{"id":6447,"date":"2025-04-09T19:58:58","date_gmt":"2025-04-09T22:58:58","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=6447"},"modified":"2025-04-09T19:58:58","modified_gmt":"2025-04-09T22:58:58","slug":"oficinas-sobre-alteridade-no-jornalismo-e-desafios-da-maternidade-preta-encerram-9-coloquio-mulheres-e-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/oficinas-sobre-alteridade-no-jornalismo-e-desafios-da-maternidade-preta-encerram-9-coloquio-mulheres-e-sociedade\/","title":{"rendered":"Oficinas sobre alteridade no jornalismo e desafios da maternidade preta encerram 9\u00b0 Col\u00f3quio Mulheres e Sociedade"},"content":{"rendered":"<pre><span style=\"font-weight: 400\">Por Amanda Grzebielucka, Emanuelle Nunes, Karen Stinsky, Leonardo Correia Lima e Pietra Gasparini\n<\/span><\/pre>\n<h6 style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">As atividades foram conduzidas por M\u00e1rcia Veiga, Let\u00edcia Costa e Juliane Carrico<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O evento <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Col\u00f3quio Mulheres e Sociedade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> realizou na \u00faltima sexta-feira (04) duas oficinas no per\u00edodo da tarde. A primeira, intitulada \u201cExistir, educar, transformar &#8211; ser m\u00e3e preta no Brasil\u201d, abordou as viv\u00eancias e a realidade da maternidade preta no pa\u00eds, e foi ministrada por Let\u00edcia Costa, do Coletivo M\u00e3es Pretas, e Juliane Carrico, da Coletiva de Doulas de Ponta Grossa. A segunda oficina, \u201cCal\u00e7ando o sapato do outro\u201d, discutiu a habilidade do jornalista de se colocar no lugar do outro e foi conduzida pela jornalista M\u00e1rcia Veiga, professora da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A autora do livro &#8220;Masculino, o g\u00eanero do Jornalismo: modos de produ\u00e7\u00e3o das not\u00edcias&#8221;, M\u00e1rcia Veiga, ministrou a oficina \u201cCal\u00e7ando o sapato do outro\u201d, que teve in\u00edcio com apresenta\u00e7\u00f5es entre as participantes e um debate sobre g\u00eanero. A pesquisadora refletiu sobre como tudo \u00e9 generificado em nossa sociedade, apontando que, mesmo de forma indireta, estamos constantemente falando sobre g\u00eanero. \u201cTudo que tem mais valor \u00e9 convencionado como masculino. A for\u00e7a, coragem e resili\u00eancia s\u00e3o vistos como atributos masculinos, enquanto a sensibilidade \u00e9 considerada uma caracter\u00edstica feminina\u201d, observou a professora. Ela ainda destacou que, na hierarquia masculinista das universidades, a doc\u00eancia \u00e9 o &#8220;feminino&#8221;, enquanto a pesquisa \u00e9 o &#8220;masculino&#8221;, sendo muito mais prestigiada.<\/span><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-6448 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_5678-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"449\" height=\"299\" \/><\/p>\n<pre>M\u00e1rcia Veiga fala sobre a capacidade do jornalista de se colocar no lugar do outro.\nFoto: Pietra Gasparini.<\/pre>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s o debate, as participantes foram divididas em grupos de tr\u00eas e receberam uma folha com \u201cpap\u00e9is\u201d que deveriam interpretar, como deputados federais, madames e homens religiosos. Em seguida, foi exibida no tel\u00e3o a imagem de uma drag queen negra e os grupos foram solicitados a descrever a pessoa da foto de acordo com o pensamento dos pap\u00e9is que estavam interpretando. As descri\u00e7\u00f5es foram em sua maioria adjetivos pejorativos, pois a ideia era entender como cada grupo identifica os indiv\u00edduos e grupos sociais. M\u00e1rcia Veiga explicou que a inten\u00e7\u00e3o da atividade era levar as participantes a refletir sobre como frequentemente julgamos e estereotipamos as pessoas. A proposta era descrever e n\u00e3o julgar ou usar adjetivos, destacando que, ao \u201ccal\u00e7ar o sapato do outro\u201d, tendemos a refor\u00e7ar estere\u00f3tipos.<\/span><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-6450 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_5654-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"465\" height=\"310\" \/><\/p>\n<pre>Participantes da oficina \"Cal\u00e7ando o sapato do outro\" fazem erxerc\u00edcio em grupo.\nFoto: Pietra Gasparini.<\/pre>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A oficina teve como objetivo convidar as participantes a refletir sobre como, especialmente os jornalistas, devem tentar entender o outro a partir dos valores dos outros, e n\u00e3o de sua pr\u00f3pria perspectiva. A professora explicou que estamos constantemente julgando em vez de tentar compreender e que a solu\u00e7\u00e3o para isso \u00e9 escutar e descrever, citando a frase: \u201cesvaziar-se de si e preencher-se do outro\u201d. Essa escuta, no entanto, deve ser feita com a consci\u00eancia de que somos etnoc\u00eantricos e influenciados por uma estrutura social preconceituosa. Ela enfatizou que, enquanto jornalistas, n\u00e3o estamos prontos e precisamos tomar muito cuidado com nossos julgamentos, pois a forma como constru\u00edmos as hist\u00f3rias pode permitir que um grupo seja humanizado ou desumanizado.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Paralelamente, foi realizada a oficina \u201cExistir, educar e transformar: ser m\u00e3e preta no Brasil\u201d, com a jornalista Let\u00edcia Costa e a doula Juliane Carrico.\u00a0 A atividade teve como objetivo debater as viol\u00eancias obst\u00e9tricas e as viv\u00eancias de ser uma m\u00e3e negra no Brasil.\u00a0<\/span><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-6449 aligncenter\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Oficina-0099-300x201.jpeg\" alt=\"\" width=\"421\" height=\"282\" \/><\/p>\n<pre><span style=\"font-weight: 400\">Let\u00edcia Costa e Juliane Carrico compartilham experi\u00eancias e falam sobre quest\u00f5es\nde g\u00eanero, ra\u00e7a e identidade. Foto: Emanuelle Nunes.<\/span><\/pre>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com Let\u00edcia, a mulher preta \u00e9 a que mais sofre viol\u00eancia obst\u00e9trica no pa\u00eds. \u201cPrincipalmente pelo mito que a mulher negra \u00e9 mais forte. Existe o pensamento que ela n\u00e3o sente tanta dor, ent\u00e3o n\u00e3o precisa de anestesia; deixa ela sofrer\u201d, destaca.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A jornalista tamb\u00e9m explica que a iniciativa de criar o coletivo \u201cM\u00e3es Pretas\u201d surgiu da necessidade de compartilhar viv\u00eancias enquanto m\u00e3e negra, especialmente ap\u00f3s ela e sua filha sofrerem racismo. \u201cEu fui conversar com uma amiga, que era m\u00e3e branca e contei a situa\u00e7\u00e3o de racismo que sofri com a minha filha. Ela disse que n\u00e3o era para tanto\u201d, desabafa. Ela ressalta que atualmente o coletivo cresceu e \u00e9 um espa\u00e7o para acolher mulheres. \u201cHoje o coletivo abra\u00e7a as mulheres porque nasceu disso; tem situa\u00e7\u00f5es que s\u00f3 as mulheres passam, que s\u00f3 as m\u00e3es passam, mas tamb\u00e9m h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que s\u00f3 as m\u00e3es pretas enfrentam.\u201d<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Juliane tamb\u00e9m relatou os momentos de viol\u00eancia obst\u00e9trica que vivenciou em seu trabalho. Segundo ela, essa viol\u00eancia \u00e9 recorrente na realidade das m\u00e3es brasileiras, pois muitas vezes elas desconhecem e n\u00e3o percebem que est\u00e3o sofrendo essa opress\u00e3o. Ao iniciar a oficina com uma din\u00e2mica que fez cada participante refletir sobre o que conhece acerca da viol\u00eancia obst\u00e9trica, a doula conduziu a discuss\u00e3o esclarecendo o papel informativo e de apoio \u00e0 gestante oferecido pela doula. Al\u00e9m disso, destacou a import\u00e2ncia de conhecer os direitos durante o parto como forma de enfrentar uma cultura profissional que restringe a autonomia das mulheres.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">As oficinas fizeram parte da programa\u00e7\u00e3o do 9\u00b0 Col\u00f3quio Mulheres e Sociedade. O evento foi produzido pelo projeto de extens\u00e3o Elos &#8211; Jornalismo, Direitos Humanos e Forma\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3, Grupo de Pesquisa Jornalismo e G\u00eanero, Programa de P\u00f3s &#8211; Gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo e Departamento de Jornalismo da UEPG, em parceria com o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia e a Rede Antonietas\/SBPJor.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Amanda Grzebielucka, Emanuelle Nunes, Karen Stinsky, Leonardo Correia Lima e Pietra Gasparini As atividades foram conduzidas por M\u00e1rcia Veiga, Let\u00edcia Costa e Juliane Carrico O evento Col\u00f3quio Mulheres e Sociedade realizou na \u00faltima sexta-feira (04) duas oficinas no per\u00edodo da tarde. 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