{"id":4519,"date":"2022-02-28T12:06:02","date_gmt":"2022-02-28T15:06:02","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=4519"},"modified":"2022-02-28T12:06:02","modified_gmt":"2022-02-28T15:06:02","slug":"tudo-por-um-lar-familias-abordam-dificuldades-enfrentadas-em-ocupacao-de-pg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/tudo-por-um-lar-familias-abordam-dificuldades-enfrentadas-em-ocupacao-de-pg\/","title":{"rendered":"Tudo por um lar: Fam\u00edlias abordam dificuldades enfrentadas em ocupa\u00e7\u00e3o de PG"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde dezembro de 2021,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">mais de 700 fam\u00edlias encontram na ocupa\u00e7\u00e3o Ericson John Duarte a chance de ter um espa\u00e7o para construir uma casa pr\u00f3pria. O terreno, localizado no Parque das Andorinhas, no Rio Verde, foi planejado justamente para a moradia das fam\u00edlias cadastradas pela Companhia de Habita\u00e7\u00e3o de Ponta Grossa (Prolar). Por\u00e9m, desde 2011, ano em que as obras come\u00e7aram, o local n\u00e3o possui investimentos do poder p\u00fablico. O que resultou em um amplo espa\u00e7o esquecido pela companhia.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), coordenada por Leandro Dias, organizou a a\u00e7\u00e3o junto \u00e0s fam\u00edlias ponta-grossenses sem casa na ocupa\u00e7\u00e3o do local. Sem apoio da prefeitura, das companhias de \u00e1gua (Sanepar)\u00a0 e energia el\u00e9trica (Copel), as fam\u00edlias sofrem com a neglig\u00eancia e car\u00eancia dos recursos b\u00e1sicos.\u00a0<\/span><br \/>\n<b>Qual \u00e9 o perfil das fam\u00edlias?<\/b><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Membros de quatro fam\u00edlias se mostraram receptivos para falar sobre a situa\u00e7\u00e3o que enfrentam na ocupa\u00e7\u00e3o Ericson John Duarte com o Projeto Elos. Todas abordaram as dificuldades de moradia e financeira que as levaram a migrar para o local. Outro ponto em comum e de destaque entre os relatos \u00e9 a indigna\u00e7\u00e3o de serem comparadas a desocupados, visto que a maioria que reside no terreno ocupado pela FNL possui emprego. A pandemia imp\u00f4s uma situa\u00e7\u00e3o a estas fam\u00edlias em que<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">muitas precisaram escolher entre pagar o aluguel ou alimentar os filhos.\u00a0<\/span><br \/>\n<b>Confira as entrevistas:<\/b><br \/>\n<b>\u201cLutar pelo o que \u00e9 nosso por direito e ter um teto para morar!\u201d<\/b><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Diego de Lima Ribeiro, de 31 anos, afirma sua luta di\u00e1ria. O motoboy e participante ativo da FNL revela a dificuldade financeira da fam\u00edlia, que \u00e9 composta por ele, a esposa e dois filhos. O que j\u00e1 era dif\u00edcil, com a pandemia apenas piorou. Ele, que era microempreendedor, se viu sem servi\u00e7os por quatro meses. Tempo suficiente para n\u00e3o conseguir pagar os 600 reais de aluguel da casa em que residia. \u201cAntes eu n\u00e3o conseguia comprar uma bolacha para os meus filhos, pois n\u00e3o sobrava dinheiro, agora sobra, j\u00e1 que n\u00e3o pago aluguel\u201d, destaca o morador da ocupa\u00e7\u00e3o.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Com cadastro ativo na Prolar h\u00e1 mais de sete anos, Diego demonstra indigna\u00e7\u00e3o em n\u00e3o conseguir sequer um terreno para conseguir construir um lar para a fam\u00edlia. \u201cEu quero construir uma casa para os meus filhos, pois sei que se eu morrer, a casa vai ser deles\u201d, revela. O desejo de Diego para o futuro de sua fam\u00edlia \u00e9 ter uma casa pr\u00f3pria, lutar pelas pessoas que se encontram na mesma situa\u00e7\u00e3o: ter um teto para morar. Ele tamb\u00e9m espera que as pessoas entendam a real situa\u00e7\u00e3o de quem ocupa um terreno que \u00e9 deles por direito. \u201cEm vez das pessoas criticarem, por que n\u00e3o fazem alguma doa\u00e7\u00e3o? Ou s\u00f3 fiquem cada um no seu canto que j\u00e1 ajuda\u201d, afirma Diego sobre a falta de sensibilidade das pessoas que n\u00e3o vivem o mesmo que as mais de 700 fam\u00edlias da ocupa\u00e7\u00e3o.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">\u201cA gente veio pra c\u00e1 pra tentar uma vida melhor, pra comprar um rem\u00e9dio, d\u00e1 mais conforto pras crian\u00e7a, meus dois netinhos\u201d. Dona Terezinha de Lima Nascimento, 65 anos, aposentada e residente da ocupa\u00e7\u00e3o desde dezembro de 2021, nos conta um pouco mais sobre sua rotina e seus obst\u00e1culos. O relato comum entre eles \u00e9 o desejo de um futuro melhor para a fam\u00edlia e,\u00a0 principalmente, para as crian\u00e7as. Doente e com dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o, dona Terezinha descreve o desamparo que sofre junto aos filhos. \u201cEu me vi na rua, n\u00e3o posso comprar rem\u00e9dio. Ou compra rem\u00e9dio, ou compra comida.\u201d, enfatiza.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>Foto: Bettina Guarienti<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4520 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/image-3-300x216.jpeg\" alt=\"\" width=\"505\" height=\"364\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">Dona Terezinha, 65, com uma de suas netas em frente a resid\u00eancia rec\u00e9m constru\u00edda na ocupa\u00e7\u00e3o Ericson John Duarte.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<b>\u201cE t\u00eam luz, \u00e1gua, aluguel. Eu como sou uma pessoa honesta gosto de j\u00e1 pagar, n\u00e3o deixar acumular\u201d<\/b><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Com cadastro ativo h\u00e1 cerca de 20 anos na Prolar, Terezinha aponta a falta de efici\u00eancia do programa. \u201c Todo ano eu ia l\u00e1, desde quando meu filho era pequenininho, e nunca podiam arranjar casa pra mim, nada at\u00e9 agora.\u201d Ao ser questionada sobre a rotina na ocupa\u00e7\u00e3o, dona Terezinha descreve as dificuldades impostas pelo local. \u201cN\u00e3o temos banheiro, no come\u00e7o era sem \u00e1gua, sem luz, sem nada. Tanto que eu pensei v\u00e1rias vezes em desistir. Mas da\u00ed pra onde que eu vou agora?\u201d. O drama da falta de assist\u00eancia vivida pelas fam\u00edlias sem apoio do governo municipal, sem saneamento e sem qualquer visita por porte dessas entidades, dificulta ainda mais a sobreviv\u00eancia na ocupa\u00e7\u00e3o.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Elisiane Alves Correia, de 45 anos, nos revela que al\u00e9m dos obst\u00e1culos vividos no dia a dia, outro ponto prejudicial s\u00e3o as fake news e palavras desrespeitosas ditas sobre<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">os moradores do local. \u201cMuitos falam que n\u00f3s somos um bando de desocupados, que n\u00f3s somos um bando de vagabundos. Mas n\u00e3o \u00e9 verdade, n\u00f3s precisamos muito daqui sabe?\u201d, desabafa. O sonho e direito da casa pr\u00f3pria comum entre milhares de brasileiros, encontra nessas a\u00e7\u00f5es uma forma de ser realizado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-weight: 400\">Foto: Bettina Guarienti<\/span> <\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4527 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/image-1-2-300x223.jpeg\" alt=\"\" width=\"477\" height=\"356\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">Elisiane Alves Correia, 45, abre a porta de sua casa, onde mora com o marido e o filho mais novo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>\u201cFiz uma casinha, n\u00e3o \u00e9 uma mans\u00e3o, mas \u00e9 um lugarzinho meu\u201d<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-weight: 400\">Foto: Bettina Guarienti<\/span><\/em><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4528 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/image-2-1-1-300x245.jpeg\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"373\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">A moradora mostra o lugar ao qual dormia, antes de conseguir construir a sua casa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A loca\u00e7\u00e3o, ocupada pelas fam\u00edlias, \u00e9 um terreno irregular que estava nas plantas da Prolar h\u00e1 anos para constru\u00e7\u00e3o de casas populares. Entretanto, nunca foi constru\u00edda nenhuma resid\u00eancia no lugar. Dona Elisiane nos relata quando conseguiu uma casa pelo programa, mas que devido \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o, precisou sair do local. \u201cEu cheguei a pegar a casa da Prolar, mas onde eu morava era muito perigoso.\u201d O medo foi devido aos homens que amea\u00e7avam as filhas de Dona Elisiane, para que elas fossem obrigadas a se relacionarem com eles. \u201cTive que sair porque falaram pras minhas meninas que se elas n\u00e3o fossem deles, eles iam matar elas, da\u00ed eu tive que sair correndo.\u201d<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Catharina Silva, de 56 anos, conta que tem diabetes e, dessa forma, \u00e9 dependente da insulina e consequentemente da energia el\u00e9trica. \u201cEu tomo rem\u00e9dio, tenho problema de diabete tudo, tomo insulina ent\u00e3o sempre tem que ter a geladeira\u201d, aponta a moradora. Como a ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui energia el\u00e9trica, a idosa deixa a geladeira na casa da cunhada para poder conservar o rem\u00e9dio. Companheiro de Catharina, Olivio Machado, de 58 anos, tem cadastro na Prolar h\u00e1 cerca de 10 anos e assim como nos outros relatos, ele tamb\u00e9m<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">n\u00e3o teve retorno do programa. Ambos possuem o mesmo objetivo, terminar de construir a casa, para terem um lugar para chamarem de seu.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-weight: 400\">Foto: Bettina Guarienti<\/span><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4529 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Image-4-1-300x242.jpeg\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"361\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">O casal, Catarina e Olavo, posam ao lado da futura resid\u00eancia, que ainda est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde dezembro de 2021, mais de 700 fam\u00edlias encontram na ocupa\u00e7\u00e3o Ericson John Duarte a chance de ter um espa\u00e7o para construir uma casa pr\u00f3pria. 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