{"id":4660,"date":"2022-06-30T14:40:45","date_gmt":"2022-06-30T17:40:45","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=4660"},"modified":"2022-06-30T14:40:45","modified_gmt":"2022-06-30T17:40:45","slug":"em-media-uma-mulher-sofre-crime-de-feminicidio-a-cada-7-horas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/em-media-uma-mulher-sofre-crime-de-feminicidio-a-cada-7-horas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Em m\u00e9dia, uma mulher sofre crime de feminic\u00eddio a cada 7 horas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEu vejo que quando n\u00f3s passamos por isso [viol\u00eancia], estamos sozinhas\u201d, \u201cA palavra da mulher \u2018vale menos\u2019 do que a do homem\u201d, \u201cNingu\u00e9m fala que precisamos de apoio\u201d e \u201cEu escutei que gostava de apanhar\u201d. Essas s\u00e3o algumas afirma\u00e7\u00f5es feitas por uma mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica e tentativa de feminic\u00eddio. As frases retratam como as mulheres violentadas recebem retalia\u00e7\u00f5es das pessoas pr\u00f3ximas quando decidem denunciar os crimes sofridos pelos seus parceiros. No Brasil, em m\u00e9dia, uma mulher foi v\u00edtima de feminic\u00eddio a cada 7 horas.<br \/>\nSegundo o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2022, ocorreram 1.319 casos de feminic\u00eddios no pa\u00eds no ano passado, dados que representam uma taxa de mortalidade pelo crime de 1,22 mortes a cada 100 mil mulheres. Apenas no Paran\u00e1 foram registrados 89 casos de feminic\u00eddios, por\u00e9m muitas das viol\u00eancias sofridas n\u00e3o s\u00e3o denunciadas.<br \/>\nAcompanhe a entrevista com a ginecologista e m\u00e9dica-legista especializada em viol\u00eancia contra mulher, Maria Let\u00edcia Fagundes, sobre os atendimentos para mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas ao tema.<br \/>\n<strong>Elos<\/strong>: Como as pol\u00edticas p\u00fablicas auxiliam no combate \u00e0 viol\u00eancia?<br \/>\n<strong>Maria Let\u00edcia Fagundes<\/strong>: Eu vejo que todas as pol\u00edticas p\u00fablicas funcionam. S\u00f3 que isso deve ser provocado para ser usado, se a v\u00edtima n\u00e3o buscar ningu\u00e9m poder\u00e1 ir na casa dela ajud\u00e1-la, o que \u00e9 triste.<br \/>\n<strong>Elos<\/strong>: Como a lei que criminaliza o feminic\u00eddio ajuda essas mulheres?<br \/>\n<strong>Maria Let\u00edcia Fagundes<\/strong>: A lei \u00e9 extremada, quando ela n\u00e3o tem mais chance de existir em um lugar de n\u00e3o viol\u00eancia. Acho que a lei deve ser reavaliada em quesito de penaliza\u00e7\u00e3o pois nesse quesito \u00e9 muito falho, j\u00e1 vi relatos de tentativa que o violentador pegou 18 meses de penaliza\u00e7\u00e3o. E dessa forma o violentador continuar\u00e1 cometendo esses crimes.<br \/>\n<strong>Elos<\/strong>: Como funciona o ciclo da viol\u00eancia?<br \/>\n<strong>Maria Let\u00edcia Fagundes<\/strong>: Falamos em ciclo da agress\u00e3o, mas vemos que o feminic\u00eddio n\u00e3o \u00e9 simples agress\u00e3o e sim o m\u00e1ximo da agress\u00e3o. Quando uma mulher morre ela n\u00e3o poder\u00e1 nunca mais denunciar. Esse ciclo come\u00e7a com outras viol\u00eancias, a patrimonial, moral e sexual e as mulheres acabam aceitando esses comportamentos dos parceiros at\u00e9 o dia que vira uma tentativa de feminic\u00eddio. Muitas dessas mulheres mal sabem que est\u00e3o sofrendo essas viol\u00eancias at\u00e9 que \u00e9 tarde demais, e esse \u00e9 o ciclo da agress\u00e3o.<br \/>\n<strong>Elos<\/strong>: Em rela\u00e7\u00e3o ao atendimento das v\u00edtimas de viol\u00eancia, como \u00e9 feito o atendimento?<br \/>\n<strong>Maria Let\u00edcia Fagundes<\/strong>: Depende do crime que a mulher sofreu. Se for um uma viol\u00eancia psicol\u00f3gica, ela n\u00e3o passa pelo m\u00e9dico legista; ela vai direto para o pessoal da psicologia. Quando \u00e9 viol\u00eancia psicol\u00f3gica, moral e patrimonial eu n\u00e3o tenho contato, apenas quando \u00e9 viol\u00eancia f\u00edsica, tentativa de feminic\u00eddio e viol\u00eancia sexual. A abordagem deve ser a mais respeitosa poss\u00edvel para que a v\u00edtima sinta-se revitimizada. Todos os cuidados s\u00e3o necess\u00e1rios quando falamos de viol\u00eancia.<br \/>\n<strong>Elos<\/strong>: Qual a rela\u00e7\u00e3o entre o aumento de casos de viol\u00eancias com as pol\u00edticas p\u00fablicas?<br \/>\n<strong>Maria Let\u00edcia Fagundes<\/strong>: O crescimento das viol\u00eancias atrapalham nas pr\u00f3prias pol\u00edticas p\u00fablicas que n\u00e3o recebem investimento e que est\u00e3o \u00e0 m\u00edngua, pois antes as mulheres iam direto para a per\u00edcia e agora precisam agendar a per\u00edcia e ficar esperando, o que causa mais desconforto \u00e0 v\u00edtima. N\u00e3o temos muitas pessoas para nos atender, n\u00e3o temos investimento e isso \u00e9 muito grave. Dizemos para a v\u00edtima: \u201cDenuncie!\u201d. Por\u00e9m, com a demora para receber a medida protetiva ela poder\u00e1 sofrer ainda mais do violentador. Mesmo com a medida protetiva, a Patrulha Maria da Penha, respons\u00e1vel pela vistoria e prote\u00e7\u00e3o dessas mulheres, visitam-as uma vez por m\u00eas. Mas sem investimento e com o aumento da viol\u00eancia contra as mulheres, essa visita mensal pode passar a n\u00e3o existir.<br \/>\n<strong>Elos<\/strong>: Como \u00e9 poss\u00edvel humanizar o atendimento?<br \/>\n<strong>Maria Let\u00edcia Fagundes<\/strong>: N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 poss\u00edvel, ele deve ser humanizado. E isso come\u00e7a na capacita\u00e7\u00e3o de quem trabalha com os atendimentos de viol\u00eancia e rever seus valores pessoais, n\u00e3o pode julgar o que a v\u00edtima passou pelas suas concep\u00e7\u00f5es do que \u00e9 certo ou errado. S\u00f3 com essas simples atitudes o atendimento j\u00e1 ser\u00e1 humanizado.<br \/>\n<strong>Elos<\/strong>: Como mulher, o que voc\u00ea sente ao atender uma mulher que sofreu viol\u00eancia?<br \/>\n<strong>Maria Let\u00edcia Fagundes<\/strong>: \u00c9 muito dif\u00edcil atender uma pessoa que acabou de passar por viol\u00eancia. Muitas vezes elas v\u00eam sujas de sangue e isso me humanizou mais como m\u00e9dica. Eu abri m\u00e3o de alguns privil\u00e9gios quando decidi assumir os atendimentos de viol\u00eancias dom\u00e9sticas e n\u00e3o me arrependo disso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu vejo que quando n\u00f3s passamos por isso [viol\u00eancia], estamos sozinhas\u201d, \u201cA palavra da mulher \u2018vale menos\u2019 do que a do homem\u201d, \u201cNingu\u00e9m fala que precisamos de apoio\u201d e \u201cEu escutei que gostava de apanhar\u201d. 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