{"id":6879,"date":"2025-10-23T19:34:58","date_gmt":"2025-10-23T22:34:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/?p=6879"},"modified":"2025-10-23T19:34:58","modified_gmt":"2025-10-23T22:34:58","slug":"das-telas-ao-debate-o-cinema-brasileiro-e-a-reflexao-cidada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/das-telas-ao-debate-o-cinema-brasileiro-e-a-reflexao-cidada\/","title":{"rendered":"Das telas ao debate: o cinema brasileiro e a reflex\u00e3o cidad\u00e3"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-6875 aligncenter\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/10\/2dca0f620a12bf7c1d0515f2f519dfd4-203x300.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/10\/2dca0f620a12bf7c1d0515f2f519dfd4-203x300.jpg 203w, https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/10\/2dca0f620a12bf7c1d0515f2f519dfd4-691x1024.jpg 691w, https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/10\/2dca0f620a12bf7c1d0515f2f519dfd4-729x1080.jpg 729w, https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/10\/2dca0f620a12bf7c1d0515f2f519dfd4.jpg 736w\" sizes=\"(max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Poster do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Imagem: Banco de conte\u00fados culturais.<\/span><\/i><\/h6>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Por: Isabelly Costalonga e Malu Dip<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">A Resolu\u00e7\u00e3o N\u00ba 7, de 18 de dezembro de 2018, que estabelece as Diretrizes para a Extens\u00e3o na Educa\u00e7\u00e3o Superior Brasileira, refor\u00e7a o compromisso das institui\u00e7\u00f5es de ensino com a articula\u00e7\u00e3o entre ensino, pesquisa e extens\u00e3o. Ao tornar obrigat\u00f3ria a participa\u00e7\u00e3o dos estudantes em atividades extensionistas ao longo da gradua\u00e7\u00e3o, a normativa amplia as possibilidades de explorar temas que nem sempre as disciplinas conseguem desenvolver.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com o<\/span><a href=\"https:\/\/proex-deu.apps.uepg.br\/report\/public\/dashboard?titulo=cinema&amp;setor=&amp;orgao_proponente=&amp;area_tematica=&amp;ods=&amp;ano=\"> <span style=\"font-weight: 400\">Portal de Dados Extensionistas da Diretoria de Extens\u00e3o da Universidade Estadual de Ponta Grossa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, desde 2016 at\u00e9 o momento, foram registradas 56 iniciativas de extens\u00e3o relacionadas ao cinema, incluindo eventos, projetos e mostras, relacionando diferentes cursos da institui\u00e7\u00e3o. Neste contexto, destaca-se o evento de extens\u00e3o integrado ao curso de Direito da UEPG, Cine Jur\u00eddico, que surgiu no come\u00e7o de 2024.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com o professor de Direito Pedro Fauth, o p\u00fablico alvo desses eventos s\u00e3o estudantes, n\u00e3o s\u00f3 do curso de Direito, mas tamb\u00e9m de diversas faculdades da regi\u00e3o dos Campos Gerais. A ideia \u00e9 que as produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas exibidas possibilitem o debate sobre aspectos que interferem na realidade. \u201cA gente exibe de oito a 10 filmes por semestre, de assuntos que permeiam pol\u00edtica, social e juridicamente a atualidade, como por exemplo, a ascens\u00e3o do neonazismo.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">As exibi\u00e7\u00f5es acontecem no audit\u00f3rio do Cine-teatro Pax e em geral, as \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es tiveram de 40 a 50 alunos inscritos\u201d, explica o professor a respeito do funcionamento do evento extensionista.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Para Gabriel Mangoni Mello, estudante de Direito da UEPG e participante do Cine Jur\u00eddico desde o final do ano passado, as discuss\u00f5es proporcionadas pela iniciativa agregam conhecimentos al\u00e9m dos adquiridos em sala de aula. Segundo ele, os debates realizados ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o dos filmes possibilitam um melhor entendimento social sobre acontecimentos do mundo, como tamb\u00e9m o contato com filmes que se n\u00e3o fosse atrav\u00e9s do evento, talvez nunca seriam assistidos. \u201cO principal ganho foi aprender a fazer uma an\u00e1lise, s\u00edntese e exposi\u00e7\u00e3o sobre o que foi entendido das obras apresentadas\u201d, concluiu.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Cinema Brasileiro: origem e transforma\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com dados da<\/span><a href=\"https:\/\/www.aicinema.com.br\/a-historia-do-cinema-brasileiro\/\"> <span style=\"font-weight: 400\">Academia Internacional de Cinema<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e da Ag\u00eancia Nacional de Cinema (ANCINE), um dos marcos iniciais do cinema brasileiro foi o surgimento da primeira sala aberta ao p\u00fablico, no Rio de Janeiro, por influ\u00eancia dos irm\u00e3os italianos Paschoal e Affonso Segreto. As exibi\u00e7\u00f5es traziam filmes curtos que retratavam o cotidiano europeu, sendo a primeira delas realizada em julho de 1896 com os filmes dos irm\u00e3os Lumi\u00e8re, pioneiros da fotografia e criadores do cinemat\u00f3grafo, m\u00e1quina filmadora e que projetava imagens em movimento. No \u00e2mbito nacional, a primeira produ\u00e7\u00e3o foi filmada em 1898 pelos irm\u00e3os Segreto, nomeada \u201cUma Vista da Ba\u00eda de Guanabara&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo do s\u00e9culo XX, o cinema brasileiro atravessou diferentes fases, marcadas por tentativas de consolida\u00e7\u00e3o como ind\u00fastria, movimentos art\u00edsticos e crises. Ap\u00f3s o per\u00edodo conhecido como \u201cEra de Ouro\u201d, que ocorreu de 1930 a 1950, momento em que as companhias Atl\u00e2ntida Cinematogr\u00e1fica e Vera Cruz se destacaram com musicais, chanchadas e com\u00e9dias, a produ\u00e7\u00e3o nacional enfrentou entraves t\u00e9cnicos e financeiros que limitaram sua consolida\u00e7\u00e3o. Diante desse cen\u00e1rio, intelectuais e cineastas buscaram novos caminhos, o que resultou na cria\u00e7\u00e3o do Cinema Novo, movimento inspirado pelo neorrealismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa. Seu objetivo era romper com os padr\u00f5es hollywoodianos e retratar, em linguagem pr\u00f3pria, os dilemas da realidade brasileira. Filmes como<\/span><a href=\"https:\/\/share.google\/DEBhAcKuLlF3wu9Z0\"> <span style=\"font-weight: 400\">Rio 40 Graus (1955)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><a href=\"https:\/\/share.google\/anYHrUF7iR43zcATA\"><span style=\"font-weight: 400\">Vidas Secas (1963)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><a href=\"https:\/\/share.google\/MvnsIUBTZjo2JKLbm\"><span style=\"font-weight: 400\">Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> s\u00e3o considerados marcos desse processo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s o golpe militar de 1964, o Cinema Novo passou a refletir a frustra\u00e7\u00e3o da esquerda e a crise dos intelectuais diante da impossibilidade de realizar a revolu\u00e7\u00e3o. Filmes como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Desafio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Terra em Transe<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> marcaram essa nova fase, com narrativas mais simb\u00f3licas e pessimistas sobre o futuro do pa\u00eds. O Cinema Novo foi, acima de tudo, uma forma de repensar o Brasil atrav\u00e9s da arte, questionando as estruturas sociais e pol\u00edticas por meio de um cinema cr\u00edtico e inovador.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo sob a ditadura militar, o governo financiava filmes atrav\u00e9s da empresa estatal Embrafilme, mas mantinha o controle por meio da censura. O professor Pedro Fauth comenta que os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pelo controle eram a Divis\u00e3o de Censura de Divers\u00f5es P\u00fablicas (DCDP), Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) e Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI). \u201cTodos eles eram subordinados ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, realizando o controle e a limita\u00e7\u00e3o do pensamento cr\u00edtico e at\u00e9 mesmo jornal\u00edstico da \u00e9poca\u201d, explica. O profissional afirma ainda que para driblar a censura, os artistas precisavam usar a imagina\u00e7\u00e3o, criando obras singulares com o uso de met\u00e1foras, para conseguirem passar suas mensagens, mesmo que de forma subliminar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Dessa maneira, a trajet\u00f3ria do cinema brasileiro demonstra sua relev\u00e2ncia como ato de resist\u00eancia no campo art\u00edstico e, simultaneamente, como instrumento de reflex\u00e3o social, pol\u00edtica e defesa dos direitos humanos. Em um contexto marcado por censura, tortura e persegui\u00e7\u00e3o, muitos cineastas denunciaram, mesmo que n\u00e3o explicitamente, por meio de suas obras, a viol\u00eancia do Estado, a desigualdade social, o racismo, a marginaliza\u00e7\u00e3o das classes populares e a falta de liberdade de express\u00e3o. Ainda hoje, o cinema brasileiro cumpre um papel essencial, mostrando, sob novas formas e perspectivas, a complexidade da realidade nacional e os desafios persistentes na luta por justi\u00e7a social e democracia em obras mais recentes e aclamadas pelo p\u00fablico, como como<\/span><a href=\"https:\/\/share.google\/Qu6nvBPVSqpaN4CSQ\"> <i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cCidade de Deus\u201d<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span><a href=\"https:\/\/share.google\/IhR0NP37GmeQxoaQ0\"> <i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cQue Horas Ela Volta?\u201d<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> , <\/span><a href=\"https:\/\/share.google\/bNdGdVaN5T0wfQ27g\"><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cTropa de Elite\u201d<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e muitas outras.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poster do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Imagem: Banco de conte\u00fados culturais. Por: Isabelly Costalonga e Malu Dip A Resolu\u00e7\u00e3o N\u00ba 7, de 18 de dezembro de 2018, que estabelece as Diretrizes para a Extens\u00e3o na Educa\u00e7\u00e3o Superior Brasileira, refor\u00e7a o compromisso das institui\u00e7\u00f5es de ensino com a articula\u00e7\u00e3o entre ensino,&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":846,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6879"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/846"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6879"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6879\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6880,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6879\/revisions\/6880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}