{"id":6008,"date":"2024-10-28T19:21:29","date_gmt":"2024-10-28T22:21:29","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=6008"},"modified":"2024-10-28T19:21:29","modified_gmt":"2024-10-28T22:21:29","slug":"parana-e-o-estado-com-maior-numero-de-doacoes-de-orgaos-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/parana-e-o-estado-com-maior-numero-de-doacoes-de-orgaos-do-brasil\/","title":{"rendered":"Paran\u00e1 \u00e9 o estado com maior n\u00famero de doa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os do Brasil\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\">As maiores filas s\u00e3o para transplante de rim, c\u00f3rneas e f\u00edgado<\/p>\n<p>De acordo com dados da Secretaria da Sa\u00fade do Paran\u00e1, o Estado tem o maior n\u00famero de doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os por milh\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds (pmp). \u00c9 o estado l\u00edder nacional de transplante de rins e o terceiro em transplantes de f\u00edgado. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplante de \u00d3rg\u00e3os (ABTO), o Paran\u00e1 registra 42,3 pmp, seguido de Santa Catarina com 40,7 pmp e Rond\u00f4nia com 40,5 pmp.<br \/>\nKaroline Fernandes, de 22 anos, mora em Ponta Grossa e fez um transplante de rim aos 6 anos de idade. Ela come\u00e7ou a ter os primeiros sintomas de insufici\u00eancia renal quando tinha 4 anos. Do per\u00edodo em que a doen\u00e7a foi descoberta at\u00e9 o transplante foram dois anos de idas e vindas ao hospital; na maior parte desse tempo ela ficou internada realizando di\u00e1lise peritoneal.<br \/>\nO rim foi doado pela sua m\u00e3e. \u201cNo momento em que minha m\u00e3e soube que era poss\u00edvel doar o rim dela para mim, ela n\u00e3o pensou duas vezes, logo fez os exames necess\u00e1rios e passou no teste de compatibilidade\u201d.<br \/>\nKaroline explica que o processo de encontrar um doador \u00e9 muito mais r\u00e1pido se um familiar se dispuser a doar, como foi seu caso. Segundo ela, a fila de espera \u00e9 muito demorada porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 preciso ter quem doe e quem receba, \u00e9 preciso ter compatibilidade. Por isso, Karoline ressalta a import\u00e2ncia da doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, que est\u00e1 na possibilidade de dar mais uma chance de vida a algu\u00e9m, pois muitas vezes o transplante \u00e9 a \u00faltima sa\u00edda de um paciente. Antes disso, s\u00e3o feitos diversos tratamentos e apenas em extrema necessidade \u00e9 realizado o transplante.<br \/>\nLuiz Sergio Pedroso, de Irati, teve glomerulonefrite nos rins e precisou de um transplante. Entre o diagn\u00f3stico at\u00e9 a hemodi\u00e1lise demorou cerca de seis anos; ap\u00f3s isso ele fez nove meses de hemodi\u00e1lise, tr\u00eas vezes na semana, quatro horas por dia na m\u00e1quina.<br \/>\nDurante esses anos ele foi chamado ao hospital para transplantar, mas na hora n\u00e3o foi compat\u00edvel. Luiz tem mais tr\u00eas irm\u00e3os, todos com o mesmo tipo sangu\u00edneo que ele. \u201cMeu irm\u00e3o tinha 100% de compatibilidade, mas faleceu em um acidente de tr\u00e2nsito e n\u00e3o houve chance de aproveitar os \u00f3rg\u00e3os&#8221;. Sua outra irm\u00e3, que tinha 50% de compatibilidade, tinha problemas no \u00fatero e teria que fazer cirurgia para depois realizar o transplante. Em conjunto com a m\u00e9dica, a decis\u00e3o foi realizar exames para o transplante com a terceira irm\u00e3, que tinha 25% de compatibilidade, por\u00e9m na semana que estavam fazendo os exames ele foi chamado para concorrer ao rim de um poss\u00edvel doador, e assim realizou o transplante em maio de 2014. Hoje, 10 anos ap\u00f3s o transplante, Pedroso nunca teve problemas com a rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o e faz exames a cada seis meses para monitorar, al\u00e9m dos cuidados com medicamentos e alimenta\u00e7\u00e3o. Ele afirma que a doa\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00faltima chance de sobreviv\u00eancia de muitas pessoas. &#8220;Para os familiares do doador, ver as pessoas transplantadas e bem com os \u00f3rg\u00e3os de seu ente querido costuma ser muito gratificante tamb\u00e9m\u201d, acrescenta.<br \/>\nPedroso considera que a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os \u00e9 um ato generoso que pode salvar at\u00e9 oito vidas e melhorar a qualidade de vida, por\u00e9m existe uma escassez de doadores, por isso a conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial. \u201cA desinforma\u00e7\u00e3o leva a muitas nega\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os, \u00e9 importante que as pessoas conversem com seus familiares sobre o desejo de doar&#8221;, ressalta.<br \/>\n<strong>Incentivo \u00e0s doa\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nDados do Registro Brasileiro de Transplantes apontam que o Paran\u00e1 possui a menor taxa de recusa familiar para doa\u00e7\u00e3o do Brasil, com 27%, enquanto a m\u00e9dia brasileira foi de 42%. O coordenador da Comiss\u00e3o Intra-Hospitalar de Doa\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os e Tecidos (CIHDOTT) do Hospital Universit\u00e1rio (HU), Guilherme Arcaro, destaca a import\u00e2ncia de que o desejo de ser doador seja compartilhado com a fam\u00edlia em vida, visto que no Brasil a retirada de \u00f3rg\u00e3os s\u00f3 pode ser realizada ap\u00f3s a autoriza\u00e7\u00e3o familiar.<br \/>\nA falta de conhecimento sobre a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os faz com que muitas fam\u00edlias recusem a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o de um ente querido. Arcaro explica que muitas fam\u00edlias t\u00eam d\u00favida sobre a declara\u00e7\u00e3o da morte encef\u00e1lica (ME), pela confus\u00e3o quanto ao estado vegetativo. \u201cA ME \u00e9 um diagn\u00f3stico irrevers\u00edvel de que n\u00e3o existe funcionamento no c\u00e9rebro, enquanto no estado vegetativo, apesar de existir uma disfun\u00e7\u00e3o cerebral severa, existem ind\u00edcios de funcionamento, que s\u00e3o detect\u00e1veis nos exames cl\u00ednicos e complementares realizados durante a investiga\u00e7\u00e3o da ME\u201d.<br \/>\nEm Ponta Grossa, todos os hospitais devem ter Comiss\u00f5es Intra-Hospitalares de Doa\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os e Tecidos para Transplante \u2013 CIHDOTTs institu\u00eddas, com composi\u00e7\u00e3o de acordo com o n\u00famero de \u00f3bitos ocorridos anualmente. \u201cOs hospitais possuem profissionais que realizam diariamente busca ativa de pacientes em estado de coma arreativo ou d\u00e9ficit neurol\u00f3gico grave na busca pelo diagn\u00f3stico precoce de morte cerebral, procurando oportunizar \u00e0s fam\u00edlias a possibilidade de salvar vidas com o aceite da doa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o coordenador. Segundo ele, no Paran\u00e1 existe um Sistema Estadual de Transplantes que trabalha em contato di\u00e1rio com as CIHDOTTs certificando que o processo de identifica\u00e7\u00e3o de morte encef\u00e1lica e as doa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os ocorram sem imprevistos.\u201dNos \u00faltimos anos, o Paran\u00e1 tem mantido este destaque, devemos isso tamb\u00e9m \u00e0 solidariedade dos paranaenses\u201d.<br \/>\nSobre a doa\u00e7\u00e3o entre vivos, Guilherme ressalta que ela s\u00f3 acontece se n\u00e3o representar nenhum problema de sa\u00fade para a pessoa que doa e que s\u00f3 podem ser doados \u00f3rg\u00e3os duplos como o rim, ou partes de um \u00f3rg\u00e3o como p\u00e2ncreas e f\u00edgado, ou ainda, tecidos como a medula \u00f3ssea.<br \/>\nPela legisla\u00e7\u00e3o vigente, quem autoriza a doa\u00e7\u00e3o em caso de morte encef\u00e1lica \u00e9 a fam\u00edlia do cidad\u00e3o. Al\u00e9m de deixar a fam\u00edlia ciente do desejo de doar, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel manifestar sua vontade por meio de uma autoriza\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica oficial que pode ser feita gratuitamente pelo site www.aedo.org.br.<br \/>\nPor meio desse sistema \u00e9 poss\u00edvel escolher quais \u00f3rg\u00e3os deseja doar. O documento passa por alguns processos para verificar a identidade do cidad\u00e3o, como videoconfer\u00eancia e assinatura digital, e depois fica dispon\u00edvel para consulta pelo CPF do falecido, feita pelos respons\u00e1veis do Sistema Nacional de Transplantes, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Realizada essa autoriza\u00e7\u00e3o, em caso de necessidade, o m\u00e9dico poder\u00e1 acessar a declara\u00e7\u00e3o e apresentar o desejo do paciente em \u00f3bito para a fam\u00edlia que, caso n\u00e3o saiba, fica ciente, o que facilita a tomada de decis\u00e3o e a autoriza\u00e7\u00e3o da doa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPor Amanda Grzebielucka e Pietra Gasparini<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As maiores filas s\u00e3o para transplante de rim, c\u00f3rneas e f\u00edgado De acordo com dados da Secretaria da Sa\u00fade do Paran\u00e1, o Estado tem o maior n\u00famero de doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os por milh\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds (pmp). \u00c9 o estado l\u00edder nacional de transplante de rins e o terceiro em transplantes de f\u00edgado. 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