\u00e3o policial pois, segundo relatos, tiveram celulares apreendidos pela pol\u00edcia. O<br \/>coordenador da FNL em Ponta Grossa, advogado Leandro Dias, que inclusive teve o<br \/>aparelho celular apreendido durante a opera\u00e7\u00e3o (e sem condi\u00e7\u00f5es de acionar a OAB),<br \/>foi detido e, no batalh\u00e3o da PM, assinou termo circunstanciado, sendo liberado na<br \/>manh\u00e3 de s\u00e1bado. De acordo com informa\u00e7\u00f5es divulgadas na m\u00eddia local, a pol\u00edcia foi<br \/>acionada por representantes da administra\u00e7\u00e3o municipal de Ponta Grossa e do<br \/>governo do Estado. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 processo p\u00fablico sobre tais autoriza\u00e7\u00f5es.<br \/>Em primeiro lugar, \u00e9 preciso cobrar provid\u00eancias diante do crescente problema de falta<br \/>de moradia no Estado e em Ponta Grossa, onde a situa\u00e7\u00e3o se agravou durante a<br \/>pandemia. A pr\u00f3pria Cohapar, em Fevereiro de 2021, reconhece um d\u00e9ficit<br \/>habitacional de 23 mil unidades s\u00f3 em Ponta Grossa. Esse n\u00famero coloca a Cidade<br \/>em quarto lugar no Estado entre os munic\u00edpios com maior d\u00e9ficit de moradias no<br \/>Paran\u00e1 (atr\u00e1s apenas de Curitiba, Londrina e Paranagu\u00e1). A estimativa estadual \u00e9 de<br \/>que faltam cerca de 512 mil unidades para fam\u00edlias paranaenses e a car\u00eancia de<br \/>moradias em PG representa 12,82% do d\u00e9ficit total do Estado.<br \/>Os registros documentais confirmam que, em Ponta Grossa, n\u00e3o existe projeto de<br \/>habita\u00e7\u00e3o popular pela administra\u00e7\u00e3o local, h\u00e1 cerca de 10 anos. Como se v\u00ea, o<br \/>problema n\u00e3o \u00e9 de agora, mas se agravou com a pandemia, que piorou as condi\u00e7\u00f5es<br \/>de vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o pobre. N\u00e3o custa lembrar que o grupo pol\u00edtico que<br \/>administra a Cidade repete a promessa de um condom\u00ednio para idosos em Ponta<br \/>Grossa em disputas eleitorais desde 2016 (tamb\u00e9m em 2020) e, at\u00e9 o momento, n\u00e3o<br \/>teve nenhuma iniciativa concreta que amenize o problema habitacional tamb\u00e9m aos<br \/>idosos na Cidade.<br \/>\u00c9, igualmente, inaceit\u00e1vel que os respons\u00e1veis pela gest\u00e3o p\u00fablica na Cidade e no<br \/>Estado tratem o problema socioecon\u00f4mico da falta de moradia como um caso de<br \/>pol\u00edcia e que precisa ser resolvido sem aval judicial, em opera\u00e7\u00f5es noturnas, \u00e0s 4h da<br \/>madrugada, quando as pessoas que sequer t\u00eam um teto para morar precisam sair em<br \/>busca de outro espa\u00e7o para abrigo.<br \/>O acesso \u00e0 moradia \u00e9 um direito humano fundamental, com previs\u00e3o constitucional,<br \/>artigo 6\u00ba, em que se exige a a\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico para dar efetividade a esse direito.<br \/>Na omiss\u00e3o do poder p\u00fablico, os movimentos sociais agem. Se a Prefeitura e o<br \/>Governo PR n\u00e3o resolvem o problema da moradia, o que justifica<br \/>criminalizar fam\u00edlias que lutam pelo reconhecimento desse direito?<br \/>Num dos momentos mais delicados da hist\u00f3ria da humanidade em que os mais<br \/>vulner\u00e1veis se viram literalmente na sarjeta, na rua e no desespero, a resposta do<br \/>poder p\u00fablico municipal seria resolver o drama das fam\u00edlias, de refugiados<br \/>venezuelanos, de crian\u00e7as, por meio de uma a\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia? Os problemas sociais<br \/>ser\u00e3o pautados pelo Estado policialesco? E a cidadania, a solidariedade, a dignidade<br \/>humana em que escala estariam nesta \u00f3tica administrativa?<br \/>Por tudo isso, denunciamos as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de moradia na Cidade, que<br \/>deixam milhares de pessoas morando de favor, em fundos de vale expostos aos<br \/>esgotos nos arroios, em \u00e1reas distantes da regi\u00e3o central e sem acesso aos servi\u00e7os<br \/>b\u00e1sicos, que imp\u00f5em reais condi\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o social a quem n\u00e3o pode custear um<br \/>plano de casa pr\u00f3pria. Vale lembrar que Ponta Grossa possui a maior \u00e1rea urbana<br \/>entre as grandes e m\u00e9dias cidades do Paran\u00e1, com incont\u00e1veis lotes e terrenos sem<br \/>uso, na espera da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, enquanto milhares de pessoas vivem a<br \/>falta de um lote e casa para morar sem depender dos crescentes custos do aluguel de<br \/>moradia.<br \/>E, por fim, \u00e9 preciso lembrar que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em<br \/>7\/12\/2021, manter suspensas as desocupa\u00e7\u00f5es, destacando que a ONU-Habitat<br \/>estimula os pa\u00edses a parar todos os despejos e remo\u00e7\u00f5es durante a pandemia, pois<br \/>afetam as popula\u00e7\u00f5es pobres e vulner\u00e1veis. E, neste aspecto, a desocupa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m<br \/>de n\u00e3o apresentar aval judicial, sequer informa processo para justificar a decis\u00e3o de<br \/>Governo\/Prefeita para acionar a pol\u00edcia militar em uma opera\u00e7\u00e3o noturna contra<br \/>fam\u00edlias sem casa.<br \/>Com base em qual processo de desocupa\u00e7\u00e3o o governo do Estado e a Prefeitura de<br \/>PG solicitaram interven\u00e7\u00e3o policial? O que justifica a urg\u00eancia da a\u00e7\u00e3o policial na<br \/>madrugada, se n\u00e3o havia processo formalizado em que os entes p\u00fablicos poderiam<br \/>reivindicar a desocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea? O Minist\u00e9rio P\u00fablico foi consultado sobre a<br \/>situa\u00e7\u00e3o? E a justi\u00e7a emitiu alguma decis\u00e3o? Quem e com base em quais crit\u00e9rios<br \/>decidiu acionar a for\u00e7a policial para retirar as fam\u00edlias da \u00e1rea do Parque dos Sabi\u00e1s,<br \/>na madrugada de 5\/02, em Ponta Grossa? Os questionamentos acima deixam claro o<br \/>desrespeito ao Estado de Direito, \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o e aos Direitos Humanos.<br \/>\u00c9 neste contexto que, em menos de tr\u00eas meses, aconteceu uma segunda ocupa\u00e7\u00e3o<br \/>de \u00e1rea urbana p\u00fablica em Ponta Grossa. A \u00fanica \u2018solu\u00e7\u00e3o\u2019 que a Prefeitura e o<br \/>Governo do Estado apresentaram foi uma opera\u00e7\u00e3o policial fortemente armada para<br \/>desalojar fam\u00edlias sem casa. \u00c9 preciso que a popula\u00e7\u00e3o, as entidades sociais, os<br \/>representantes pol\u00edticos, grupos de m\u00eddia, o poder judici\u00e1rio e demais organiza\u00e7\u00f5es<br \/>cobrem provid\u00eancias, compromissos e responsabilidades urgentes dos atuais<br \/>gestores.<br \/>\u00c9 com este objetivo que, ao mesmo tempo em que nos solidarizamos com as milhares de fam\u00edlias sem casa que esperam pela garantia de um direito constitucional, pedimos apoio e iniciativa do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MP PR) e da OAB PR para que a Prefeitura e o Governo do Estado informem as condi\u00e7\u00f5es legais em que a opera\u00e7\u00e3o policial foi realizada na madrugada de 5\/02\/2022 e, em seguida, esclare\u00e7am o que efetivamente est\u00e1 em andamento para minimizar e, gradualmente, resolver o problema da falta de moradia em Ponta Grossa, Regi\u00e3o e Estado do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n<p><br \/>Ponta Grossa (PR), 8 de Fevereiro de 2022.<\/p>\n\n\n<p><br \/><strong>Assinam este documento (Manifesto):<\/strong><\/p>\n\n\n<ul><li>APP N\u00facleo Sindical de Ponta Grossa (APP Sindicato PG)<\/li><li>Associa\u00e7\u00e3o dos Portadores de Les\u00f5es por Esfor\u00e7o Repetitivo do Paran\u00e1 (AP-LER)<\/li><li>Centro de Direitos Humanos e Mem\u00f3ria Popular de Foz do Igua\u00e7u<\/li><li>Comit\u00ea Pontagrossense de Solidariedade \u00e0 Palestina<\/li><li>Comiss\u00e3o 6\u00aa Semana Social Brasileira (SSB) em PG<\/li><li>Conselho de Leigos Regional Sul 2 (CNLB)<\/li><li>Curso de Servi\u00e7o Social da UEPG<\/li><li>Jornalismo, direitos humanos e forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 (ELOS UEPG)<\/li><li>Mandato do Deputado Estadual Professor Lemos (PT \u2013 Paran\u00e1)<\/li><li>Mandato do Deputado Estadual Tadeu Veneri (PT &#8211; Paran\u00e1)<\/li><li>Movimento Coletivo Lutas Populares PG<\/li><li>N\u00facleo de Estudos e Pesquisas Estado, Pol\u00edticas P\u00fablicas e Pr\u00e1ticas Sociais (NEPEPPPS)<\/li><li>N\u00facleo de Estudos em Defesa dos Direitos da Inf\u00e2ncia e Juventude da UEPG (NEDDIJ)<\/li><li>N\u00facleo de Estudos, Pesq e Extens\u00e3o em Pedagogia, Ped. Social e Ed. Social (NUPEPES)<\/li><li>Pacto Pela Vida e Pelo Brasil em PG<\/li><li>Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo (MsJor) UEPG<\/li><li>Sindicato dos Empregados no Com\u00e9rcio de Ponta Grossa<\/li><li>Sindicato dos Docentes da UEPG (Sinduepg\/ANDES-SN)<\/li><li>Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paran\u00e1 (SinDiJor PR)<\/li><li>Sindicato dos Metal\u00fargicos de Ponta Grossa<\/li><li>Sindicato dos Serv. P\u00fablicos Fed. em Sa\u00fade Trab Prev. A\u00e7\u00e3o Social (SINDPREVS\/PR)<\/li><li>Sindicato dos T\u00e9cnicos e Professores da UEPG (SINTESPO)<br \/><strong>Contato\/Informa\u00e7\u00f5es:<\/strong><br \/>Prof. S\u00e9rgio Gadini. Fone: (42) 98812 1207<br \/>Prof. Jeaneth Nunes. Fone: (42) 99801 0340<\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem determinou uma opera\u00e7\u00e3o policial, sem processo e autoriza\u00e7\u00e3o judicial, comcerca de 200 soldados, em poucas horas, para desocupar \u00e1rea tomada por fam\u00edlias desem casa? Foi exatamente isso que aconteceu no primeiro fim de semana deFevereiro na cidade de Ponta Grossa (PR). 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