{"id":7402,"date":"2026-08-25T12:50:15","date_gmt":"2026-08-25T15:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/?p=7402"},"modified":"2026-08-25T12:55:43","modified_gmt":"2026-08-25T15:55:43","slug":"o-horror-que-uma-crianca-aprende-a-chamar-de-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/o-horror-que-uma-crianca-aprende-a-chamar-de-casa\/","title":{"rendered":"O horror que uma crian\u00e7a aprende a chamar de casa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em><span style=\"font-weight: 400\">Lucy Rose, autora de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">A Cordeirinha, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">revela em entrevista como<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">transformou viol\u00eancia intrafamiliar e controle sobre o corpo em uma hist\u00f3ria sobre inf\u00e2ncia, sobreviv\u00eancia e a coragem de imaginar uma vida para al\u00e9m da viol\u00eancia<\/span><\/em><\/p>\n<pre>Por Maria Gallinea\r\n\r\n<\/pre>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Existe um tipo de horror que n\u00e3o precisa de monstros para assustar. Ele pode morar na cozinha, sentar \u00e0 mesa, preparar o jantar e chamar a pr\u00f3pria viol\u00eancia de cuidado. \u00c9 esse horror, muito mais \u00edntimo do que sobrenatural, que Lucy Rose coloca no centro de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Cordeirinha<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, t\u00edtulo brasileiro de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Lamb<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. O romance de estreia da escritora e cineasta brit\u00e2nica acompanha Margot, uma menina criada pela m\u00e3e em uma casa isolada na zona rural de Cumbria, onde pessoas que se perdem pela floresta s\u00e3o recebidas, mortas e transformadas em alimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A premissa \u00e9 grotesca, mas o canibalismo \u00e9 apenas a superf\u00edcie. Por baixo do sangue existe uma hist\u00f3ria sobre uma crian\u00e7a submetida ao controle de um adulto, sobre uma maternidade atravessada pela posse e sobre a dificuldade de reconhecer como viol\u00eancia aquilo que foi apresentado, desde o in\u00edcio da vida, como amor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em entrevista, Rose \u00e9 direta ao definir o centro de sua hist\u00f3ria. \u201cNo centro, \u00e9 uma hist\u00f3ria sobre algu\u00e9m que est\u00e1 sofrendo abuso infantil\u201d. Para a autora, por mais que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Lamb<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> atravesse temas como morte, corpo, fome e animalidade, a viol\u00eancia contra uma crian\u00e7a permanece como seu n\u00facleo. Ao construir Margot, Rose conta que sentiu a necessidade de oferecer \u00e0 personagem ferramentas para sobreviver: coragem, amizade e resili\u00eancia, al\u00e9m de outros espa\u00e7os e personagens que pudessem mostrar \u00e0 menina como s\u00e3o o cuidado e o amor quando n\u00e3o est\u00e3o contaminados pelo medo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa escolha muda completamente a leitura da viol\u00eancia dentro do livro. Margot n\u00e3o \u00e9 uma crian\u00e7a que simplesmente presencia o horror. Ela cresce dentro dele. A casa em que vive \u00e9 simultaneamente abrigo e pris\u00e3o e sua m\u00e3e \u00e9, ao mesmo tempo, a pessoa de quem depende e aquela que determina os limites de sua exist\u00eancia. Para uma crian\u00e7a, essa contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente cruel porque o primeiro modelo de mundo \u00e9 justamente aquele oferecido pelos adultos respons\u00e1veis por ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rose encontrou Margot antes mesmo de saber que estava escrevendo um romance. Ao organizar pap\u00e9is antigos, encontrou aquele que havia sido o primeiro fragmento escrito para a obra: \u201cMenina, 13 anos, est\u00e1 com medo de ser comida pela m\u00e3e.\u201d O pequeno texto acabou se tornando parte do romance. A autora conta que nunca houve d\u00favida de que a narrativa seria contada pela perspectiva daquela menina, justamente porque a vis\u00e3o infantil oferecia uma maneira espec\u00edfica de explorar o horror.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 uma escolha fundamental. Margot n\u00e3o observa sua inf\u00e2ncia com a dist\u00e2ncia de uma adulta. Ela ainda est\u00e1 aprendendo o que significam palavras como cuidado, confian\u00e7a, perigo e amor. O leitor, por\u00e9m, enxerga aquilo que ela ainda n\u00e3o consegue nomear completamente. A viol\u00eancia, assim, aparece tamb\u00e9m naquilo que uma crian\u00e7a aprende a aceitar como normal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa dimens\u00e3o encontra eco em uma realidade que ultrapassa a fic\u00e7\u00e3o. No Brasil, crian\u00e7as e adolescentes est\u00e3o entre os grupos mais vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia praticada dentro de rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a e depend\u00eancia. Dados reunidos pelo UNICEF e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica mostram que, entre 2021 e 2023, mais de 15 mil crian\u00e7as e adolescentes foram v\u00edtimas de mortes violentas no pa\u00eds. No mesmo per\u00edodo, foram registrados mais de 165 mil casos de viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as e adolescentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A viol\u00eancia intrafamiliar possui ainda uma caracter\u00edstica particularmente perversa: pode se esconder justamente atr\u00e1s daquilo que socialmente entendemos como fam\u00edlia. A crian\u00e7a depende dos adultos para alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, prote\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e afeto. Quando essa mesma estrutura se transforma em fonte de amea\u00e7a, romper com ela pode significar colocar em risco tudo aquilo de que a crian\u00e7a depende para sobreviver.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 nesse espa\u00e7o que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Cordeirinha<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> encontra sua for\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A rela\u00e7\u00e3o entre Margot e Ruth n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda apenas por agress\u00f5es expl\u00edcitas. Ela \u00e9 atravessada por isolamento, controle, neglig\u00eancia e pelo apagamento progressivo da individualidade da menina. A m\u00e3e determina o que pode ser conhecido, o que deve ser escondido e como Margot deve compreender o mundo. O canibalismo torna-se, ent\u00e3o, uma met\u00e1fora particularmente violenta para uma rela\u00e7\u00e3o na qual o adulto parece consumir a autonomia da crian\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pr\u00f3pria Rose percebeu que a quest\u00e3o da mem\u00f3ria atravessava repetidamente a personagem. Uma de suas primeiras leitoras marcou no manuscrito todas as passagens em que Margot demonstrava querer ser lembrada. Foram tantas ocorr\u00eancias que a autora percebeu ali uma chave do romance. \u201cNo centro da hist\u00f3ria h\u00e1 muito sobre os corpos das mulheres. Existe esse tema constante do nascimento e de saber se \u00e9 certo ou n\u00e3o ter uma crian\u00e7a. E, quando voc\u00ea olha para isso, o cora\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria \u00e9 realmente sobre abuso infantil.\u201d Rose tamb\u00e9m relaciona esse desejo de n\u00e3o ser esquecida a uma necessidade de sobreviventes de serem vistos e reconhecidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A maternidade, portanto, n\u00e3o aparece no romance como uma experi\u00eancia automaticamente ligada ao cuidado. Rose permite que ela seja interrogada. O livro pergunta o que acontece quando a maternidade deixa de reconhecer a crian\u00e7a como indiv\u00edduo e passa a trat\u00e1-la como extens\u00e3o, propriedade ou alimento emocional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E \u00e9 nesse mesmo terreno que entram os elementos s\u00e1ficos e queer da narrativa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A chegada de Eden modifica profundamente a din\u00e2mica daquela casa. Ela n\u00e3o \u00e9 apenas uma nova personagem. \u00c9 uma mulher que desperta o desejo de Ruth e altera a estrutura de poder estabelecida entre m\u00e3e e filha. Paralelamente, a rela\u00e7\u00e3o de Margot com Abbie abre espa\u00e7o para amizade, curiosidade, desejo e descoberta de um mundo que n\u00e3o est\u00e1 submetido \u00e0s regras de sua m\u00e3e.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O queer, portanto, n\u00e3o \u00e9 colocado como origem do horror. O horror est\u00e1 no controle, na viol\u00eancia e na transforma\u00e7\u00e3o do afeto em posse. O desejo entre mulheres aparece como uma das possibilidades de descoberta que existem para al\u00e9m da estrutura sufocante em que Margot foi criada. A pr\u00f3pria apresenta\u00e7\u00e3o brasileira da obra destaca maternidade, f\u00faria feminina e rela\u00e7\u00f5es queer entre seus elementos centrais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa diferen\u00e7a \u00e9 importante. Ruth quer possuir. Margot precisa aprender a escolher.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A perspectiva feminista da autora tamb\u00e9m atravessa sua constru\u00e7\u00e3o do corpo. Em entrevista, Rose falou sobre seu interesse em usar o horror para subverter ideias tradicionalmente associadas \u00e0s mulheres e afirmou que a autonomia feminina \u00e9 uma das quest\u00f5es que mais a interessam. Para ela, existe uma cobran\u00e7a social constante sobre o que mulheres podem desejar, inclusive em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comida e ao pr\u00f3prio corpo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cExiste um problema enorme com mulheres quererem coisas. Meninas que querem coisas s\u00e3o chamadas de gananciosas e desagrad\u00e1veis. Elas n\u00e3o s\u00e3o ambiciosas, n\u00e3o s\u00e3o criativas, s\u00e3o apenas desagrad\u00e1veis e gananciosas. Eu realmente queria explorar essa ideia de mulheres querendo coisas.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 nesse ponto que o canibalismo deixa de ser apenas uma imagem grotesca e passa a funcionar como linguagem. Comer, ser comida, desejar, possuir e ser possu\u00edda tornam-se diferentes formas de falar sobre autonomia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rose explica que cresceu em uma regi\u00e3o muito isolada e que a pr\u00f3pria inf\u00e2ncia marcada pela solid\u00e3o influenciou sua percep\u00e7\u00e3o do isolamento de Margot. \u201cN\u00f3s viv\u00edamos t\u00e3o remotamente que nem havia \u00f4nibus para chegar \u00e0 cidade mais pr\u00f3xima. Quando a natureza \u00e9 tudo o que voc\u00ea tem, voc\u00ea se acostuma com a solid\u00e3o e o isolamento\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A experi\u00eancia pessoal aparece, portanto, menos como reprodu\u00e7\u00e3o literal e mais como mat\u00e9ria emocional. Rose transforma lembran\u00e7as, inquieta\u00e7\u00f5es e quest\u00f5es sobre corpo, autonomia, inf\u00e2ncia e pertencimento em fic\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E talvez seja justamente a\u00ed que escrever sobre viol\u00eancia se torna uma forma de enfrentamento. N\u00e3o porque a literatura apague o trauma, mas porque pode reorganizar aquilo que parecia imposs\u00edvel de compreender.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A autora tamb\u00e9m reconhece que escrever o desfecho de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Lamb<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> foi particularmente dif\u00edcil. Ela conta que se sentiu mal ao escrever sabendo para onde Margot estava caminhando e que chegou a sentir culpa pelo que estava fazendo com a personagem. Ao mesmo tempo, afirma que queria que Margot fosse corajosa e que o confronto com o horror era justamente o caminho necess\u00e1rio para que essa coragem pudesse existir. \u201cTodos n\u00f3s precisamos de um pouco mais de coragem, como Margot, para fazer coisas assustadoras quando sabemos que elas s\u00e3o necess\u00e1rias\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa coragem n\u00e3o significa aus\u00eancia de medo. Significa agir apesar dele.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A autora explica que personagens como Margot precisam de espa\u00e7os seguros para conseguir fazer escolhas. \u201cSe voc\u00ea est\u00e1 escrevendo sobre assuntos traum\u00e1ticos, em que a liberdade de uma personagem \u00e9 retirada, voc\u00ea precisa dar a ela a possibilidade de fazer escolhas por meio de espa\u00e7os seguros. Eu acho isso essencial\u201d. Ela observa que pessoas submetidas a situa\u00e7\u00f5es traum\u00e1ticas podem sobreviver justamente por encontrarem pequenos lugares de seguran\u00e7a que lhes permitam pensar sem medo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa talvez seja uma das ideias mais importantes de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Cordeirinha<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Para uma crian\u00e7a submetida \u00e0 viol\u00eancia, liberdade n\u00e3o come\u00e7a necessariamente com uma porta aberta. \u00c0s vezes come\u00e7a com algu\u00e9m que acredita nela. Com uma amizade. Com um adulto que percebe. Com um lugar onde ela pode respirar sem estar sendo observada. Com a descoberta de que aquilo que acontece em casa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma poss\u00edvel de amor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por isso, a viol\u00eancia intrafamiliar retratada por Rose n\u00e3o deve ser entendida apenas como uma sucess\u00e3o de atos cru\u00e9is. Ela tamb\u00e9m \u00e9 uma disputa pela possibilidade de uma crian\u00e7a construir a pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o de mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No fim, Rose diz esperar que seus leitores saiam da hist\u00f3ria transformados n\u00e3o pela brutalidade, mas pela possibilidade de resistir a ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEspero que as pessoas terminem o livro se sentindo mais corajosas e mais gentis.\u201d E acrescenta que deseja, acima de tudo, que \u201ctodas as Margots\u201d consigam sentir o poder da pr\u00f3pria coragem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Talvez seja essa a parte mais dolorosa e tamb\u00e9m mais bonita de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Cordeirinha<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Por tr\u00e1s dos corpos, dentes, sangue e carne existe uma menina tentando descobrir se existe um mundo para al\u00e9m daquele que lhe foi apresentado. Existe. E nenhuma crian\u00e7a deveria precisar ser corajosa para sobreviver \u00e0 pr\u00f3pria casa.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">A Cordeirinha<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, t\u00edtulo brasileiro de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Lamb<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, est\u00e1 dispon\u00edvel em portugu\u00eas pela DarkSide Books, com tradu\u00e7\u00e3o de Regiane Winarski, em edi\u00e7\u00e3o de 272 p\u00e1ginas, capa dura e classifica\u00e7\u00e3o indicativa de 18 anos.<\/span><\/p>\n<pre><\/pre>\n<p><b>Servi\u00e7o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No Paran\u00e1, crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia podem buscar prote\u00e7\u00e3o por diferentes caminhos. O Disque 181, servi\u00e7o do Governo do Paran\u00e1, recebe den\u00fancias de crimes e situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e permite den\u00fancia an\u00f4nima. O Disque 100, servi\u00e7o nacional de prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, tamb\u00e9m recebe den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es contra crian\u00e7as e adolescentes. Em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia ou risco imediato, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 acionar a Pol\u00edcia Militar pelo 190.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o \u00e9 preciso esperar que uma crian\u00e7a consiga explicar perfeitamente aquilo que est\u00e1 vivendo para procurar ajuda. Crian\u00e7as podem n\u00e3o ter vocabul\u00e1rio, autonomia ou seguran\u00e7a para denunciar. Cabe aos adultos prestar aten\u00e7\u00e3o aos sinais, acolher sem culpabilizar e acionar a rede de prote\u00e7\u00e3o diante de uma suspeita de viol\u00eancia.<\/span><\/p>\n<pre>\r\n\r\n<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucy Rose, autora de A Cordeirinha, revela em entrevista como transformou viol\u00eancia intrafamiliar e controle sobre o corpo em uma hist\u00f3ria sobre inf\u00e2ncia, sobreviv\u00eancia e a coragem de imaginar uma vida para al\u00e9m da viol\u00eancia Por Maria Gallinea Existe um tipo de horror que n\u00e3o precisa de monstros para assustar. 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