{"id":6054,"date":"2024-11-13T19:01:52","date_gmt":"2024-11-13T22:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=6054"},"modified":"2024-11-13T19:01:52","modified_gmt":"2024-11-13T22:01:52","slug":"festival-nacional-de-teatro-inaugura-reflexao-sobre-a-condicao-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/festival-nacional-de-teatro-inaugura-reflexao-sobre-a-condicao-humana\/","title":{"rendered":"Festival Nacional de Teatro inaugura reflex\u00e3o sobre a condi\u00e7\u00e3o humana"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Direitos das profissionais do sexo e analfabetismo emocional s\u00e3o temas de pe\u00e7as do festival<\/span><\/i><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-6048 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/IMG_5390-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" \/><\/p>\n<pre style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Anteriormente jurada e debatedora do festival, Guta Stresser\nretorna como atriz.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Foto: Victor Schinato<\/span><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">A 52\u00b0 edi\u00e7\u00e3o do <\/span><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/fenata\/programacao\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Festival Nacional de Teatro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (Fenata) iniciou no dia 7. A programa\u00e7\u00e3o principal conta com 37 espet\u00e1culos, com companhias de teatro do Brasil todo e artistas que, em sua subjetividade, muitas vezes tratam de temas que tocam nos direitos humanos.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">O Fenata \u00e9 organizado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o de Apoio a UEPG (FAUEPG) e possui apoio de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos como as secretarias municipais de Turismo e Cultura, o Minist\u00e9rio da Cultura e \u00e9 tamb\u00e9m participante da Lei de Incentivo \u00e0 Cultura (Lei Rouanet).<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">No segundo dia do evento, 8 de novembro, foram apresentadas no Cine-Teatro \u00d3pera as pe\u00e7as \u201cMeretrizes\u201d, do Coletivo Gompa de Porto Alegre-RS; e \u201cOs Analfabetos\u201d, da Cia \u00c0 Curitibana Port\u00e1til, de Curitiba. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m foram performadas \u201cMortes Ardentes, Paix\u00f5es Enterradas\u201d e \u201cIepe\u201d, na Esta\u00e7\u00e3o Saudade e no Audit\u00f3rio da UEPG Central.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-6051 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/IMG_5319-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<pre style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">As artistas cedem o espa\u00e7o no palco para que as mulheres entrevistadas\npossam responder perguntas. Foto: Victor Schinato<\/span><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><b>\u201cMeretrizes\u201d: um document\u00e1rio ao vivo sobre a prostitui\u00e7\u00e3o no Brasil<\/b><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">O espet\u00e1culo \u201cMeretrizes\u201d, do Coletivo Gompa de Porto Alegre, \u00e9 uma colet\u00e2nea de relatos, entrevistas, filmagens e encena\u00e7\u00f5es que remontam \u00e0s experi\u00eancias coletivas de prostitutas no pa\u00eds. Liane Venturella assume o papel de uma cafetina que, no palco trajado de casa de shows, performa um document\u00e1rio ao vivo juntamente com Catarina Domenici no piano.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Liane inicia a pe\u00e7a contando sua hist\u00f3ria de vida, que segundo ela, pouco importa se \u00e9 verdade ou n\u00e3o. Na fala da artista, ela retoma o passado quando foi para Londres e n\u00e3o tinha renda suficiente para pagar curso de atua\u00e7\u00e3o e de ingl\u00eas ao mesmo tempo, situa\u00e7\u00e3o que motivou Liane a ingressar na prostitui\u00e7\u00e3o. Hist\u00f3ria semelhante aconteceu com Catarina. Como mencionado pelas artistas, a veracidade \u00e9 insignificante, porque a hist\u00f3ria aconteceu repetidas vezes, com mulheres o suficiente, para que tenha se tornado uma suposta verdade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A partir da proje\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos gravados pela produ\u00e7\u00e3o do Coletivo Gompa, profissionais do sexo podem expor suas verdades e viv\u00eancias, sem romantiza\u00e7\u00f5es ou demoniza\u00e7\u00f5es, como aponta Liane. Para as mulheres que escolheram n\u00e3o se identificar, foram criadas linhas de texto que, atrav\u00e9s da encena\u00e7\u00e3o e m\u00fasica, podem exemplificar as viv\u00eancias gerais de todas aquelas que trabalham com sexo.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao final do espet\u00e1culo, o teatro se mescla a uma palestra e mulheres que participaram dos v\u00eddeos podem responder a d\u00favidas do p\u00fablico, sejam elas sobre o roteiro, produ\u00e7\u00e3o ou a vida das mulheres que trabalham com sexo.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Jane Felipe Beltr\u00e3o e Andrea Ferreira Bispo, pesquisadoras sobre o direito de trabalhadoras sexuais, em um ensaio para a revista <\/span><a href=\"https:\/\/www.saudeemdebate.org.br\/sed\/article\/view\/8507\"><span style=\"font-weight: 400\">Sa\u00fade em Debate<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, afirmam que atualmente existem tr\u00eas rea\u00e7\u00f5es poss\u00edveis ao trabalho sexual: o proibicionismo; o abolicionismo; e a regulamentarismo. Pa\u00edses como Tail\u00e2ndia e Ir\u00e3 assumem uma postura proibicionista, com pena monet\u00e1ria ou f\u00edsica em casos de infra\u00e7\u00e3o. O Brasil se enquadra como abolicionista, na \u00f3tica de que prostitutas ocupam um local de v\u00edtima, n\u00e3o proibindo o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o, mas cerceando a\u00e7\u00f5es que colaborem para a prostitui\u00e7\u00e3o. A regulamenta\u00e7\u00e3o presume a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que protejam os direitos constitucionais e a seguran\u00e7a de profissionais do sexo.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">De um ponto de vista penal, o trabalho sexual n\u00e3o \u00e9 crime. \u00c9 crime apenas ter uma casa de prostitui\u00e7\u00e3o, induzir uma pessoa a se prostituir ou viver \u00e0s custas da prostitui\u00e7\u00e3o de outra pessoa. Todos esses crimes buscam, em \u00faltima inst\u00e2ncia, proteger os profissionais do sexo contra abusos de terceiros.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Desde 2002, o Minist\u00e9rio do Trabalho reconhece o trabalho sexual como ocupa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o c\u00f3digo 5198 da <\/span><a href=\"https:\/\/empregabrasil.mte.gov.br\/76\/cbo\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Classifica\u00e7\u00e3o Brasileira de Ocupa\u00e7\u00f5es<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, intitulada \u201cprofissionais do sexo\u201d. No entanto, vale lembrar que esses profissionais n\u00e3o disp\u00f5em de nenhum direito trabalhista ou previdenci\u00e1rio, porque n\u00e3o h\u00e1 uma lei que regulamente a profiss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-6049 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/IMG_5387-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<pre style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">A constru\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a conta com apenas lanternas seguradas pelos atores\ne luz negra.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Foto: Victor Schinato<\/span><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><b>&#8220;Os Analfabetos&#8221;: Espet\u00e1culo aborda a incomunicabilidade e os direitos humanos relacionados \u00e0 express\u00e3o emocional<\/b><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">A pe\u00e7a &#8220;Os Analfabetos&#8221;, dirigida por Adriano Petermann e escrita por Paula Goja, \u00e9 um drama psicol\u00f3gico que se prop\u00f5e a explorar temas relevantes aos direitos humanos, como o respeito m\u00fatuo \u00e0 subjetividade de outros indiv\u00edduos.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria gira em torno de seis personagens que, apesar de diferentes entre si, compartilham um desafio comum: a luta para equilibrar a necessidade de adequa\u00e7\u00e3o social com o desejo de expressar emo\u00e7\u00f5es genu\u00ednas. Inspirado pela obra do cineasta sueco Ingmar Bergman, o texto utiliza refer\u00eancias diretas e indiretas \u00e0 incomunicabilidade emocional e ao isolamento interno que muitas vezes define as rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Elementos das obras da escritora francesa Virginie Despentes e do dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues s\u00e3o incorporados, criando uma narrativa que aborda a complexidade emocional dos personagens de maneira crua e honesta.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Os Analfabetos&#8221; exp\u00f5e a incomunicabilidade como uma barreira invis\u00edvel, mas real, que impede os indiv\u00edduos de se entenderem plenamente e de serem compreendidos em sua totalidade. Os personagens se veem obrigados a usar &#8220;m\u00e1scaras&#8221; para desempenhar pap\u00e9is sociais, uma pr\u00e1tica que, conforme ilustrado no espet\u00e1culo, pode levar a um distanciamento da pr\u00f3pria identidade e a um aumento do sofrimento ps\u00edquico. Esse aspecto dialoga diretamente com a <\/span><a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/declaracao-universal-dos-direitos-humanos\"><span style=\"font-weight: 400\">Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, que assegura a liberdade de pensamento e express\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Em muitos aspectos, &#8220;Os Analfabetos&#8221; defende a ideia de que as pessoas t\u00eam o direito de ser aut\u00eanticas e de expressar suas vulnerabilidades, sem medo de julgamento ou repres\u00e1lias. No contexto da pe\u00e7a, esse direito \u00e9 frequentemente negligenciado pela sociedade, que exige de cada pessoa uma atua\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e controlada. A cria\u00e7\u00e3o de um ambiente seguro onde esses sentimentos podem ser externalizados \u00e9 fundamental para o fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es humanas e para o reconhecimento da diversidade emocional de cada indiv\u00edduo. Os personagens de &#8220;Os Analfabetos&#8221; questionam esse paradigma ao explorar suas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es e car\u00eancias, levantando a quest\u00e3o: at\u00e9 que ponto somos capazes de enxergar o outro al\u00e9m da m\u00e1scara social?<\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao focar no analfabetismo sentimental, &#8220;Os Analfabetos&#8221; lembra o p\u00fablico de que a empatia \u00e9 uma habilidade essencial para o fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es humanas e para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade inclusiva.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-6050 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/IMG_5376-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<pre style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Mariana, personagem de Guta Stresser, \u00e9 a pe\u00e7a central da trama.\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Foto: Victor Schinato<\/span><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: right\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Por Julio Maroneze, Maria Gallinea e Victor Schinato<\/span><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direitos das profissionais do sexo e analfabetismo emocional s\u00e3o temas de pe\u00e7as do festival Anteriormente jurada e debatedora do festival, Guta Stresser retorna como atriz.\u00a0Foto: Victor Schinato &nbsp; A 52\u00b0 edi\u00e7\u00e3o do Festival Nacional de Teatro (Fenata) iniciou no dia 7. 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