{"id":5748,"date":"2024-09-11T15:42:29","date_gmt":"2024-09-11T18:42:29","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=5748"},"modified":"2024-09-11T15:42:29","modified_gmt":"2024-09-11T18:42:29","slug":"parana-registra-alta-nos-numeros-de-abandono-paternal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/parana-registra-alta-nos-numeros-de-abandono-paternal\/","title":{"rendered":"Paran\u00e1 registra alta nos n\u00fameros de abandono paternal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 500\">Dados do Anu\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica demonstram tend\u00eancia crescente no abandono afetivo e material<\/span><\/i><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-5750 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/1-1-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"359\" height=\"359\" \/><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">De acordo com dados do Sistema Nacional de A<\/span><span style=\"font-weight: 500\">do\u00e7\u00e3o e Acolhimento (SNA), 8 crian\u00e7as s\u00e3o abandonadas por dia no Brasil. No Paran\u00e1, segundo o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a Brasileira, a cada 200 mil crian\u00e7as (entendidas pelo documento como crian\u00e7as e adolescentes, de 0 a 17 anos), cerca de 24 delas foram abandonadas pelos pais.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">A taxa de abandono parental no Paran\u00e1, que considera um caso a cada 100 mil indiv\u00edduos, apresenta uma crescente desde 2020. Atualmente, os n\u00fameros aumentaram em todas as faixas et\u00e1rias, principalmente dos 5 aos 9, dos 10 aos 13, e dos e 14 a 17, com um aumento de 24,1%, 20,4% e 34,3%, respectivamente.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">Irene Nunes da Silva, funcion\u00e1ria p\u00fablica de 52 anos, foi abandonada pelo seu pai, quando tinha 16 anos. De acordo com a ela, seu pai traiu sua m\u00e3e e possu\u00eda v\u00edcio em jogos de azar, o que resultou num div\u00f3rcio conturbado. \u201cFoi bem triste. Inclusive, no auge da hist\u00f3ria, eu ajudei e encorajei a m\u00e3e a colocar ele pra fora de casa\u201d, relata.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">O distanciamento, em suas circunst\u00e2ncias acentuadas, fez com que a rela\u00e7\u00e3o de Irene com seu pai fosse profundamente ferida. \u201cComo eu ajudei a m\u00e3e a colocar o pai pra fora de casa, ele saiu rogando praga na gente, que n\u00f3s nunca \u00edamos ser ningu\u00e9m na vida, sabe?\u201d, conta a mulher. Como a mais velha de duas irm\u00e3s, a mulher foi mais presente na discuss\u00e3o que acarretou no div\u00f3rcio e, ap\u00f3s isso, seu pai cortou a comunica\u00e7\u00e3o por anos. Al\u00e9m do abandono afetivo, o pai de Irene n\u00e3o pagava pens\u00e3o, o que configura abandono material.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">Para as m\u00e3es das crian\u00e7as abandonadas, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave, como afirma Kathleen Van de Riet, psic\u00f3loga familiar e professora do curso de Psicologia na Cescage. Enquanto a vis\u00e3o de que ela \u00e9 a m\u00e3e de uma crian\u00e7a que foi abandonada \u00e9 majorit\u00e1ria, \u00e9 necess\u00e1rio ressaltar que anteriormente a isso, aquela mulher \u00e9 algu\u00e9m que foi abandonada pelo seu c\u00f4njuge. \u201cA palavra c\u00f4njuge vem de conjunto, \u00e9 aquela pessoa com quem decidimos construir a vida em conjunto\u201d, diz Kathleen, \u201cEnt\u00e3o, para a mulher, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre um processo de parentalidade, tipo, meu companheiro parental, mas \u00e9 sobre o companheiro relacional tamb\u00e9m.\u201d<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">Tudo isso pode culminar na solid\u00e3o parental da m\u00e3e, que foi abandonada enquanto m\u00e3e e como parceira de vida. Dessa maneira, as mulheres podem se ver numa situa\u00e7\u00e3o de sobrecarga, seja emocional, f\u00edsica, psicol\u00f3gica ou de trabalho.<\/span><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-5751 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"394\" height=\"394\" \/><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">O abandono de incapaz, de acordo com o artigo n\u00b0 133 do C\u00f3digo Penal, se configura como crime com puni\u00e7\u00e3o de seis meses a tr\u00eas anos de reclus\u00e3o, com agravantes que podem aumentar a pena. Se caracteriza como crime o ato de isentar-se dos cuidados de algu\u00e9m que, de outra forma, seria incapaz de defender-se dos riscos do abandono.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">Para os filhos, as consequ\u00eancias s\u00e3o duradouras e podem impactar sua vida em diversas \u00e1reas. \u201cA gente tem o processo de inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a relacionamentos, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o financeira. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, s\u00e3o pessoas muito inseguras. S\u00e3o pessoas, \u00e0s vezes, muito intensas e muito&#8230; Que, \u00e0s vezes, s\u00e3o muito impulsivas.\u201d afirma a profissional de psicologia. Ainda, a psic\u00f3loga diz que essas crian\u00e7as abandonadas possuem a tend\u00eancia de procurar apoio em lugares onde possam sentir a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a (mesmo que n\u00e3o verdadeira), como relacionamentos abusivos e depend\u00eancia qu\u00edmica.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">O abandono material, criminalizado pelo artigo n\u00b0 244 do C\u00f3digo Penal, se caracteriza quando algu\u00e9m, que possui obriga\u00e7\u00e3o de auxiliar financeiramente (seja seu c\u00f4njuge, filhos com menos de 18 anos ou pais idosos) deixa de cumprir com tal responsabilidade. Segundo o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, a m\u00e9dia geral que contabiliza todas as faixas et\u00e1rias (crian\u00e7as e adolescentes de 0 a 17 anos), no Paran\u00e1 teve uma baixa. No entanto, ao analisar de maneira espec\u00edfica, a taxa de abandono, contabilizando um caso a cada 100 mil, aumentou nas faixas de 5 a 9, e 10 a 13 anos.<\/span><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-5752 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/3-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"448\" \/><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">O abandono afeta negativamente a vida de quem \u00e9 v\u00edtima. Para Irene, toda a experi\u00eancia fez com que desenvolvesse traumas que ela levou consigo para sua vida adulta, al\u00e9m de todo o sofrimento emocional no momento do abandono propriamente dito. \u201cNaquela \u00e9poca, eu lembro que eu chorava muito, al\u00e9m de triste eu me senti decepcionada, porque voc\u00ea imagina uma pessoa e de repente descobre que ela \u00e9 outra\u201d, conta ela. O trauma em sua vida emocional fez com que criasse receio de repetir o ciclo em seus relacionamentos, o que gera um descontentamento e desgaste em rela\u00e7\u00f5es interpessoais.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">Infelizmente, Irene se viu em uma situa\u00e7\u00e3o parecida com a de sua m\u00e3e. Seu ent\u00e3o parceiro a traiu, ocasionando outro t\u00e9rmino doloroso em sua vida. A mulher, agora m\u00e3e, reconhece que situa\u00e7\u00f5es como essa afetam suas crian\u00e7as, \u201cO que eu acho \u00e9 que d\u00f3i muito voc\u00ea n\u00e3o ter um pai presente em v\u00e1rios momentos. Sinto isso hoje na vida dos meus filhos, porque eles n\u00e3o t\u00eam o pai presente e eu passei por isso\u201d.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">Kathleen explica o fen\u00f4meno que pode justificar a exist\u00eancia de ciclos de relacionamentos abusivos e abandonos. \u201cA gente chama isso inclusive de transgeracionalidade, \u00e9 o entendimento de que costumes e valores e comportamentos, inclusive estruturas e familiares, elas v\u00e3o passadas gera\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, a gente aprende com os nossos pais o que \u00e9 ser fam\u00edlia. Eles aprenderam isso com os pais deles, que aprenderam os pais deles, que aprenderam com os pais deles.\u201d A profissional ainda explica que, em vista de romper o ciclo do trauma geracional, \u00e9 necess\u00e1rio apoio psicol\u00f3gico e comunica\u00e7\u00e3o intrafamiliar.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">Ao ser questionada sobre como funciona a psique do homem que abandona seu filho, Kathleen diz que existe um processo de quebra, e quase um luto para ele. \u201cExiste um papel que vai ser quebrado assim que ele pisar fora de casa, sair da vida familiar, vai existir uma quebra relacional muito grande\u201d. Mesmo assim, a psic\u00f3loga afirma que essa n\u00e3o \u00e9 uma regra que se aplica a todos os pais, mas que \u00e9 v\u00e1lido pensar caso a caso, e que dificilmente o abandono \u00e9 uma decis\u00e3o impulsiva.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">\u201cVoc\u00ea s\u00f3 se torna pai se voc\u00ea tiver filhos. \u00c9 a \u00fanica forma de voc\u00ea conseguir esse papel. \u00c9 quando algu\u00e9m olha para voc\u00ea e fala \u2018voc\u00ea \u00e9 o meu pai\u2019.\u201d Ao optar por abandonar o filho, o homem tamb\u00e9m abandona parte de sua identidade, o \u00fanico fator que faz dele um pai, e a psic\u00f3loga assegura que \u00e9 um processo complicado, possivelmente doloroso tamb\u00e9m.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 500\">Irene afirma que, apesar de todas as adversidades, aprendeu a lidar com a perda e, ap\u00f3s saber de toda a situa\u00e7\u00e3o e erros de seu pai, se tornou mais f\u00e1cil viver sem ele em sua vida. \u201cEnt\u00e3o, independente de tudo o que aconteceu, tanto com o meu pai como com o meu marido, eu n\u00e3o parei de acreditar que a gente pode sim achar uma pessoa que seja leal, que seja parceira, que possa conviver com a gente. Ent\u00e3o a \u00fanica coisa que eu deixaria de mensagem \u00e9: n\u00e3o desista\u201d, conclui.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Texto por Ester Roloff e Victor Schinato<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Infogr\u00e1ficos por Victor Schinato<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados do Anu\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica demonstram tend\u00eancia crescente no abandono afetivo e material De acordo com dados do Sistema Nacional de Ado\u00e7\u00e3o e Acolhimento (SNA), 8 crian\u00e7as s\u00e3o abandonadas por dia no Brasil. 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