{"id":6602,"date":"2019-04-15T18:43:11","date_gmt":"2019-04-15T21:43:11","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=1020"},"modified":"2019-04-15T18:43:11","modified_gmt":"2019-04-15T21:43:11","slug":"direito-a-inclusao-das-pessoas-com-transtorno-do-espectro-autista-uma-luta-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/direito-a-inclusao-das-pessoas-com-transtorno-do-espectro-autista-uma-luta-de-todos\/","title":{"rendered":"Direito \u00e0 inclus\u00e3o das pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Uma luta de todos."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O dia 2 de abril \u00e9 marcado pelo Dia Mundial da Conscientiza\u00e7\u00e3o do Autismo, contudo em todos os outros dias \u00e9 de suma import\u00e2ncia darmos visibilidade a essa causa. Ainda h\u00e1 muitas barreiras quando falamos sobre Autismo e a principal delas \u00e9 o preconceito. Infelizmente, ainda percebemos muita falta de informa\u00e7\u00e3o e intoler\u00e2ncia quando o assunto \u00e9 relacionado \u00e0s pessoas com Autismo. Estamos em um contexto social e educacional, nos \u00faltimos anos, que a acessibilidade e a inclus\u00e3o est\u00e3o sendo cada vez mais exigidos por familiares e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por\u00e9m vivemos uma realidade dif\u00edcil, pensando em termos de inclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 bastante comum vermos a sociedade praticar o capacitismo quando o foco \u00e9 o espectro autista, discursos seguidos de generaliza\u00e7\u00f5es, em que dizem que uma pessoa com autismo dificilmente vai ocupar um lugar no ensino superior ou vai conseguir exercer alguma carreira profissional. As pessoas com TEA acabam muitas vezes n\u00e3o tendo a participa\u00e7\u00e3o ativa em seu pr\u00f3prio acompanhamento e at\u00e9 algumas fam\u00edlias, por mais esclarecidas que sejam, acabam decidindo todos os processos, muitas vezes por h\u00e1bito, outras vezes por presumir que a pessoa n\u00e3o est\u00e1 apta para decidir sobre si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para n\u00f3s que trabalhamos diretamente com o tema, percebemos como \u00e9 muito raro vermos palestras, simp\u00f3sios, cursos, entre outras plataformas de aprendizagens, onde d\u00e3o voz \u00e0s pessoas com autismo. Ao contr\u00e1rio, o que se presencia, geralmente, sobre acesso a esse campo \u00e9 que ele fica restrito aos pais e profissionais da \u00e1rea. Se formos pensar de forma literal, as pessoas com TEA t\u00eam muito mais a nos mostrar e exemplificar como se sentem, do que n\u00f3s, que estudamos sobre o assunto, mas n\u00e3o vivenciamos de fato o que \u00e9 ter autismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Certa vez em um v\u00eddeo reflexivo, apresentava v\u00e1rias crian\u00e7as com alguma defici\u00eancia (s\u00edndrome de down, autismo, paralisia cerebral, e etc), em ambiente escolar, onde falava-se muito da inclus\u00e3o e, ao final, aparecia a seguinte frase \u201cessas crian\u00e7as especiais merecem nosso respeito\u201d. A frase nos faz pensar no porqu\u00ea do uso do termo especiais para referir-se a crian\u00e7as com defici\u00eancia, elas s\u00e3o especiais porque sabem voar? Sabem ler pensamentos? T\u00eam o poder de tele transporte?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outra situa\u00e7\u00e3o de reflex\u00e3o sempre foi, por exemplo, da exist\u00eancia de classes intituladas \u201cespeciais\u201d, por meio de indaga\u00e7\u00f5es como: porque eles n\u00e3o podem estar estudando e brincando junto com as outras crian\u00e7as? Porque alunos com defici\u00eancia est\u00e3o em salas separadas dos demais? O que se percebe \u00e9 que existe uma romantiza\u00e7\u00e3o dos termos ligados \u00e0s pessoas com defici\u00eancias, situa\u00e7\u00e3o que, infelizmente, corrobora para impulsionar um discurso preconceituoso e diminuir as potencialidades da pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Crian\u00e7as e pessoas com TEA t\u00eam sim diferen\u00e7as e dificuldades, mas isso n\u00e3o define quem elas s\u00e3o, antes de ter autismo, s\u00e3o pessoas, com singularidades, defeitos e qualidades, n\u00e3o tem nada de \u201cespecial\u201d em ter TEA, da mesma forma que n\u00e3o tem nada de especial em ser neurot\u00edpico (aquele que aparentemente n\u00e3o \u00e9 acometido por nenhuma psicopatologia, isto \u00e9, doen\u00e7a, s\u00edndrome ou qualquer preju\u00edzo de ordem mental); cada pessoa \u00e9 \u00fanica e importante socialmente da sua forma, pelo seu jeito de ser, de atuar, interagir e empatizar com o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 incomum ouvir frases como: \u201cnossa, mas aquele menino nem parece que t\u00eam autismo, ele \u00e9 t\u00e3o calminho\u201d (sic), n\u00e3o \u00e9 um padr\u00e3o que toda a crian\u00e7a com TEA vai ser agitada ou irritada, cada um vai agir de acordo com a forma em que est\u00e1 sentindo e recebendo os est\u00edmulos ao seu redor. Por isso \u00e9 muito pertinente darmos oportunidade de protagonismo \u00e0s pessoas com TEA, para que possam lutar por essa causa, buscar o seu espa\u00e7o e os seus direitos enquanto pessoa com defici\u00eancia, podendo mostrar ao mundo quem s\u00e3o, sem generaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em rela\u00e7\u00e3o aos direitos de inclus\u00e3o, h\u00e1 diferentes e in\u00fameros t\u00f3picos que precisam ser debatidos, pois muitas vezes quando pensamos em autismo, d\u00e1 a impress\u00e3o que s\u00f3 existe crian\u00e7as com autismo, mas precisamos pensar e planejar as demais etapas da vida dessa pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A crian\u00e7a com autismo est\u00e1 assegurada por lei no direito de frequentar qualquer ambiente social, bem como, ter acesso \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, cultura, lazer, entre outros. Pode inserir-se no ensino regular e ter um acompanhante especializado para auxiliar nas atividades di\u00e1rias da escola. A institui\u00e7\u00e3o que recusar a matr\u00edcula da pessoa com TEA ou negar-se a garantir a acessibilidade e adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 multada, conforme previsto em lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto adulto, a pessoa com TEA tamb\u00e9m est\u00e1 assegurada por lei em diversas situa\u00e7\u00f5es sociais, a mesma t\u00eam o direito de frequentar qualquer lugar que desejar sem sofrer preconceito, no \u00e2mbito educacional podem matricular-se em um ensino superior com acompanhamento adequado, se precisar de adapta\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00e9todos avaliativos, ela tem o direito de exigir. Pensando em outra etapa da vida, essa pessoa tamb\u00e9m tem aptid\u00e3o para inserir-se no mercado de trabalho, algumas empresas de grande porte precisam inclusive destinar uma porcentagem de suas contrata\u00e7\u00f5es para pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O m\u00eas de abril nos convida a pensarmos acerca do direito das pessoas com autismo, contudo essa deveria ser uma pauta di\u00e1ria. Essa luta \u00e9 de todos, se quisermos caminhar para um mundo melhor e com mais empatia, precisamos escolher nossas batalhas de forma consciente, essa com toda certeza precisa ser uma delas.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nKarini Portes Gomes, bacharel em Psicologia pela Faculdade de Pato Branco \u2013 Fadep, p\u00f3s-graduanda em Educa\u00e7\u00e3o, Diversidade e Inclus\u00e3o Social pela Universidade Cat\u00f3lica Dom Bosco \u2013 UCDB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 2 de abril \u00e9 marcado pelo Dia Mundial da Conscientiza\u00e7\u00e3o do Autismo, contudo em todos os outros dias \u00e9 de suma import\u00e2ncia darmos visibilidade a essa causa. Ainda h\u00e1 muitas barreiras quando falamos sobre Autismo e a principal delas \u00e9 o preconceito. 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