{"id":818,"date":"2018-11-26T20:02:35","date_gmt":"2018-11-26T23:02:35","guid":{"rendered":"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/?p=818"},"modified":"2018-11-26T20:02:35","modified_gmt":"2018-11-26T23:02:35","slug":"vivas-nos-queremos-uma-marcha-para-combater-a-violencia-machista-no-equador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/elos\/vivas-nos-queremos-uma-marcha-para-combater-a-violencia-machista-no-equador\/","title":{"rendered":"Vivas nos Queremos!  Uma marcha para combater a viol\u00eancia machista no Equador"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Cerca de 10 mil pessoas marcharam no \u00faltimo s\u00e1bado (24) em Quito, capital do Equador, contra o feminic\u00eddio e pelo fim de todas as formas de viol\u00eancia contra as mulheres. A marcha nacional \u201cVivas nos queremos\u201d integra as mobiliza\u00e7\u00f5es que ocorrem no m\u00eas de novembro em todo o mundo pelo Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra a Mulher, celebrado em 25 de novembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Marcha envolveu participantes de todo pa\u00eds, organizados em oito blocos: familiares e sobreviventes de viol\u00eancia, movimentos de mulheres e coletivos feministas, fam\u00edlias com crian\u00e7as e pessoas com defici\u00eancia, \u201cmarea verde\u201d (ativistas pela despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto), categorias de mulheres trabalhadoras e sindicalistas, comunidade LGBTI, movimentos sociais e ciclistas. Nomes de v\u00edtimas da viol\u00eancia machista foram lembrados ao longo de todo o percurso em meio a cartazes, m\u00fasicas de protesto e distribui\u00e7\u00e3o de panfletos. \u201cNuestros cuerpos no se tocan, no se violan, no se matan\u201d foi tema do manifesto divulgado pela organiza\u00e7\u00e3o da marcha Vivas nos Queremos.<\/p>\n<div id=\"attachment_819\" style=\"width: 411px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-819\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-819\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/foto5-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"301\" \/><p id=\"caption-attachment-819\" class=\"wp-caption-text\">foto: Karina Janz Woitowicz<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos \u00faltimos anos, as manifesta\u00e7\u00f5es de mulheres pelo fim da viol\u00eancia ganharam for\u00e7a no Equador diante da necessidade de reagir aos diversos casos de assassinatos e desaparecimentos de mulheres. Uma conquista recente no que se refere ao combate \u00e0 viol\u00eancia foi a implementa\u00e7\u00e3o, em 2018, da Lei Org\u00e1nica Integral para la Prevenci\u00f3n y Erradicaci\u00f3n de la Violencia de G\u00e9nero contra las Mujeres, resultado de um amplo debate que mobilizou diversas organiza\u00e7\u00f5es em todo pa\u00eds. Contudo, ainda s\u00e3o necess\u00e1rias v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es para uma efetiva implementa\u00e7\u00e3o da Lei, com impactos na vida de todas as mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Embora o feminic\u00eddio (assassinato de uma mulher por sua condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero) seja um crime reconhecido pelo C\u00f3digo Org\u00e2nico Integral Penal do Equador (Art. 141) desde 2014, com pena privativa de liberdade de 22 a 26 anos, os dados relativos aos crimes contra mulheres s\u00e3o alarmantes no pa\u00eds. Entre agosto de 2014 e agosto de 2015, segundo um informe do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Equador, 188 mulheres foram assassinadas; durante o ano de 2017, a Comisi\u00f3n Ecum\u00e9nica de Derechos Humanos (CEDHU) registrou 151 femicidios. O \u00edndice de assassinatos de mulheres representa mais de 40% do total de todos os delitos que se cometem no pa\u00eds, o que coloca o Equador como o sexto pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina com a taxa mais alta de feminic\u00eddios, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda no que se refere \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica, de acordo com a Encuesta Nacional de Relaciones Familiares y Violencia de G\u00e9nero contra las Mujeres realizada pelo Instituto Nacional de Estad\u00edstica y Censos (INEC), divulgada em 2012, no Equador 6 em cada 10 mulheres j\u00e1 viveram algum tipo de viol\u00eancia de g\u00eanero; 1 em cada 4 mulheres foi v\u00edtima de viol\u00eancia sexual, embora a forma mais recorrente de viol\u00eancia de g\u00eanero seja a psicol\u00f3gica (53,9%). E, do total de mulheres que sofreu viol\u00eancia f\u00edsica, 87,3% foram v\u00edtimas de seus pr\u00f3prios companheiros ou ex companheiros.<\/p>\n<div id=\"attachment_820\" style=\"width: 414px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-820\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-820\" src=\"https:\/\/elos.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/thumbnail_Foto12-300x248.jpg\" alt=\"\" width=\"404\" height=\"334\" \/><p id=\"caption-attachment-820\" class=\"wp-caption-text\">foto: Karina Janz Woitowicz<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Associadas ao tema da viol\u00eancia est\u00e3o as altas taxas de gravidez na adolesc\u00eancia, que revelam os casos de abuso sexual no pa\u00eds. Segundo o Instituto Ecuatoriano de Estad\u00edsticas y Censos (INEC), em 2014, 49,3 de cada 100 filhos nascidos vivos foram de m\u00e3es adolescentes, o que coloca o Equador como o terceiro pa\u00eds na regi\u00e3o com a taxa mais alta de gravidez na adolesc\u00eancia. A m\u00e9dia de den\u00fancias de estupro chega a 14 casos di\u00e1rios, sendo tr\u00eas destes cometidos contra menores de 14 anos, segundo o Servicio de Atenci\u00f3n Integral da Fiscal\u00eda do Equador. Atualmente, no pa\u00eds h\u00e1 mais de 3.600 meninas menores de 15 anos que s\u00e3o m\u00e3es por resultado de um estupro, na maioria das vezes ocorrido no ambiente familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 por tudo isso que a Marcha se torna um espa\u00e7o de encontro de m\u00faltiplas resist\u00eancias: mulheres da cidade e do campo, ind\u00edgenas, negras, trabalhadoras de diversas categorias, jovens, LBGTI, fam\u00edlias inteiras que se mobilizam pelos direitos humanos das mulheres. Afinal, vivas e livres nos queremos no Equador, no Brasil e em qualquer outro pa\u00eds.<\/p>\n<p><em>Karina Janz Woitowicz<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 10 mil pessoas marcharam no \u00faltimo s\u00e1bado (24) em Quito, capital do Equador, contra o feminic\u00eddio e pelo fim de todas as formas de viol\u00eancia contra as mulheres. 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