{"id":5731,"date":"2024-09-04T10:26:44","date_gmt":"2024-09-04T13:26:44","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=5731"},"modified":"2024-09-04T10:26:44","modified_gmt":"2024-09-04T13:26:44","slug":"arquitetura-hostil-em-ponta-grossa-cidade-para-quem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/arquitetura-hostil-em-ponta-grossa-cidade-para-quem\/","title":{"rendered":"Arquitetura hostil em Ponta Grossa: cidade para quem?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\n<i><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo com lei que pro\u00edbe, \u00e9 comum encontrar locais com elementos urbanos que impedem uso p\u00fablico<\/span><\/i><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Gradil, pontas de metal, bancos com divis\u00f3rias, blocos de concretos e cercas: esses s\u00e3o alguns dos elementos urbanos criados para evitar a circula\u00e7\u00e3o,\u00a0 perman\u00eancia e o uso p\u00fablico de determinados espa\u00e7os, principalmente para pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. Esse conjunto de t\u00e9cnicas, medidas e constru\u00e7\u00f5es \u00e9 chamado de arquitetura hostil. O Estatuto das Cidades, a lei Padre J\u00falio Lancellotti n\u00ba 14.489\/2022, pro\u00edbe esse tipo de constru\u00e7\u00e3o e estabelece a retirada dessas estruturas.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Em Ponta Grossa, s\u00e3o encontrados exemplos em v\u00e1rios pontos da regi\u00e3o central e do com\u00e9rcio, como no Clube Ponta Lagoa, localizado na rua Marechal Deodoro da Fonseca; no Banco Ita\u00fa, na rua Dr. Colares, nos Correios, que fica na rua Augusto Ribas, entre outros locais.\u00a0<\/span><br \/>\n<div id=\"attachment_5733\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-5733\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-5733\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/DSC_0156-300x201.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" \/><p id=\"caption-attachment-5733\" class=\"wp-caption-text\">Clube Ponta Lagoa Foto: Pietra Gasparini<\/p><\/div><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A arquitetura hostil n\u00e3o afeta apenas pessoas que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, mas tamb\u00e9m dificulta a acessibilidade de todos que fazem uso dos ambientes p\u00fablicos, tornando a cidade excludente. Situa\u00e7\u00f5es do cotidiano s\u00e3o\u00a0 impactadas por esses elementos hostis, como explica a professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unicesumar, Andressa Woytowicz Ferrari.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">\u201cEm paradas de \u00f4nibus, por exemplo, a falta bancos para evitar a longa perman\u00eancia de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua impede o descanso de pessoas idosas, m\u00e3es com crian\u00e7as, ou qualquer um que precise deste apoio\u201d, pontua, complementando que mesmo elementos que inicialmente n\u00e3o s\u00e3o julgados como hostis, como muros altos de condom\u00ednios residenciais, retratam hostilidade e s\u00e3o sinais claros de segrega\u00e7\u00e3o social que dividem\u00a0 e tornam os espa\u00e7os p\u00fablicos impessoais.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A professora ressalta que a arquitetura hostil n\u00e3o \u00e9 apenas um aspecto f\u00edsico, mas um problema social, econ\u00f4mico e pol\u00edtico que precisa ser analisado de forma mais profunda. \u201cA arquitetura hostil leva a sociedade a normalizar a hostilidade, pensar que \u00e9 algo natural e que podemos ser cada vez menos emp\u00e1ticos uns com os outros\u201d. Por isso, ela entende que os espa\u00e7os p\u00fablicos precisam ser pensados para todos, para que a segrega\u00e7\u00e3o social seja evitada e combatida.\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">De acordo com a defensora p\u00fablica e vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Defensores P\u00fablicos do Paran\u00e1 (ADEPAR), Ingrid Lima, o objetivo dessas constru\u00e7\u00f5es hostis \u00e9 afastar a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua dos espa\u00e7os comuns, e isso se caracteriza como aporofobia, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">um conceito para designar a avers\u00e3o a pobres<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. \u201cA aporofobia est\u00e1 totalmente ligada a pol\u00edticas p\u00fablicas que excluem as pessoas em raz\u00e3o da sua condi\u00e7\u00e3o de pobreza. O intuito dessas constru\u00e7\u00f5es \u00e9 que essas pessoas n\u00e3o sejam vistas e sejam cada vez mais afastadas dos locais de conv\u00edvio da comunidade\u201d, afirma.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A profissional cita o programa <\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/navegue-por-temas\/populacao-em-situacao-de-rua\/acoes-e-programas\/moradia-primeiro\"><span style=\"font-weight: 400\">Moradia Primeiro<\/span> <\/a><span style=\"font-weight: 400\">como uma das solu\u00e7\u00f5es efetivas para que o n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua diminua. O projeto \u00e9 uma iniciativa do governo federal baseado no modelo Housing First (Casa Primeiro),\u00a0 originalmente desenvolvido nos Estados Unidos, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">e que atualmente <\/span><span style=\"font-weight: 400\">possui dois projetos pilotos no Brasil: um em Curitiba, no Paran\u00e1, e outro em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Com a proposta de oferta de moradia, o projeto conta com servi\u00e7o de assist\u00eancia social e sa\u00fade. Al\u00e9m disso, prop\u00f5e que essas pessoas sejam acompanhadas por equipes multidisciplinares para que possam se restabelecer. Em Ponta Grossa, existe o <\/span><a href=\"https:\/\/www.ministeriomelhorviver.com\/sobre\"><span style=\"font-weight: 400\">Minist\u00e9rio Melhor Viver <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">que busca o acolhimento e ressocializa\u00e7\u00e3o de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, visando restaurar a dignidade atrav\u00e9s da oferta de oportunidades.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">De acordo com dados do Observat\u00f3rio <\/span><a href=\"https:\/\/app.powerbi.com\/view?r=eyJrIjoiY2IyZTI5NTQtNWRhZC00ODhhLWIyZTEtZjEzZDk2N2E0YzQ2IiwidCI6ImZiYTViMTc4LTNhZjEtNDQyMC05NjZiLWJmNTE2M2U2YjFkYSJ9\"><span style=\"font-weight: 400\">Nacional dos Direitos Humanos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, em 2023, foram registradas 570 pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua em Ponta Grossa. Segundo Ingrid Lima, para que essa situa\u00e7\u00e3o seja resolvida, a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas que envolvam \u00e1reas sociais b\u00e1sicas, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, e emprego s\u00e3o fundamentais.\u00a0<\/span><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A defensora p\u00fablica ressalta que a sociedade precisa compreender que existem in\u00fameras vulnerabilidade al\u00e9m da pobreza, como v\u00ednculos familiares interrompidos e quest\u00f5es de sa\u00fade. Ao entender isso e construir essas pol\u00edticas p\u00fablicas, \u00e9 poss\u00edvel ter um olhar mais humanizado para essa popula\u00e7\u00e3o.<\/span><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Mesmo com lei que pro\u00edbe, \u00e9 comum encontrar locais com elementos urbanos que impedem uso p\u00fablico Gradil, pontas de metal, bancos com divis\u00f3rias, blocos de concretos e cercas: esses s\u00e3o alguns dos elementos urbanos criados para evitar a circula\u00e7\u00e3o,\u00a0 perman\u00eancia e o uso p\u00fablico de determinados espa\u00e7os, principalmente para pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua.&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":846,"featured_media":5734,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5731"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/846"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5731"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5731\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}