{"id":6914,"date":"2025-11-20T16:46:45","date_gmt":"2025-11-20T19:46:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/?p=6914"},"modified":"2025-11-20T17:03:35","modified_gmt":"2025-11-20T20:03:35","slug":"educacao-antirracista-por-uma-transformacao-social-e-coletiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/educacao-antirracista-por-uma-transformacao-social-e-coletiva\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o antirracista por uma transforma\u00e7\u00e3o social e coletiva"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Educadoras, militantes e professoras compartilham relatos e pr\u00e1ticas que evidenciam a urg\u00eancia de uma educa\u00e7\u00e3o como instrumento contra o racismo desde a inf\u00e2ncia<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><em>\u00a0 Por Natalia Almeida e Pietra Gasparini<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cQuando eu quis ser a Virgem Maria na apresenta\u00e7\u00e3o de Natal, a sala toda riu. \u2018A Virgem Maria preta? E com esse cabelo a\u00ed?\u2019 A professora n\u00e3o tinha forma\u00e7\u00e3o para dizer: \u2018N\u00e3o, ela vai ser, sim, a Virgem Maria do pres\u00e9pio\u2019. A partir daquilo, eu, enquanto crian\u00e7a, nunca mais levantei a m\u00e3o para ser qualquer coisa naquela escola, porque fui silenciada. E, igual a mim, quantas outras crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o silenciadas?\u201d, esse \u00e9 o relato da educadora social e militante Christiane de F\u00e1tima Zelenski, que quando\u00a0 crian\u00e7a era a \u00fanica menina preta da sua escola. Isso reflete a viv\u00eancia de crian\u00e7as e adolescentes pretos em ambientes escolares de todo o Brasil, a hostilidade e o racismo estrutural que enfrentam no espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Hoje, dia 20 de novembro, se comemora o Dia Nacional de Zumbi e da Consci\u00eancia Negra. A data escolhida marca o dia da morte de Zumbi dos Palmares, l\u00edder quilombola e s\u00edmbolo m\u00e1ximo da resist\u00eancia afro-brasileira. Mesmo que o m\u00eas de novembro tenha sido escolhido para representar simbolicamente essa luta, \u00e9 importante lembrar que a hist\u00f3ria do povo preto no Brasil \u00e9 marcada por s\u00e9culos de resist\u00eancia e enfrentamento. Os quase 400 anos de escravid\u00e3o j\u00e1 mostram a profundidade das viol\u00eancias sofridas que n\u00e3o terminaram com a aboli\u00e7\u00e3o. Esses acontecimentos comp\u00f5em um percurso hist\u00f3rico de resist\u00eancia diante do racismo estrutural brasileiro. Por isso, fica evidente que discutir racismo apenas uma vez por ano n\u00e3o basta, \u00e9 um compromisso di\u00e1rio, cont\u00ednuo e essencial para transformar a sociedade. Nenhuma transforma\u00e7\u00e3o se faz sem educa\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o antirracista envolve estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas, curriculares e organizacionais que buscam promover a igualdade racial e combater todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o, tanto individual quanto institucional, transformando o ambiente escolar em um espa\u00e7o de conscientiza\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Nesse sentido, a Secretaria de Cultura de Ponta Grossa promoveu no CINE PG, uma forma\u00e7\u00e3o com professores durante a programa\u00e7\u00e3o da semana da consci\u00eancia negra. Com a exibi\u00e7\u00e3o do filme Selma, que retrata a luta de Martin Luther King Jr. e de outros ativistas pelos direitos civis da popula\u00e7\u00e3o negra nos Estados Unidos. Ap\u00f3s o filme foram chamadas a educadora social e militante Christiane de F\u00e1tima Zelenski e a assistente social e vice-presidente do Conselho Municipal de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (COMPIR-PR), Jaqueline Simone Barbosa Lopes, que promoveram uma palestra e um debate com os professores presentes.\u00a0<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: left\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-6915 aligncenter\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/11\/Pietra-Gasparini-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"476\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/11\/Pietra-Gasparini-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/11\/Pietra-Gasparini-300x200.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/11\/Pietra-Gasparini-768x512.jpg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/11\/Pietra-Gasparini-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/11\/Pietra-Gasparini-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/11\/Pietra-Gasparini-1232x821.jpg 1232w, https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/11\/Pietra-Gasparini-1620x1080.jpg 1620w, https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/wp-content\/uploads\/sites\/285\/2025\/11\/Pietra-Gasparini-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 476px) 100vw, 476px\" \/><i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/i><i><span style=\"font-weight: 400\">Debate p\u00f3s exibi\u00e7\u00e3o do filme Selma no Cine PG. Foto: Pietra Gasparini<\/span><\/i><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>\u201c\u00c9 preciso uma aldeia inteira para educar uma crian\u00e7a\u201d\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Christiane de F\u00e1tima Zelenski, mulher preta, integrante do Conselho da Mulher, membro do Instituto Sorriso Negro e da Secretaria do Conselho Municipal de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial de Ponta Grossa (COMPIR-PG), relembra o prov\u00e9rbio africano: \u201c\u00c9 preciso uma aldeia inteira para educar uma crian\u00e7a\u201d. Para ela, a educa\u00e7\u00e3o antirracista \u00e9 responsabilidade de toda a sociedade. \u201cSe cada uma das professoras que est\u00e1 aqui puder, em suas aulas, transformar o olhar para uma crian\u00e7a preta, acolher uma crian\u00e7a preta como ela precisa ser acolhida, ouvi-la, isso j\u00e1 \u00e9 um come\u00e7o. A escola \u00e9 o primeiro contato de uma crian\u00e7a com o racismo. Quando uma crian\u00e7a preta sofre racismo, ela \u00e9 desumanizada e precisa ser acolhida\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Zelenski ressalta tamb\u00e9m a import\u00e2ncia das cotas raciais, visto que\u00a0 durante muito tempo, a popula\u00e7\u00e3o negra n\u00e3o teve direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. \u201cO nosso povo n\u00e3o tinha direito a nada. Quando conseguimos, foi \u00e0 base de muita luta. Tamb\u00e9m n\u00e3o queremos cotas para sempre, queremos cotas enquanto n\u00e3o houver equipara\u00e7\u00e3o. Essa repara\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 barata, ainda est\u00e1 muito barata pelo que se deve ao povo preto\u201d, destaca. Ela refor\u00e7a que o letramento racial, embora n\u00e3o seja uma solu\u00e7\u00e3o definitiva, \u00e9 essencial para questionar e problematizar a aus\u00eancia de pessoas negras em espa\u00e7os de ensino, especialmente no ensino superior.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A militante lamenta a diferen\u00e7a de tratamento entre crian\u00e7as brancas e negras no ambiente escolar. \u201cVi uma postagem da p\u00e1gina Pais Pretos: eles reuniram um grupo de pais que contavam como presenteiam professoras, mandam os filhos extremamente arrumados, penteados, cheirosos. Eles t\u00eam um cuidado exagerado com o material escolar para que a professora se aproxime mais daquela crian\u00e7a. Imaginem: isso \u00e9 adoecedor. Ter que cuidar tr\u00eas vezes mais do cabelo, ter mais aten\u00e7\u00e3o com tudo, porque aquela crian\u00e7a precisa ser vista como a melhor sempre. \u2018Est\u00e1 limpinha, est\u00e1 cheirosa, ent\u00e3o a professora vai chegar mais perto\u2019. \u00c9 cruel. \u00c9 adoecedor\u201d, desabafa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A diferen\u00e7a de tratamento entre crian\u00e7as brancas e pretas \u00e9 refor\u00e7ada pela hist\u00f3ria da assistente social, vice -presidente do COMPIR. Conselheira no CONSEPIR pelo CRESS e membra do Comit\u00ea Paranaense de Assistentes Sociais Combate ao Racismo, Jaqueline Simone Barbosa Lopes. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Eu vivi isso na minha vida. Eu tinha enxaquecas horr\u00edveis, porque a minha m\u00e3e amarrava meu cabelo t\u00e3o forte, ela pensava que se eu fosse com o cabelo armado pra escola, eu iria sofrer\u201d. A assistente social conta que, h\u00e1 um tempo atr\u00e1s, sua m\u00e3e pediu perd\u00e3o por esses acontecimentos e foi durante essa conversa que Lopes pode a perdoar e entender a raz\u00e3o de tudo isso.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Ela ressalta que \u00e9 esse tipo de coisa que quer que acabe, \u00e9 necess\u00e1rio quebrar o ciclo. \u201cA gente quer que as meninas, por exemplo, a minha filha, que tem tr\u00eas anos agora, que ela chegue na minha idade e n\u00e3o tenha a mesma dor que eu tive Que ela n\u00e3o precise tratar uma coisa l\u00e1 da inf\u00e2ncia\u201d, afirma.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>A luta de permanecer\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, Jaqueline tamb\u00e9m compartilhou os desafios que enfrentou ao longo de sua forma\u00e7\u00e3o e carreira profissional. Ela relata que, muitas vezes, quando uma pessoa preta conquista um espa\u00e7o de lideran\u00e7a, enfrenta obst\u00e1culos constantes que dificultam sua perman\u00eancia. \u201c\u00c9 sempre assim. Quando voc\u00ea consegue conquistar esse espa\u00e7o, \u00e9 durante muita luta, \u00e9 durante muito, mas muito esfor\u00e7o. Coisas que uma pessoa branca consegue em uma d\u00e9cada, n\u00f3s temos que lutar em 30 anos\u201d, desabafa. Jaqueline conta que precisou validar constantemente seu potencial, enfrentando questionamentos sobre sua capacidade apenas por ser mulher preta. Ela relembra sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica na universidade p\u00fablica. \u201cSabe quantas pessoas negras tinham na minha turma de 44 acad\u00eamicos? Apenas eu e mais tr\u00eas. E desses tr\u00eas, dois eram de baixa renda. Tivemos muito para lutar para conseguir nosso diploma\u201d. Para ela, essas experi\u00eancias mostram n\u00e3o s\u00f3 a necessidade das pol\u00edticas afirmativas, como tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de reconhecer e valorizar o potencial das pessoas negras em todos os espa\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>O papel da escola e dos professores na pr\u00e1tica antirracista\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A professora do Infantil, Tauane Cristhiane Roldam Molo, mulher preta, refor\u00e7a a import\u00e2ncia de um protocolo municipal para que os professores saibam o que fazer em casos de racismo. \u201cVoc\u00ea leva\u00a0 a crian\u00e7a que praticou racismo para a gest\u00e3o e a crian\u00e7a vai levar um xingo e acabou. Racismo \u00e9 crime, deveria existir um protocolo e uma forma\u00e7\u00e3o sobre como trabalhar nas escolas casos de racismo e para onde direcionar, \u00e9 o m\u00ednimo\u201d, afirma. A educadora ressalta que a escola \u00e9 um lugar que tem o poder de mudar a perspectiva das crian\u00e7as e precisamos aproveitar isso, saindo\u00a0 da ideia de trabalhar a discuss\u00e3o racial e pegar s\u00f3 a quest\u00e3o tribal, s\u00f3 as m\u00e1scaras africanas, sem ao menos saber de qual pa\u00eds isso \u00e9, qual a cultura espec\u00edfica, \u201cN\u00e3o mostra uma refer\u00eancia, trabalha o Zumbi por cima, invizibiliza dandara, invisibiliza v\u00e1rias quest\u00f5es. Precisamos trabalhar isso com responsabilidade. \u00c9 um dos \u00fanicos espa\u00e7os que se tem para fazer esse tipo de discuss\u00e3o, porque \u00e0s vezes em casa tem outro tipo de cultura\u201d. Ela refor\u00e7a a necessidade de que todos entrem nessa luta. \u201cPrecisamos de aliados brancos para fortalecer, \u00e9 muito f\u00e1cil falar que apoia mas quando tem um ato est\u00e1 em casa dormindo\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A professora Ana Cl\u00e1udia Oliveira, Professora do quinto ano, mulher preta, explica que trabalha na zona rural, e que em sua sala tem alunos pardos mas nenhum aluno que se declare como preto. \u201cEu trabalho muito a quest\u00e3o do racismo, da homofobia. Acho que \u00e9 muito importante voc\u00ea professor se despir desses preconceitos, e se dispor a ensinar\u201d. Ana Claudia conta que trabalha os Contos e a cultura afro, ensinando tamb\u00e9m sobre as diferentes religi\u00f5es, porque as religi\u00f5es de matriz africana enfrentam muito preconceito. \u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds de maioria mesti\u00e7a, temos que abrir os olhos e trabalhar essas quest\u00f5es. Temos que ter um trabalho anti racista com as crian\u00e7as o ano inteiro, n\u00e3o s\u00f3 em novembro\u201d, ressalta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A professora da educa\u00e7\u00e3o infantil, Josilene Br\u00e1s, mulher preta, fala sobre a import\u00e2ncia de pessoas brancas tamb\u00e9m lutarem por uma educa\u00e7\u00e3o antirracista. \u201cAgora um papo reto com as professoras brancas aqui presentes, n\u00e3o \u00e9 da responsabilidade apenas das professoras negras tratarem esse assunto. Voc\u00eas tamb\u00e9m podem tomar a frente, claro, com respeito, tomando cuidado com a apropria\u00e7\u00e3o cultural, saber de onde voc\u00eas est\u00e3o pesquisando, trazer essas refer\u00eancias com clareza pras nossas crian\u00e7as\u201d. Al\u00e9m disso, a profissional compartilha uma pr\u00e1tica que trabalha com seus alunos, que s\u00e3o ateli\u00eas de culturas afro. \u201cQuando a gente fala de trabalhar essas quest\u00f5es dentro da sala de aula, a gente n\u00e3o pode s\u00f3 ficar preso \u00e0 teoria. Ent\u00e3o trazer ervarias que s\u00e3o da cultura afro, da cultura afro-ind\u00edgena. Colocar essas crian\u00e7as em contato com a terra, porque isso tamb\u00e9m \u00e9 aquilomb\u00e1, n\u00e9? Os meus ancestrais, eles nos ensinaram a nos conectar com a terra\u201c.,finaliza a educadora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educadoras, militantes e professoras compartilham relatos e pr\u00e1ticas que evidenciam a urg\u00eancia de uma educa\u00e7\u00e3o como instrumento contra o racismo desde a inf\u00e2ncia. &nbsp; \u00a0 Por Natalia Almeida e Pietra Gasparini \u201cQuando eu quis ser a Virgem Maria na apresenta\u00e7\u00e3o de Natal, a sala toda riu. \u2018A Virgem Maria preta? 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