{"id":5532,"date":"2024-03-20T16:08:56","date_gmt":"2024-03-20T19:08:56","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=5532"},"modified":"2024-03-20T16:08:56","modified_gmt":"2024-03-20T19:08:56","slug":"maristela-staveski-memorias-de-uma-vida-dedicada-ao-amor-e-resgate-de-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/maristela-staveski-memorias-de-uma-vida-dedicada-ao-amor-e-resgate-de-animais\/","title":{"rendered":"Maristela Staveski: mem\u00f3rias de uma vida dedicada ao amor e resgate de animais"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Maristela Aparecida Staveski, de 46 anos, \u00e9 farmac\u00eautica e amante dos animais. Ela dedicou grande parte de sua vida \u00e0 causa animal. O primeiro resgate foi em 2012, de uma cachorrinha que apareceu no terreno de sua casa. Maristela fez a escolha de trat\u00e1-la mesmo n\u00e3o encontrando o dono ou a dona. A cachorrinha estava com c\u00e2ncer no \u00fatero, e por conta do tratamento realizado desenvolveu cinomose canina, doen\u00e7a que apenas piorou seu quadro. Maristela teve que tomar pela primeira e \u00fanica vez a decis\u00e3o de sacrificar um animal para que ele deixasse de sofrer. \u201cComecei com os dois p\u00e9s esquerdos na causa animal\u201d, comenta da experi\u00eancia traum\u00e1tica.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Ela ent\u00e3o passou a atuar apenas como ajuda financeira nos grupos do facebook que participava: Doa\u00e7\u00e3o Ponta Grossa e Animais Perdidos Ponta Grossa. Mas foi em 2014, dois anos ap\u00f3s seu encontro com a cachorrinha que Maristela come\u00e7ou a ativamente fazer os resgates de animais. &#8220;Eu ajudei v\u00e1rios, mas tem alguns que me marcaram mais\u201d, relembra. O Valente foi um dos cachorros que mais marcou Maristela, pois o resgate do animal foi muito dif\u00edcil, ele era muito arisco por tudo que tinha passado na rua.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Eu sentia que a partir do momento que eu resgatava o animal, at\u00e9 eu conseguir que ele fosse adotado, ele era meu&#8221;. Maristela conta que fazia visitas di\u00e1rias aos animais e\u00a0 dava nomes. Foi assim com a Sofia, Pirata, Francisco, Valente, Pa\u00e7oca, Capit\u00e3o e tantos mais.\u00a0 &#8220;Eles n\u00e3o tinham mais ningu\u00e9m, s\u00f3 tinham a mim\u201d. Com um ar melanc\u00f3lico ela conta que quando os animais morriam ela chorava, mas quando eram adotados ela tamb\u00e9m chorava, porque de certa maneira eles n\u00e3o seriam mais dela. \u201cSe eu tivesse uma casa grande, eu ficaria com todos que j\u00e1 resgatei\u201d.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Outro caso marcante foi o da cachorrinha Sofia que tinha uma bicheira muito grande no pesco\u00e7o e quando foi anestesiada para o tratamento ela chorou. &#8220;Nunca tinha visto um cachorro chorar, escorriam l\u00e1grimas dos olhos dela\u201d. J\u00e1 o cachorro Francisco estava com as patas da frente tortas no resgate, Maristela lembra de ficar preocupada ao achar que ele era parapl\u00e9gico.\u00a0 &#8220;O que iria fazer? Ningu\u00e9m iria querer adotar ele, teria que pagar hotel para ele pro resto da vida&#8221;. Mas, felizmente, foi apenas uma fratura calcificada, hoje Francisco vive uma vida normal com a fam\u00edlia que o adotou.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Um dos \u00faltimos animais resgatados foi o gato Pa\u00e7oca, encontrado na rua com a mand\u00edbula quebrada, o veterin\u00e1rio disse para Maristela que o animal provavelmente recebeu uma pancada na cabe\u00e7a, ou seja, algu\u00e9m propositalmente o machucou. \u201cFazia dias que ele n\u00e3o comia ou bebia, com certeza ficou muito tempo naquela situa\u00e7\u00e3o\u201d. Maristela explica que muitas pessoas devem ter passado e visto o animal machucado. \u201c\u00c9 comum fingir\u00a0 que n\u00e3o v\u00ea, porque a ajuda est\u00e1 vinculada a uma despesa financeira, as pessoas at\u00e9 querem ajudar, mas n\u00e3o podem pagar\u201d, lamenta. Pa\u00e7oca se recuperou e continua na fam\u00edlia, ele foi adotado por sua sobrinha.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Maristela ainda comenta sobre os casos que deram problema ap\u00f3s as ado\u00e7\u00f5es. &#8220;Achar bons adotantes \u00e9 outra responsabilidade da causa animal, voc\u00ea salva o animal, trata, gasta, se apega e depois espera doar para algu\u00e9m que vai dar amor para ele\u201d. O Pirata foi um cachorro que havia sido abandonado longe para morrer, Maristela achou uma fam\u00edlia para ele, mas ap\u00f3s dois anos o animal foi devolvido para ela. &#8220;N\u00e3o entendo como a fam\u00edlia n\u00e3o se apegou, quem gosta de animais j\u00e1 pega um amor na hora&#8221;. Pirata foi ent\u00e3o doado para outra fam\u00edlia que estava disposta a am\u00e1-lo da maneira como merecia.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">O Capit\u00e3o foi um dos animais mais marcantes para Maristela. Ele constantemente fugia da casa em que foi adotado pelas frestas do port\u00e3o. Maristela pediu para o adotante arrumar o port\u00e3o v\u00e1rias vezes, mas o problema continuou, at\u00e9 que um dia Capit\u00e3o foi atropelado por um caminh\u00e3o.\u00a0 \u201cSe eu tivesse doado para outra pessoa, talvez ele ainda estivesse vivo\u201d, lamenta Maristela. Ela disse que carrega at\u00e9 hoje o peso na consci\u00eancia e o sofrimento deste caso. &#8220;Quando eles morrem uma parte de mim vai junto, porque eles eram responsabilidade minha&#8221;.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Maristela confidencia que sua trajet\u00f3ria envolveu muitas l\u00e1grimas, e os constantes abalos emocionais somados com o financeiro levaram ela a parar de fazer os resgates. Ela deixou de acompanhar os grupos, porque era muito dif\u00edcil ver e n\u00e3o poder ajudar. \u201cAo mesmo tempo que te gratifica recuperar um animal \u00e9 muito sofrido quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel salvar ele\u201d. Maristela salvou muitos animais durante os anos em que fez os resgates, e mesmo afastada ela ainda se preocupa profundamente com os bichinhos. &#8220;\u00c9 uma alegria imensa salvar uma vida\u201d, finaliza.<\/span><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Rep\u00f3rter Ester Roloff<\/span><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maristela Aparecida Staveski, de 46 anos, \u00e9 farmac\u00eautica e amante dos animais. Ela dedicou grande parte de sua vida \u00e0 causa animal. O primeiro resgate foi em 2012, de uma cachorrinha que apareceu no terreno de sua casa. Maristela fez a escolha de trat\u00e1-la mesmo n\u00e3o encontrando o dono ou a dona. 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