{"id":6610,"date":"2025-05-28T18:23:58","date_gmt":"2025-05-28T21:23:58","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=6587"},"modified":"2026-03-17T21:33:15","modified_gmt":"2026-03-18T00:33:15","slug":"mulheres-na-fotografia-relato-e-geracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/mulheres-na-fotografia-relato-e-geracoes\/","title":{"rendered":"Mulheres na fotografia; relato e gera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<pre style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Por Lorena Santana\u00a0<\/span><\/pre>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo <\/span><a href=\"https:\/\/www.worldpressphoto.org\/\"><span style=\"font-weight: 400\">relat\u00f3rios<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> da World Press Photo, menos de 20% dos profissionais atuantes na \u00e1rea fotogr\u00e1fica s\u00e3o mulheres. Apesar de not\u00e1veis avan\u00e7os, ainda h\u00e1 muito para progredir quando o assunto \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o do olhar feminino na fotografia.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Indo na contram\u00e3o desse pensamento, fot\u00f3grafas ganham destaque ao atuarem nas mais diversas \u00e1reas da fotografia, como jornalismo, publicidade e mercado art\u00edstico. O que prova a capacidade feminina de criar registros em qualquer situa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_6588\" style=\"width: 706px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tais-scaled.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6588\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-6588\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/tais-734x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"971\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6588\" class=\"wp-caption-text\">Tais defende: \u201cN\u00e3o \u00e9 voc\u00ea quem escolhe a \u00e1rea da fotografia, \u00e9 ela quem te escolhe\u201d. Foto: Lorena Santana.<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tais Maria Cruz, t\u00e9cnica do laborat\u00f3rio de fotografia do departamento de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa, enfatiza que esteve presente na transi\u00e7\u00e3o do anal\u00f3gico para o digital na fotografia. Ela expressa satisfa\u00e7\u00e3o em ter participado dessa hist\u00f3ria e relata com orgulho sua trajet\u00f3ria.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Tais conta que seu contato com a fotografia come\u00e7ou despretensiosamente. Ela lembra que em um dia de trabalho, ao notar o baixo movimento do estabelecimento, a patroa da loja de tecidos em que ela trabalhava, a colocou para tirar os matos que se encontravam em frente a cal\u00e7ada. Tais obedeceu. Enquanto exercia tal atividade, Tais foi abordada por \u201cSeu Carlos\u201d, propriet\u00e1rio do laborat\u00f3rio \u201cFoto Carlos\u201d, da cidade de Ponta Grossa. Ele afirmou que \u201caquilo\u201d n\u00e3o era servi\u00e7o para ela e logo prop\u00f4s que ela se juntasse \u00e0 sua equipe e trabalhasse no seu laborat\u00f3rio. Tais aceitou o convite de imediato e desde ent\u00e3o constr\u00f3i a sua vida ao redor das fotos.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Com essa narrativa, Tais conclui: Desde a parte laboratorial, como revela\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o, at\u00e9 os registros se tornaram de dom\u00ednio da fot\u00f3grafa. No fim dos anos 90, j\u00e1 em outro laborat\u00f3rio, ela come\u00e7a a trabalhar mediante contratos e relata n\u00e3o ter tido problema algum em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hostilidade, pois eram os clientes que a procuravam a empresa, logo o interesse era deles.\u00a0\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A fot\u00f3grafa relembra que dentro da realidade empresarial, era n\u00edtida a prefer\u00eancia em contratar homens. E se quando contratada, a mulher se casasse, ela era automaticamente desligada da empresa, tendo como justificativa, o preju\u00edzo que uma futura gravidez ou a dupla jornada pudesse trazer \u00e0 firma.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">No ano de 2002, Tais inicia seus trabalhos na Universidade Estadual de Ponta Grossa durante o dia e durante a\u00a0 noite ela atua como fot\u00f3grafa oficial da Secal. Fora as duas atribui\u00e7\u00f5es, ela tamb\u00e9m trabalhava de forma aut\u00f4noma fazendo registros. E dentro dessa realidade, Tais enxerga com precis\u00e3o o preconceito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 figura feminina dentro da fotografia. &#8220;<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Como eu sabia que a fotografia era tida como uma profiss\u00e3o masculina, eu tinha o h\u00e1bito de me vestir com cal\u00e7a, sapato mais baixo, cabelo preso, como uma estrat\u00e9gia para minimizar o preconceito e para que terceiros n\u00e3o diminu\u00edssem as minhas execu\u00e7\u00f5es simplesmente por se tratar de uma mulher\u201d. relata a jornalista.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Ela conta que apesar do machismo estrutural, nunca foi v\u00edtima de ass\u00e9dio sexual por parte de contratantes ou terceiros, mas que suas colegas que fotografavam campos de futebol, por exemplo, eram constantemente assediadas.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Tais se formou em 2013, no curso de Jornalismo, na mesma universidade na qual j\u00e1 era fot\u00f3grafa oficial. Seu TCC foi sobre pioneiros da fotografia em Ponta Grossa. Ela<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> se define como um \u201crolo compressor\u201d, passa por cima de tudo que precisar para chegar ao seu objetivo e reconhece que tal personalidade se d\u00e1 como uma esp\u00e9cie de defesa por ser uma mulher em ocupando um lugar majoritariamente masculino.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 ouviu durante sua trajet\u00f3ria que uma mulher nunca teria capacidade de liderar um laborat\u00f3rio de fotos e que isso era servi\u00e7o de homem. Mas provou o contr\u00e1rio e hoje conta essa hist\u00f3ria, ocupando a posi\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnica do laborat\u00f3rio de fotografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Heloise Nichele, fot\u00f3grafa e jornalista, apesar de j\u00e1 ter iniciado a carreira profissional na era das digitais, n\u00e3o foi poupada dos preconceitos presentes na \u00e1rea.\u00a0<\/span><br \/>\n<a href=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/heloise.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6589\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/heloise-1024x1001.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"680\" \/><\/a><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Durante o ensino m\u00e9dio t\u00e9cnico que Heloisa realizou, surgiu o desejo pela fotografia. Dentro desse meio de produ\u00e7\u00e3o, ela inicia, em 2014, sua gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social com habilita\u00e7\u00e3o em Jornalismo na Universidade Federal do Paran\u00e1. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Em 2016, juntamente com seus colegas da Universidade Federal do Paran\u00e1, levou o pr\u00eamio \u201cJovem Jornalista\u201d, do instituto Vladmir Herzog, na modalidade multim\u00eddia, o produto de t\u00edtulo \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Do outro lado do rio tem uma hist\u00f3ria \u2013 as mulheres e o zika na Tr\u00edplice Fronteira\u201d<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">S<\/span><span style=\"font-weight: 400\">eu trabalho de conclus\u00e3o de curso em 2018 teve como t\u00edtulo \u201cLivro-reportagem: a mulher no fotojornalismo paranaense\u201d. Em 2022, fruto desse estudo, ela lan\u00e7a o livro \u201cElas em foco\u201d onde a jornalista busca resgatar e documentar a presen\u00e7a das mulheres no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o fotogr\u00e1fica.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO fato de eu realizar uma pesquisa que busca os dados sobre jornalistas mulheres e custar a ach\u00e1-los, j\u00e1 escancara um constrangimento, visto que houve uma car\u00eancia, uma necessidade em rela\u00e7\u00e3o a esse assunto\u201d. declara a jornalista.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Heloisa tamb\u00e9m fez uma pesquisa sobre capas dos principais ve\u00edculos de imprensa feita por homens e mulheres e p\u00f4de concluir que pautas como de pol\u00edtica, economia e esporte, por exemplo, eram vinculadas em sua maioria a homens. O que, segundo ela, escancara o estere\u00f3tipo de que lugares a mulher deve ocupar.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Quando feito o questionamento determinada vez para um jornalista sobre a aus\u00eancia de mulheres no fotojornalismo, recebeu a resposta de que era \u2018porque as mulheres n\u00e3o conseguiam carregar muito peso no dia a dia\u2019. \u201cO machismo \u00e9 t\u00e3o naturalizado e aceito pacificamente que as pessoas realmente acreditam no preconceito que propagam\u201d, lamenta a fot\u00f3grafa.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">Heloisa assume a felicidade em perceber a crescente das mulheres dentro do ramo fotogr\u00e1fico, mas afirma que o caminho a ser percorrido ainda \u00e9 longo.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A soci\u00f3loga Val\u00e9ria Lopes, analisa a situa\u00e7\u00e3o com entusiasmo e nutre esperan\u00e7a de que no futuro, os dados de mulheres ocupando o lugar que por tanto tempo lhes foi impedido, aumente cada vez mais. Val\u00e9ria entende que n\u00e3o basta apenas ocupar os lugares, mas derrubar o machismo atrav\u00e9s do campo de atua\u00e7\u00e3o: \u201cAssim como acontece em diferentes mercados e segmentos, na fotografia tamb\u00e9m existe alguns estere\u00f3tipos sobre as \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o consideradas femininas. Por exemplo, quando as mulheres s\u00e3o as mais indicadas para produzir imagens familiares ou relacionadas \u00e0 maternidade, de fam\u00edlia ou de gestante\u201d.\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">A plataforma<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> on-line<\/span><\/i> <a href=\"https:\/\/www.womenphotograph.com\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Women Photograph <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">(WP), fundada pela fot\u00f3grafa documental Daniella Zalcman, acompanha desde 2016 as fotos consideradas \u201cFoto Principal\u201d, ou seja, que receberam destaque na capa dos principais jornais internacionais, com o intento de comparar o n\u00famero de fotos feitas por homens, mulheres e n\u00e3o-bin\u00e1rios. A inten\u00e7\u00e3o da plataforma \u00e9 expor e comparar os trabalhos a fim de uma vis\u00e3o mais justa e equipar\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o a g\u00eanero e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lorena Santana\u00a0 Segundo relat\u00f3rios da World Press Photo, menos de 20% dos profissionais atuantes na \u00e1rea fotogr\u00e1fica s\u00e3o mulheres. 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