{"id":6376,"date":"2025-03-21T10:57:36","date_gmt":"2025-03-21T13:57:36","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=6376"},"modified":"2025-03-21T10:57:36","modified_gmt":"2025-03-21T13:57:36","slug":"dia-internacional-pela-eliminacao-da-discriminacao-racial-reflexao-e-luta-continua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/dia-internacional-pela-eliminacao-da-discriminacao-racial-reflexao-e-luta-continua\/","title":{"rendered":"Dia internacional pela elimina\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o racial: reflex\u00e3o e luta cont\u00ednua"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">O dia internacional pela elimina\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o racial, institu\u00eddo pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em 21 de mar\u00e7o de 1966, relembra um dos epis\u00f3dios mais violentos da luta antirracista: o massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960, na \u00c1frica do Sul. Naquele dia, cerca de 20 mil manifestantes negros protestavam pacificamente contra a Lei do Passe, um sistema que restringia sua circula\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. A repress\u00e3o policial deixou 69 mortos e 180 feridos.\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">O epis\u00f3dio gerou indigna\u00e7\u00e3o internacional e exp\u00f4s a brutalidade do regime do apartheid, que s\u00f3 chegou ao fim em 1994. No entanto, o racismo ainda se mant\u00e9m presente em diversos pa\u00edses, e a luta por igualdade racial segue necess\u00e1ria. No Brasil, movimentos negros continuam reivindicando direitos e pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes.\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Para Cristiane Zelenski, representante do Instituto Sorriso Negro dos Campos Gerais, a data simboliza tanto a mem\u00f3ria quanto a resist\u00eancia. &#8220;Essa data \u00e9 muito importante para n\u00f3s, pessoas inseridas nesse contexto de lutas raciais, pois, embora tenha partido de um epis\u00f3dio triste, o massacre de Sharpeville, essa data \u00e9 para celebrar nossas conquistas e tamb\u00e9m nossas lutas por pol\u00edticas afirmativas.&#8221;\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<b>A atua\u00e7\u00e3o do Instituto Sorriso Negro dos Campos Gerais\u00a0<\/b><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Desde sua cria\u00e7\u00e3o, o Instituto Sorriso Negro dos Campos Gerais organiza palestras, rodas de conversa em escolas, empresas e outros espa\u00e7os para debater quest\u00f5es raciais. Al\u00e9m disso, acompanha a implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cotas raciais no munic\u00edpio, garantindo que a lei seja aplicada corretamente.\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">O acolhimento de v\u00edtimas de racismo tamb\u00e9m faz parte do trabalho do instituto. &#8220;Quando um caso de inj\u00faria ou racismo chega at\u00e9 n\u00f3s, orientamos a v\u00edtima e tentamos acompanhar o andamento do caso.&#8221;<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A valoriza\u00e7\u00e3o da cultura afro-brasileira \u00e9 outra frente de atua\u00e7\u00e3o. A partir de junho, o instituto promover\u00e1 oficinas de turbante e abayomi, fortalecendo a identidade e a cultura da popula\u00e7\u00e3o negra.\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<b>\u201cNossa luta \u00e9 intergeracional&#8221;<\/b><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A desigualdade racial no Brasil resulta de s\u00e9culos de escraviza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra. Cristiane refor\u00e7a a continuidade dessa luta: \u201cPorque \u00e9 uma pauta de lutas raciais, lutas que travamos todos os dias, pautas que defendemos, e aqui no Brasil, por conta dos s\u00e9culos de escraviza\u00e7\u00e3o, nossa luta \u00e9 intergeracional. Meus antepassados lutaram, eu estou em luta para que a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o tenha a sorte de viver num Brasil justo e com igualdade.&#8221;\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Mesmo com avan\u00e7os, algumas pol\u00edticas p\u00fablicas ainda enfrentam obst\u00e1culos para serem plenamente aplicadas. &#8220;A lei 10.639 tem 20 anos e ainda n\u00e3o est\u00e1 definidamente implementada aqui no munic\u00edpio. Nossa luta \u00e9 para que, al\u00e9m de que seja cumprida as diretrizes dessa lei de uma maneira robusta e eficaz, seja implementado aqui no munic\u00edpio um protocolo de atendimento \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes v\u00edtimas de racismo nas escolas.&#8221;<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A falta de representatividade tamb\u00e9m compromete o avan\u00e7o das pautas raciais. &#8220;Um exemplo do quanto ainda precisamos lutar \u00e9 o fato de a cidade nunca ter eleito uma vereadora negra, sendo assim, quem lutar\u00e1 pelos direitos dessa popula\u00e7\u00e3o que, ainda sendo o maior grupo social, segue sem representatividade?&#8221;<\/span><br \/>\n<strong>Desafios e a omiss\u00e3o do poder p\u00fablico<\/strong><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m da aus\u00eancia de representatividade, a popula\u00e7\u00e3o negra e quilombola ainda enfrenta dificuldades no acesso a direitos b\u00e1sicos. &#8220;Aqui no munic\u00edpio temos duas comunidades quilombolas que, h\u00e1 pouco tempo, estavam sem \u00e1gua pot\u00e1vel para beber. Minha indigna\u00e7\u00e3o \u00e9 sobre essas neglig\u00eancias, e isso \u00e9 sim uma discrimina\u00e7\u00e3o racial, o munic\u00edpio n\u00e3o pode se omitir nessas quest\u00f5es.&#8221;<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o negra tamb\u00e9m segue atrasada. &#8220;Pol\u00edticas sobre sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o negra e quilombola existem desde 2009 em todo Brasil, aqui estamos na luta para que seja implementada, olha o atraso.&#8221;<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Apesar das dificuldades, Cristiane mant\u00e9m a esperan\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o de um futuro mais justo. &#8220;Ainda estamos a passos lentos. Mas somos otimistas! Pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o acontecem de imediato, mas precisam acontecer e \u00e9 nesse pensamento que vamos fazendo nossas reivindica\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/span><br \/>\n<b>Avan\u00e7os e perspectivas para o futuro<\/b><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Os movimentos negros conquistaram espa\u00e7os importantes para dialogar com o poder p\u00fablico. No munic\u00edpio, o Compir_PG (Conselho Municipal de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial) busca garantir que as demandas da popula\u00e7\u00e3o negra cheguem at\u00e9 a prefeitura. \u201cHoje nossas reivindica\u00e7\u00f5es s\u00e3o um pouco mais ouvidas, tudo luta dos movimentos. Temos o Compir, que \u00e9 um conselho que cuida da promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial junto \u00e0 prefeitura, que \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por levar as nossas demandas para a Secretaria da Fam\u00edlia e cobrar para que sejam atendidas.&#8221;\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Para marcar o dia internacional pela elimina\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o racial, ser\u00e1 realizada uma plen\u00e1ria na OAB, \u00e0s 19h, com debates sobre temas urgentes. Entre os assuntos em pauta, est\u00e1 a viol\u00eancia de g\u00eanero. \u201cTeremos nessa data uma plen\u00e1ria com v\u00e1rias mesas de discuss\u00f5es sobre feminic\u00eddio e viol\u00eancia contra a mulher, que tem a mulher negra como a maior v\u00edtima de todas as viol\u00eancias.&#8221; Outros debates abordar\u00e3o as religi\u00f5es de matriz africana e a educa\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando a necessidade de preservar a cultura afro-brasileira e garantir a aplica\u00e7\u00e3o das leis educacionais.\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">O dia internacional pela elimina\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o racial n\u00e3o se limita \u00e0 lembran\u00e7a do massacre de Sharpeville. Ele representa um chamado \u00e0 luta, refor\u00e7ando a necessidade de combate ao racismo e promo\u00e7\u00e3o da igualdade.\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A luta contra o racismo acontece todos os dias e precisa do envolvimento de toda a sociedade. Somente com a garantia de direitos, pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes e representatividade ser\u00e1 poss\u00edvel construir um pa\u00eds verdadeiramente igualit\u00e1rio.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Texto por Maria Gallinea e Bruna Sluzala.<\/span><br \/>\nArte <span style=\"font-weight: 400\"> por Maria Gallinea.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia internacional pela elimina\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o racial, institu\u00eddo pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em 21 de mar\u00e7o de 1966, relembra um dos epis\u00f3dios mais violentos da luta antirracista: o massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960, na \u00c1frica do Sul. 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