{"id":7256,"date":"2026-05-24T20:19:58","date_gmt":"2026-05-24T23:19:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/?p=7256"},"modified":"2026-05-24T20:19:58","modified_gmt":"2026-05-24T23:19:58","slug":"imigrantes-compartilham-trajetorias-de-acolhimento-e-reconstrucao-em-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/imigrantes-compartilham-trajetorias-de-acolhimento-e-reconstrucao-em-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"Imigrantes compartilham trajet\u00f3rias de acolhimento e reconstru\u00e7\u00e3o em Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Mesa-redonda no Museu Campos Gerais reuniu relatos de refugiados, estudantes e trabalhadores estrangeiros durante a Semana Nacional de Museus.<\/span><\/i><\/p>\n<pre style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Por: Celyne Stefani, Lorena Santana e Natalia Almeida\u00a0<\/span><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O Museu Campos Gerais sediou, na noite de ter\u00e7a-feira (20), a mesa-redonda \u201cMuseu Escuta: Ponta Grossa, Vozes e Encontros do Mundo\u201d, atividade integrante da 24\u00aa Semana Nacional de Museus. Realizado em parceria com a C\u00e1ritas Ponta Grossa, o evento reuniu imigrantes residentes na cidade para compartilhar hist\u00f3rias de deslocamento, acolhimento e reconstru\u00e7\u00e3o de vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A media\u00e7\u00e3o foi realizada pelo professor Felipe Soares e pela professora Merylin Ricieli, docentes do curso de Hist\u00f3ria da Universidade Estadual de Ponta Grossa, em tr\u00eas rodadas de perguntas aos participantes. A proposta foi destacar trajet\u00f3rias contempor\u00e2neas de imigra\u00e7\u00e3o e ampliar o debate sobre diversidade cultural em Ponta Grossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Entre os convidados estava Mahmoud Shamsi, sheik natural do Ir\u00e3, para liderar a Mesquita Imam Ali. Ele j\u00e1 esteve em Ponta Grossa, em 2021, exercendo a lideran\u00e7a, mas depois de tr\u00eas anos voltou ao pa\u00eds de origem. Agora, em 2026, Mahmoud retornou para executar suas feitorias. Segundo ele, os l\u00edderes religiosos isl\u00e2micos costumam permanecer por per\u00edodos de at\u00e9 tr\u00eas anos nas cidades onde atuam, sendo posteriormente substitu\u00eddos. Mahmoud relatou ter sido bem recebido em Ponta Grossa e afirmou que a popula\u00e7\u00e3o demonstra curiosidade respeitosa sobre a religi\u00e3o mu\u00e7ulmana. Al\u00e9m disso, afirmou que em nenhum outro lugar do mundo encontrou o mesmo acolhimento e carinho que os brasileiros proporcionam.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m participou da mesa Tawfeiq Jabbar Abdulla, que chegou ao Brasil em 2013 com a fam\u00edlia, ap\u00f3s fugir da Guerra Civil Iraquiana. Em busca de seguran\u00e7a e melhores condi\u00e7\u00f5es para os filhos, encontrou em Ponta Grossa uma oportunidade de trabalho. Apesar da rotina intensa de viagens, ele destacou que o esfor\u00e7o valeu a pena. Os tr\u00eas filhos conclu\u00edram a gradua\u00e7\u00e3o em Direito pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Abdulla ressaltou a import\u00e2ncia do ensino superior p\u00fablico e gratuito oferecido pela institui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A experi\u00eancia de adapta\u00e7\u00e3o entre diferentes cidades brasileiras foi abordada por Yuran Tinta. Filho de uma m\u00e9dica angolana que veio ao Brasil em busca de especializa\u00e7\u00e3o, Yuran viveu em S\u00e3o Paulo durante parte da juventude, onde estudou Publicidade e se aproximou da \u00e1rea de tecnologia. No in\u00edcio de 2024, ap\u00f3s formar fam\u00edlia, mudou-se para Ponta Grossa em busca de uma rede de apoio para a cria\u00e7\u00e3o do filho. Ele comparou o ritmo acelerado da capital paulista \u00e0 tranquilidade da cidade paranaense, destacando a qualidade de vida encontrada no munic\u00edpio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A nigeriana Temitope Jane Aransiola relatou ter chegado ao Brasil em 2011, por meio do Programa de Estudantes-Conv\u00eanio de Gradua\u00e7\u00e3o (PEC-G), que possibilita a estudantes estrangeiros cursarem gratuitamente o ensino superior em universidades brasileiras. Jane contou que foi acolhida por colegas e professores na universidade, mas observou a baixa diversidade \u00e9tnico-racial na institui\u00e7\u00e3o e relatou dificuldades enfrentadas no cotidiano, como a aus\u00eancia de espa\u00e7os especializados em cabelos cacheados. Segundo ela, \u00e9 imposs\u00edvel falar sobre o seu cotidiano sem destacar o fato de ser uma mulher negra. Suas experi\u00eancias serviram de incentivo para fortalecer pesquisas voltadas \u00e0 cultura nigeriana e ao feminismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 Luiza Paola Villarroel explicou que veio para Ponta Grossa em 2022, ap\u00f3s recomenda\u00e7\u00f5es de amigos, em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica na Venezuela, que se agravou durante a pandemia. A barreira do idioma dificultou o acesso ao mercado de trabalho, mas, com apoio da C\u00e1ritas, conseguiu desenvolver o portugu\u00eas e ampliar as possibilidades de inser\u00e7\u00e3o profissional. Para ela, \u201cpontes unem pessoas\u201d, e hoje busca oferecer o mesmo apoio que recebeu ao chegar na cidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O dramaturgo paraguaio Carlos Daniel Monges afirmou que a principal motiva\u00e7\u00e3o para vir ao Brasil foi o acesso \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. Ele destacou a precariedade do sistema de sa\u00fade paraguaio e elogiou o atendimento recebido em Ponta Grossa, especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao acesso a especialistas e medicamentos. \u201cMais do que tratamento, minha dignidade foi restaurada\u201d, afirmou. Ele ressalta a import\u00e2ncia do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao final do encontro, o mediador Felipe Soares ressaltou a relev\u00e2ncia de discutir os fluxos migrat\u00f3rios contempor\u00e2neos. \u201cMuitas vezes s\u00f3 s\u00e3o relembradas as hist\u00f3rias de imigra\u00e7\u00f5es dos s\u00e9culos XIX e XX, mas a cidade \u00e9 viva. As hist\u00f3rias do agora, do hoje, precisam ser expostas\u201d, declarou. O professor afirma que Ponta Grossa n\u00e3o tem dono, ela \u00e9 composta por uma pluralidade de vozes, cores e etnias. Para ele, uma cidade \u00e9 definida como \u201cvozes e encontros do mundo\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesa-redonda no Museu Campos Gerais reuniu relatos de refugiados, estudantes e trabalhadores estrangeiros durante a Semana Nacional de Museus. 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