{"id":4756,"date":"2022-10-05T15:47:00","date_gmt":"2022-10-05T18:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=4756"},"modified":"2022-10-05T15:47:00","modified_gmt":"2022-10-05T18:47:00","slug":"uepg-altera-as-normas-de-politicas-de-cotas-do-vestibular-e-pss","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/uepg-altera-as-normas-de-politicas-de-cotas-do-vestibular-e-pss\/","title":{"rendered":"UEPG altera as normas de Pol\u00edticas de Cotas  do vestibular e PSS"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) sancionou em agosto uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es na pol\u00edtica de cotas da institui\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a mais significativa \u00e9 ado\u00e7\u00e3o de um sistema de cotas para o Processo Seletivo Seriado (PSS) \u2013 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">forma alternativa de acesso \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o, realizada em tr\u00eas etapas por estudantes matriculados no ensino m\u00e9dio. A Resolu\u00e7\u00e3o ampliou tamb\u00e9m o n\u00famero de vagas destinadas a pessoas negras no vestibular. A medida j\u00e1 valer\u00e1 para o pr\u00f3ximo PSS e vestibular, previstos para acontecer, respectivamente, em novembro e dezembro deste ano.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A partir da nova Resolu\u00e7\u00e3o, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">pessoas<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> com defici\u00eancia ter\u00e3o direito a 5% das vagas no PSS, regra j\u00e1 aplicada no vestibular realizado em mar\u00e7o. Tamb\u00e9m 50% das vagas ser\u00e3o reservadas \u00e0 candidatos oriundos de Institui\u00e7\u00f5es P\u00fablicas de Ensino, sendo 10% exclusivamente para autodeclarados negros. E a partir do proximo vestibular, a UEPG garantir\u00e1 5% das vagas para negros independente do percursor de forma\u00e7\u00e3o escolar, incluindo estudantes de col\u00e9gios privados.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Segundo a <\/span><span style=\"font-weight: 400\">presidente da Comiss\u00e3o Permanente de Acompanhamento e Avalia\u00e7\u00e3o de Pol\u00edtica de Cotas da UEPG, Cristiane Gon\u00e7alves de Souza,\u00a0 a inser\u00e7\u00e3o de cotas racial para alunos e alunas das escolas particular foi uma mudan\u00e7a significativa de inclus\u00e3o, \u201cA cota racial quando tem dois condicionamentos acaba sendo uma subcota de outra cota. Quando conseguimos reservar um percentual de vagas para estudantes negros independente do percuso escolar damos um salto qualitativo na inclus\u00e3o\u201d. Ainda, conforme Cristiane, essa altera\u00e7\u00e3o faz com que a universidade seja de fato diversa no que se diz respeitos \u00e0s quest\u00f5es etinco-raciais.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A presidente da comiss\u00e3o explica que a quest\u00e3o principal das altera\u00e7\u00f5es \u00e9 de buscar amplia\u00e7\u00e3o do ingresso ao ensino superior p\u00fablico para as pessoas que historicamente foram exclu\u00eddas deste contexto, \u201cEnt\u00e3o \u00e9 um avan\u00e7o promover essa visibilidade dos debates sobre pol\u00edticas de cotas que se faz justamente para tentar reparar um passado excludente\u201d, complementa Cristiane.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Thais de Lima Silva, caloura de Medicina na UEPG ingressou pela pol\u00edtica de cotas raciais de escola p\u00fablica, fala sobre a discrep\u00e2ncia entre os resultados obtidos entre estudantes de escolas privadas e p\u00fablicas, \u201cEles t\u00eam uma melhor infraestrutura e um melhor ensino. Desta forma n\u00e3o \u00e9 justo concorrer no mesmo n\u00edvel das escolas p\u00fablicas\u201d.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Thais tamb\u00e9m aponta a import\u00e2ncia da exist\u00eancia de um sistema de cotas, especificamente cotas raciais, &#8220;Al\u00e9m de existir essa discrep\u00e2ncia eu ainda precisei ouvir falas com desd\u00e9m que dava a entender que eu estava tomando a vaga de algu\u00e9m. N\u00e3o tenho vergonha de ser cotista, \u00e9 um direito e temos que ocupar nosso lugar que foi nos tomado\u201d, afirma a estudante.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">As medidas rec\u00e9m adotadas est\u00e3o de acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Permanente de Acompanhamento e Avalia\u00e7\u00e3o de Pol\u00edtica de Cotas da UEPG, respons\u00e1vel por fazer o monitoramento do sistema de cotas. O \u00f3rg\u00e3o \u00e9 formado por membros do corpo discente, servidores, docentes de todos os setores de conhecimento da universidade, al\u00e9m de representantes de movimentos sociais e coletivos em defesa dos direitos humanos.\u00a0<\/span><br \/>\n<b>A pol\u00edtica de cotas<\/b><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A primeira experi\u00eancia com a pol\u00edtica cotas no ensino superior brasileiro ocorreu em 2003 pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). No ano seguinte, o sistema passou a ser adotado tamb\u00e9m no processo seletivo de algumas federais, com a Universidade de Bras\u00edlia (UnB) sendo a pioneira. Em agosto de 2012, a <\/span><span style=\"font-weight: 400\">ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a Lei de Cotas, que estabeleceu que 50% das vagas oferecidas nas universidades federais deveriam ser reservadas a estudantes oriundos de escolas p\u00fablicas, distribu\u00eddas por quest\u00e3o de renda e para autodeclarados pretos, pardos, ind\u00edgenas e pessoas com defici\u00eancia.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A <\/span><span style=\"font-weight: 400\">UEPG iniciou o processo de implanta\u00e7\u00e3o de cotas em 2005, com a cria\u00e7\u00e3o de um grupo de trabalho para discutir o tema. O sistema foi adotado em 2007 e passou por uma reavalia\u00e7\u00e3o em 2013. A<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Comiss\u00e3o de Acompanhamento e Avalia\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica de Cotas foi retomada em 2020 com o objetivo de avaliar a pol\u00edtica de cotas da institui\u00e7\u00e3o desde 2014. No relat\u00f3rio, a comiss\u00e3o defendeu a necessidade de\u00a0 implantar cotas nas bolsas de pesquisa e promover a\u00e7\u00f5es afirmativas para garantir que os estudantes cotistas tenham condi\u00e7\u00f5es de permanecer na universidade.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Ra\u00e7a Brasil, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE) ap\u00f3s 15 anos do in\u00edcio da pol\u00edtica de cotas no Brasil demonstrou que o sistema foi bem-sucedido. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o n\u00famero de negros nas universidades do pa\u00eds cresceu 400% entre 2010 e 2019. Atualmente, 50% dos estudantes do ensino superior se autodeclaram pretos ou pardos, enquanto representam 56% da popula\u00e7\u00e3o brasileira em geral. A disparidade \u00e9 ainda maior no mercado de trabalho, visto que, de acordo com o IBGE, apenas um ter\u00e7o dos cargos de diretoria no Brasil s\u00e3o ocupados por pessoas negras.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) sancionou em agosto uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es na pol\u00edtica de cotas da institui\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a mais significativa \u00e9 ado\u00e7\u00e3o de um sistema de cotas para o Processo Seletivo Seriado (PSS) \u2013 forma alternativa de acesso \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o, realizada em tr\u00eas etapas por estudantes matriculados no ensino m\u00e9dio. 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