{"id":5736,"date":"2024-09-06T20:56:38","date_gmt":"2024-09-06T23:56:38","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=5736"},"modified":"2024-09-06T20:56:38","modified_gmt":"2024-09-06T23:56:38","slug":"falta-de-conhecimento-sobre-violencia-obstetrica-resulta-em-baixo-numero-de-denuncias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/falta-de-conhecimento-sobre-violencia-obstetrica-resulta-em-baixo-numero-de-denuncias\/","title":{"rendered":"Falta de conhecimento sobre viol\u00eancia obst\u00e9trica resulta em baixo n\u00famero de den\u00fancias"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"font-weight: 400\">Em cinco anos, mais de 40 den\u00fancias de situa\u00e7\u00f5es vivenciadas foram recebidas pela Associa\u00e7\u00e3o das Doulas do Rio de Janeiro<\/span><\/em><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A Associa\u00e7\u00e3o das Doulas do Rio de Janeiro recebeu mais de 40 den\u00fancias de viol\u00eancia obst\u00e9trica entre 2019 e 2024, sendo quatro delas registradas em S\u00e3o\u00a0 Paulo, Santa\u00a0 Catarina, Paran\u00e1 e Bahia. As den\u00fancias foram feitas por meio de um<\/span><a href=\"https:\/\/violenciaobstetricafale.com.br\/\"><span style=\"font-weight: 400\"> canal de den\u00fancia online<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> do projeto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Doula a Quem Quiser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e encaminhadas para o N\u00facleo de Defesa dos Direitos da Mulher V\u00edtima de Viol\u00eancia de G\u00eanero (Nudem), da Defensoria P\u00fablica do Rio de Janeiro, que avalia a possibilidade de abrir um processo judicial para repara\u00e7\u00e3o de danos morais, f\u00edsicos ou psicol\u00f3gicos.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Segundo <\/span><a href=\"https:\/\/www.as.saude.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/livreto_violencia_obstetrica-2-1.pdf\"><span style=\"font-weight: 400\">cartilha do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, a\u00a0 viol\u00eancia obst\u00e9trica \u00e9 caracterizada pelo desrespeito \u00e0s pessoas que gestam, \u00e0 sua autonomia, ao seu corpo e seu processo reprodutivo, na gesta\u00e7\u00e3o, no parto ou no p\u00f3s parto, podendo se manifestar atrav\u00e9s da viol\u00eancia f\u00edsica, verbal\u00a0 ou sexual e pela realiza\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es e procedimentos desnecess\u00e1rios ou sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A doula, educadora e uma das criadoras do projeto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Doula a quem quiser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> da Associa\u00e7\u00e3o de Doulas do Rio de Janeiro, Paula Inara, acredita\u00a0 que o receio em denunciar parte do desconhecimento, vergonha e falta de cren\u00e7a de que a den\u00fancia ser\u00e1 ouvida. Por\u00e9m, sempre que um caso \u00e9 veiculado ou divulgado na m\u00eddia, o n\u00famero de den\u00fancias no site e na ouvidoria da ADOULAS aumenta. Ela afirma a necessidade da cria\u00e7\u00e3o de um disque den\u00fancia em todos os estados do Brasil. \u201cOs abusos e viol\u00eancias obst\u00e9tricas acontecem em todos os estados, e todas as mulheres precisam ter acesso a esse canal de den\u00fancias.\u201d\u00a0<\/span><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<b>Hist\u00f3rias de viol\u00eancia\u00a0<\/b><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Janete Dalcol compartilhou a hist\u00f3ria do parto de seu quinto filho, no qual sofreu viol\u00eancia obst\u00e9trica. Paulo Henrique nasceu quando Janete tinha 43 anos, ela decidiu fazer a laqueadura junto ao parto, pois n\u00e3o tinha sa\u00fade para enfrentar mais uma gesta\u00e7\u00e3o. Durante a gravidez, teve muitas complica\u00e7\u00f5es e foi orientada pelo obstetra a fazer a cesariana quando estava com 36 semanas.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s o parto, o bebe n\u00e3o reagia. \u201cQuando o meu obstetra entrou no quarto eu estava muito nervosa, chorando muito, e perguntei pra ele: \u2018Doutor, e agora? O senhor fala que estava na hora de fazer a cesariana e o beb\u00ea n\u00e3o est\u00e1 reagindo\u2019, e ele olhou pra mim rindo e disse: \u2019N\u00e3o se preocupe, vai ficar tudo bem\u2019, como se eu fosse um nada para ele, como se a vida do meu filho n\u00e3o importasse\u201d, contou. Ela relatou que nessa hora se sentiu\u00a0 abandonada e sozinha e que se desespera ao lembrar que tudo isso aconteceu porque era final de ano e o obstetra iria viajar, ent\u00e3o queria que o parto acontecesse logo, por isso recomendou a cesariana t\u00e3o cedo.\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A m\u00e3e tamb\u00e9m conta que sofreu com a anestesia. \u201cO anestesista furou minhas costas duas vezes e eu falei pra ele que estava doendo muito, a dor era horr\u00edvel e eu n\u00e3o conseguia me abaixar na posi\u00e7\u00e3o que o m\u00e9dico mandava, ent\u00e3o ele falou alto e grosso: \u2018Abaixa mais, assim n\u00e3o vai ter condi\u00e7\u00e3o\u2019 ,gritando\u201d.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Janete afirma que hoje em dia o seu filho est\u00e1 bem e saud\u00e1vel, mas que se culpa por ter deixado fazerem a cesariana. \u201cEu carrego essa culpa, eu me culpo o tempo inteiro, o m\u00e9dico deveria ter me orientado. Isso me trouxe traumas que at\u00e9 hoje eu n\u00e3o consigo superar, al\u00e9m de que ainda tenho muita dor na barriga. Vai fazer 10 anos e tem momentos que eu passo o dia inteiro com o barulho da UTI no meu ouvido\u201d, lembra. Ela ressalta que poderia ter evitado todo esse trauma se tivesse o apoio de algu\u00e9m que falasse que era poss\u00edvel realizar a laqueadura depois, e que n\u00e3o precisava ter feito a cesariana, caso tivesse mais informa\u00e7\u00e3o sobre o assunto.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A psic\u00f3loga neonatal, Nicole Lemos dos Santos, fala sobre a dificuldade em identificar e denunciar a viol\u00eancia obst\u00e9trica. Segundo ela, isso acontece devido \u00e0 falta de informa\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 normal e o que se caracteriza como viol\u00eancia obst\u00e9trica dentro de um processo gestacional e de parto.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Nicole esclarece que a percep\u00e7\u00e3o se torna dif\u00edcil para a mulher devido a situa\u00e7\u00e3o, na qual ela est\u00e1 com dor, medo, ansiedade e todas as emo\u00e7\u00f5es envolvidas no nascimento de seu beb\u00ea. Por isso, \u00e9 muito importante tamb\u00e9m que o acompanhante esteja bem informado. \u201cA informa\u00e7\u00e3o sobre os tipos de viol\u00eancia obst\u00e9trica auxilia muito na preven\u00e7\u00e3o dessa situa\u00e7\u00e3o.Tanto a gestante quanto o acompanhante de parto precisam estar bem informados sobre o assunto\u201d.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A psic\u00f3loga alerta sobre a import\u00e2ncia de buscar acompanhamento psicol\u00f3gico em casos de viol\u00eancia obst\u00e9trica para trabalhar os poss\u00edveis traumas e transtornos causados. Al\u00e9m disso, afirma que \u00e9 fundamental realizar a den\u00fancia. \u201cIsso ajuda muito a diminuir as chances de que aconte\u00e7a com outras mulheres ou at\u00e9 com elas mesmas novamente. Quanto mais den\u00fancias houverem, mais isso ser\u00e1 evitado\u201d, comenta. Nicole pontua a necessidade de transmitir a quem j\u00e1 sofreu esse tipo de viol\u00eancia, que nenhuma mulher tem culpa por ter passado por isso. Os \u00fanicos culpados s\u00e3o aqueles que praticaram tais atos.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Na vis\u00e3o da psic\u00f3loga neonatal Ver\u00f4nica Mendes, a viol\u00eancia obst\u00e9trica \u00e9 uma grande causadora da mortalidade materna e do beb\u00ea e que isso n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o apenas do parto ou p\u00f3s parto. \u201cA gente considera como dados da mortalidade materna, tanto na gesta\u00e7\u00e3o, quanto 40 dias ap\u00f3s o parto, quando, por exemplo, a mulher j\u00e1 est\u00e1 em casa e ocorre hemorragia interna, quest\u00f5es de cicatriza\u00e7\u00e3o e infec\u00e7\u00e3o nos cortes\u201d, comenta.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A profissional tamb\u00e9m fala sobre as consequ\u00eancias que este tipo de viol\u00eancia pode causar na vida da m\u00e3e e do beb\u00ea. Segundo ela, al\u00e9m do trauma, pode desencadear diversos transtornos mentais, desde estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, tocofobia, caracterizado pelo medo de ficar gr\u00e1vida novamente, depress\u00e3o p\u00f3s parto e dificuldade de criar v\u00ednculo com o beb\u00ea.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">O levantamento Nascer no Brasil, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que 30% das mulheres atendidas em hospitais privados em 2012 sofreram viol\u00eancia obst\u00e9trica. No Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), a taxa foi de 45%.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m do Disque do projeto Doula a Quem Quiser, a viol\u00eancia obst\u00e9trica pode ser denunciada\u00a0 por meio do <\/span><a href=\"https:\/\/www.defensoriapublica.pr.def.br\/Formulario\/Formulario-para-Registro-de-Violencia-Obstetrica\"><span style=\"font-weight: 400\">canal de den\u00fancias on-line <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0do N\u00facleo de Promo\u00e7\u00e3o e Defesa dos Direitos das Mulheres (NUDEM) da Defensoria P\u00fablica do Estado do Paran\u00e1, no Disque Sa\u00fade (136) ou no Disque viol\u00eancia contra a Mulher (180). <\/span><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cinco anos, mais de 40 den\u00fancias de situa\u00e7\u00f5es vivenciadas foram recebidas pela Associa\u00e7\u00e3o das Doulas do Rio de Janeiro A Associa\u00e7\u00e3o das Doulas do Rio de Janeiro recebeu mais de 40 den\u00fancias de viol\u00eancia obst\u00e9trica entre 2019 e 2024, sendo quatro delas registradas em S\u00e3o\u00a0 Paulo, Santa\u00a0 Catarina, Paran\u00e1 e Bahia. 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