{"id":4781,"date":"2022-10-26T10:39:29","date_gmt":"2022-10-26T13:39:29","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=4781"},"modified":"2022-10-26T10:39:29","modified_gmt":"2022-10-26T13:39:29","slug":"coluna-negritude-e-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/coluna-negritude-e-resistencia\/","title":{"rendered":"COLUNA: Negritude e Resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">A exist\u00eancia tem se colocado em nosso pa\u00eds como algo desafiador. Ser quem somos tem sido perigoso. Arrisco dizer que temos vivenciado em nosso cotidiano circunst\u00e2ncias que, sempre existiram, e tem se tornado cada vez mais frequentes. Ser preto e preta no Brasil \u00e9 arriscado demais. Sabemos que seja voc\u00ea quem for: de empregada dom\u00e9stica a cantor (Seu Jorge nos d\u00e1 o tom) enfrentamos\u00a0 no nosso cotidiano intensas batalhas para existirmos. Por outro lado, se voc\u00ea n\u00e3o se identifica como preto ou negro no Brasil , o racismo mal bate a sua porta. Este fantasma simplesmente n\u00e3o existe.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Os notici\u00e1rios evidenciaram nesta semana ( 17\/10 \u00e1 23\/10) crimes tipificados como racismo envolvendo brasileiros. O jogador da sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol Vinicius Junior\u00a0 narrou ao Fant\u00e1stico o aumento do crime de racismo no futebol (2).<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> O atleta experienciou o racismo na Espanha. O influenciador digital Eddy Jr (3)<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> tamb\u00e9m relatou que sofreu acusa\u00e7\u00f5es de cunho racista alcan\u00e7ando o patamar de amea\u00e7a de morte. A agressora, Elizabeth Morrone e seu filho. Seu Jorge (4)<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> realizou um show em Porto Alegre no dia 14\/10\/22, no clube Gr\u00eamio N\u00e1uticos Uni\u00e3o, onde ele foi hostilizado pelo p\u00fablico ao se colocar contr\u00e1rio \u00e0 lei de maioridade penal. No show ele apresenta um jovem que integra a banda e salienta que uma segunda chance \u00e9 poss\u00edvel. Poder\u00edamos listar in\u00fameros outros casos que vieram a p\u00fablico nos \u00faltimos meses em que o racismo foi documentado atrav\u00e9s de grava\u00e7\u00f5es e registros de boletins de ocorr\u00eancia. Poder\u00edamos nos perguntar: o que isto evidencia?\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Este elemento nos mostra que o racismo ainda se materializa em nosso cotidiano de formas diversas engendrando maneiras de impedir o acesso e a perman\u00eancia de negros e negras em determinados espa\u00e7os. Se pensarmos que 56% da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 negra e, por outro lado, no caso de mortes pela pol\u00edcia 84% s\u00e3o negros, dados da Folha de S\u00e3o Paulo de julho de 2022 (5)<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Estes dados nos oferecem elementos para pensar a viol\u00eancia racial que se encontra institucionalizada nas diferentes esferas de nossa sociedade.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A constitui\u00e7\u00e3o de 1988 consolidou a luta por cidadania \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil. No entanto, colocar em marcha a letra da lei tem se tornado cada vez mais dif\u00edcil em nosso cotidiano. Assim, no dia 20 de novembro, dia da Consci\u00eancia negra, devemos mais do que nunca problematizar e reivindicar espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o preta em nosso pa\u00eds. No Paran\u00e1, a elei\u00e7\u00e3o da candidata Carol Dartora \u00e0 deputada federal, mulher negra e de Renato Freitas, homem negro\u00a0 que ocupar\u00e1 a cadeira de deputado estadual nos apresenta um cen\u00e1rio de possibilidades de ressignifica\u00e7\u00f5es num territ\u00f3rio criado e institu\u00eddo pela branquitude e, que paulatinamente, vem sendo tensionado por um grupo social que sempre fora alijado dos seus direitos como cidad\u00e3os.\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Neste sentido, o sentimento de perten\u00e7a para a popula\u00e7\u00e3o negra est\u00e1 atrelada \u00e0\u00a0 ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os. Por outro lado, os discursos de nega\u00e7\u00e3o de tudo que sugere o \u201cpoliticamente correto\u201d utiliza\u00a0 a\u00a0 viol\u00eancia como\u00a0 arma daqueles que cultuam\u00a0 o mofo da sociedade patriarcal. Assim, o passado colonial parece sustentar as narrativas e atitudes de\u00a0 determinados grupos\u00a0 em nossa sociedade, os \u201cherdeiros da casa-grande\u201d. O fato \u00e9 que resistimos durante mais de trezentos anos\u00a0 aos nossos algozes. Muitos negros negaram sua negritude para continuar existindo como algozes daqueles que lutavam pela liberdade.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Nossa luta continua pautada na sabedoria de nossos ancestrais, no rabo de arraia,\u00a0 na escolha das palavras corretas, no sil\u00eancio e no exerc\u00edcio da fala. No grito por justi\u00e7a e no compasso da esperan\u00e7a. Sabemos que\u00a0 a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os provoca mudan\u00e7as e traz a exig\u00eancia de novos olhares sobre as viol\u00eancias cotidianas praticadas no Brasil e, mais do que isso, reivindica por meios institucionais, que a lei se materialize e se movimente no sentido de garantir direitos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra. \u00c9 chocante nos defrontarmos com tantas not\u00edcias acerca de um crime como o racismo. Por outro lado, falar dele \u00e9 colocar em a\u00e7\u00e3o uma lei que sempre silenciou as v\u00edtimas e nunca puniu o agressor.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><em>Ax\u00e9! seguimos na luta hoje, amanh\u00e3 e sempre!<\/em><\/strong><\/p>\n<p>(1) <span style=\"font-weight: 400\">Professora de Hist\u00f3ria da Rede Estadual de Educa\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1. Doutoranda em Hist\u00f3ria pela UEM na linha Hist\u00f3ria, Cultura e Narrativas.\u00a0 Sou uma mulher preta, m\u00e3e de Vicente, Joaquim e Estela, por eles eu sonho com um mundo multicolorido como deve ser.<\/span><br \/>\n(2)\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2022\/10\/20\/acredito-que-todas-as-pessoas-que-sao-racistas-tem-que-pagar-de-alguma-forma-diz-vini-jr-ao-fantastico.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2022\/10\/20\/acredito-que-todas-as-pessoas-que-sao-racistas-tem-que-pagar-de-alguma-forma-diz-vini-jr-ao-fantastico.ghtml<\/a><br \/>\n(3)\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2022\/10\/20\/acredito-que-todas-as-pessoas-que-sao-racistas-tem-que-pagar-de-alguma-forma-diz-vini-jr-ao-fantastico.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2022\/10\/20\/acredito-que-todas-as-pessoas-que-sao-racistas-tem-que-pagar-de-alguma-forma-diz-vini-jr-ao-fantastico.ghtml<\/a><br \/>\n(4)\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/10\/18\/seu-jorge-sobre-episodio-em-porto-alegre-muito-odio-gratuito-e-muita-grosseria-racista\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/10\/18\/seu-jorge-sobre-episodio-em-porto-alegre-muito-odio-gratuito-e-muita-grosseria-racista<\/a><br \/>\n(5)\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2022\/07\/negros-sao-a-maioria-das-vitimas-de-crimes-violentos-no-brasil-mostra-levantamento.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2022\/07\/negros-sao-a-maioria-das-vitimas-de-crimes-violentos-no-brasil-mostra-levantamento.shtml<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exist\u00eancia tem se colocado em nosso pa\u00eds como algo desafiador. Ser quem somos tem sido perigoso. Arrisco dizer que temos vivenciado em nosso cotidiano circunst\u00e2ncias que, sempre existiram, e tem se tornado cada vez mais frequentes. Ser preto e preta no Brasil \u00e9 arriscado demais. Sabemos que seja voc\u00ea quem for: de empregada dom\u00e9stica&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":846,"featured_media":165,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[33,39],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4781"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/846"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4781"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4781\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}