{"id":5593,"date":"2024-05-09T19:50:37","date_gmt":"2024-05-09T22:50:37","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=5593"},"modified":"2025-06-12T11:46:52","modified_gmt":"2025-06-12T14:46:52","slug":"caso-carlos-teixeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/caso-carlos-teixeira\/","title":{"rendered":"Caso Carlos Teixeira"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucos dias o caso do adolescente que perdeu a vida em decorr\u00eancia de<br \/>\nagress\u00f5es por bullying veio \u00e0 tona e torna-se imposs\u00edvel que o caso n\u00e3o choque a todos por<br \/>\ntamanha trag\u00e9dia. Adolescentes envolvidos em um crime, onde um deles teve sua vida<br \/>\ninterrompida. \u00c9 importante levar em conta que a pr\u00e1tica do bullying fala diretamente sobre o exerc\u00edcio de poder, pr\u00e1tica que \u00e9 incentivada em muitos \u00e2mbitos da sociedade desde os<br \/>\nprim\u00f3rdios por adulto, logo, \u00e9 reproduzida por crian\u00e7as e adolescentes.<br \/>\nVivemos em uma sociedade que normaliza esse jogo, localizado em persuas\u00e3o,<br \/>\nmaltrato, humilha\u00e7\u00e3o e agress\u00e3o no \u00e2mbito profissional, estudantil e at\u00e9 mesmo no \u00e2mbito<br \/>\nfamiliar, sempre direcionando para figuras que apresentam maior fragilidade, ou ainda,<br \/>\ndirecionado aquilo que foge \u00e0 regra.<br \/>\nQuando pensamos sobre o bullying propriamente dito, ouvimos pessoas justificando:<br \/>\n\u201cSempre houve, na minha \u00e9poca n\u00e3o era bullying! Era normal apelidar e provocar!\u201d. N\u00e3o \u00e9<br \/>\nestranho que um trato degradante a outro ser humano seja normalizado e at\u00e9 mesmo<br \/>\ndefendido por algumas pessoas como algo saud\u00e1vel e que faz parte da socializa\u00e7\u00e3o?<br \/>\nA verdade \u00e9: Todos queremos uma identidade pr\u00f3pria, mas ningu\u00e9m quer ser v\u00edtima<br \/>\nde bullying. Na era atual ganhamos filtros digitais, cirurgias, entre outras interven\u00e7\u00f5es para<br \/>\nnos adequarmos ao \u201cnormal\u201d pois fugir a regra e assumir o lugar pr\u00f3prio de quem se \u00e9,<br \/>\ndistanciado da massa, pode ser libertador mas escancara o risco de ataque.<br \/>\n\u00c9 importante a delimita\u00e7\u00e3o: \u00c9 normal a viv\u00eancia de qualquer condi\u00e7\u00e3o a qual eu<br \/>\nsobrevivi ou estamos falando sobre viv\u00eancias, pessoas, condi\u00e7\u00f5es, inten\u00e7\u00f5es e<br \/>\ncomportamentos diferentes? Ter sido uma v\u00edtima sobrevivente n\u00e3o deve nos fazer apto para validar ou ainda, desvalidar o sofrimento do outro. O bullying, quando faz parte do<br \/>\ndesenvolvimento da personalidade de algu\u00e9m, imprime marcas irrepar\u00e1veis no psiquismo.<br \/>\nEm psican\u00e1lise utilizamos de algumas teorias para compreens\u00e3o do ser e das<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o. Sendo a pr\u00e1tica de bullying vista como um sintoma, compreendemos-a como um<br \/>\nmecanismo de proje\u00e7\u00e3o. Para que eu possa ser perfeito e assegurar minha perfei\u00e7\u00e3o,<br \/>\npreciso jogar o imperfeito, feio, ruim e errado ao outro, s\u00f3 assim posso conviver com minhas diferen\u00e7as e inseguran\u00e7as, projetando-o aos outros para que possa fingir que n\u00e3o est\u00e3o em mim.<br \/>\nAtrav\u00e9s dessa separa\u00e7\u00e3o, exemplificando de forma simples como: \u201cVoc\u00ea \u00e9 feio e eu<br \/>\nsou bonito!\u201d A crian\u00e7a ou adolescente inicia sua separa\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 e o que deseja vir a<br \/>\nser, al\u00e9m de demarcar seu espa\u00e7o como de algu\u00e9m mais valoroso. Havendo uma<br \/>\norienta\u00e7\u00e3o falha, essa separa\u00e7\u00e3o pode se dar de forma violenta.<br \/>\nO caso do adolescente Carlinhos chama aten\u00e7\u00e3o para diversos pontos: H\u00e1 uma<br \/>\nv\u00edtima fatal e outros adolescentes envolvidos, que s\u00e3o localizados como autores da<br \/>\nviol\u00eancia. Al\u00e9m deles, h\u00e1 testemunhas, incluindo adultos.<br \/>\n\u00c9 importante conceitualizar ainda que v\u00edtima e autores s\u00e3o pessoas em condi\u00e7\u00e3o de<br \/>\ndesenvolvimento, sendo assim dependem de um olhar atento visando cuidado, orienta\u00e7\u00e3o e<br \/>\nainda a redu\u00e7\u00e3o de fatores de risco. Quem insere a crian\u00e7a e o adolescente, a linguagem,<br \/>\nafetividade, socializa\u00e7\u00e3o, instrui sobre como relacionar-se com outras pessoas e ainda os<br \/>\norienta sobre certo e errado s\u00e3o os adultos.<br \/>\nCrian\u00e7as e adolescentes necessitam de aux\u00edlio para lidar com seus impulsos, seus<br \/>\nsentimentos e comportamentos, sendo um perigo simplificar tal quest\u00e3o na criminaliza\u00e7\u00e3o<br \/>\nos \u201cautores\u201d e desconsiderar um contexto que favorece a pr\u00e1tica da viol\u00eancia e muitas<br \/>\nvezes ainda, contextos de omiss\u00e3o por parte de adultos que realmente devem se<br \/>\ncomprometer na instru\u00e7\u00e3o e acolhimento de crian\u00e7as e adolescentes inseridos em contextos de bullying.<\/p>\n<p>Amanda Chaves Orza &#8211; Psic\u00f3loga e psicanalista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucos dias o caso do adolescente que perdeu a vida em decorr\u00eancia de agress\u00f5es por bullying veio \u00e0 tona e torna-se imposs\u00edvel que o caso n\u00e3o choque a todos por tamanha trag\u00e9dia. 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