{"id":47,"date":"2020-07-20T10:14:15","date_gmt":"2020-07-20T13:14:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/?page_id=47"},"modified":"2020-08-18T12:05:29","modified_gmt":"2020-08-18T15:05:29","slug":"definicoes","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/definicoes\/","title":{"rendered":"Defini\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong>GEDHI<\/strong><br \/>\n<strong>GRUPO DE ESTUDOS EM DID\u00c1TICA DA HIST\u00d3RIA<\/strong><br \/>\n<strong>Texto reelaborado coletivamente * pelos integrantes do grupo<\/strong><br \/>\n<strong>Ponta Grossa, 2011.<\/strong><\/p>\n<p><strong>1. Apresenta\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO GEDHI \u00e9 um grupo vinculado ao Departamento de Hist\u00f3ria e constitu\u00eddo internamente ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da UEPG**, aberto aos interessados com (ou em) forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria em Hist\u00f3ria ou \u00e1reas correlatas, envolvidos com o ensino e a pesquisa da disciplina nos tr\u00eas n\u00edveis da educa\u00e7\u00e3o. Constitui, portanto, um espa\u00e7o acad\u00eamico de pesquisa, reflex\u00e3o, discuss\u00e3o e proposi\u00e7\u00e3o de assuntos referentes aos fen\u00f4menos sociais de Ensino de Hist\u00f3ria (Educa\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica, ou seja, os processos complexos de ensino e aprendizagem que envolvem \u201chist\u00f3ria\u201d) e Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria (no sentido amplo da reflex\u00e3o sobre esses processos).<\/p>\n<p><strong>2. Defini\u00e7\u00f5es e Pressupostos te\u00f3ricos e metodol\u00f3gicos<\/strong><\/p>\n<p>2.1 &#8211; O QUE \u00c9 DID\u00c1TICA?<br \/>\nConsideramos que a Did\u00e1tica \u00e9 uma disciplina da ci\u00eancia da Educa\u00e7\u00e3o preocupada prioritariamente com a metodologia de ensino e aprendizagem, surgida a partir da preocupa\u00e7\u00e3o com a Educa\u00e7\u00e3o formal \/ escolar. Seus temas referem-se principalmente ao ensino e aprendizagem de conte\u00fados, disciplinas, t\u00e9cnicas, linguagens e c\u00f3digos, comportamentos, atitudes e valores. Existem, entretanto fen\u00f4menos n\u00e3o-escolares de aprendizagem para os quais as estruturas, conceitos, elementos, quest\u00f5es da Did\u00e1tica podem e devem contribuir para elucidar, mas n\u00e3o constituem necessariamente o seu objeto inicial aprendizado na rela\u00e7\u00e3o familiar \/ constru\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o das identidades, objetiva e subjetivamente \/ rela\u00e7\u00e3o com a informa\u00e7\u00e3o e seus fluxos \/ processos de decis\u00e3o vinculados a quest\u00f5es individuais e coletivas).<br \/>\nSe existe uma Did\u00e1tica Geral, ela se refere aos estudos sobre os procedimentos gerais referentes a qualquer rela\u00e7\u00e3o educativa, independente de seu conte\u00fado: relacionamento entre os envolvidos na situa\u00e7\u00e3o de ensino e aprendizagem, condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para essa rela\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o do planejamento, da avalia\u00e7\u00e3o, da forma e dos aspectos te\u00f3ricos da rela\u00e7\u00e3o entre forma e conte\u00fado, etc. A Pedagogia, para esses elementos de sua aten\u00e7\u00e3o, vale-se de produ\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e contribui\u00e7\u00f5es de outras \u00e1reas do conhecimento. Quanto mais se busca um objeto pr\u00f3prio a uma Did\u00e1tica Geral, mais nos aproximamos do centro do campo epistemol\u00f3gico da Educa\u00e7\u00e3o, e, inversamente, quanto mais pensamos na especificidade da hist\u00f3ria ensinada ***, mais nos aproximamos do centro do campo epistemol\u00f3gico da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-107 aligncenter\" src=\"http:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2020\/08\/apresentacao1-300x103.png\" alt=\"\" width=\"311\" height=\"107\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2020\/08\/apresentacao1-300x103.png 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2020\/08\/apresentacao1.png 720w\" sizes=\"(max-width: 311px) 100vw, 311px\" \/><\/p>\n<p>A partir do momento em que se passa ao ensino e aprendizado de um conte\u00fado disciplinar, percebe-se cada vez mais a import\u00e2ncia da Did\u00e1tica espec\u00edfica. Para al\u00e9m da escola ou da rela\u00e7\u00e3o educativa formal, existem situa\u00e7\u00f5es de ensino e aprendizado que N\u00c3O s\u00e3o objeto da Did\u00e1tica, mas sim de outros campos do saber: a educa\u00e7\u00e3o dos filhos (Psicologia), a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (Ci\u00eancia Pol\u00edtica, Sociologia), o aprendizado da religi\u00e3o (Teologia), rela\u00e7\u00f5es interpessoais em geral (afetividade \u2013 Psicologia; Antropologia), rela\u00e7\u00f5es de trabalho (Administra\u00e7\u00e3o), etc. O aprender e o ensinar s\u00e3o inerentes \u00e0 humanidade, e o conjunto de suas dimens\u00f5es n\u00e3o pode ser abarcado pela Did\u00e1tica, mas apenas pelo concurso de cada \u00e1rea do conhecimento em uma reflex\u00e3o did\u00e1tica, como \u00e9 o caso da Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Uma parte da reflex\u00e3o Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria permanece dentro do campo da Did\u00e1tica Geral \/ Educa\u00e7\u00e3o, que se refere aos m\u00e9todos de ensino e aprendizagem de Hist\u00f3ria dentro de uma situa\u00e7\u00e3o escolar. Trata-se da Metodologia do Ensino da Hist\u00f3ria. A partir de uma transforma\u00e7\u00e3o paradigm\u00e1tica na qual a aprendizagem passa a ser o principal elemento de reflex\u00e3o (R\u00dcSEN, 2006), a Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria restabelece seu espa\u00e7o dentro da Teoria da Hist\u00f3ria, no que se refere aos fen\u00f4menos de ensino e aprendizagem (ou an\u00e1logos a eles) que envolvem o conhecimento hist\u00f3rico para al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o escolar. Para J\u00f6rn R\u00fcsen, &#8211; forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica envolve todos os processos de aprendizagem em que \u201chist\u00f3ria\u201d \u00e9 o assunto e que n\u00e3o se destina a fornecer compet\u00eancia profissional \u2013 \u00e9 exatamente nesse ponto que ocorre o enraizamento da hist\u00f3ria na vida pr\u00e1tica e em fun\u00e7\u00e3o dela. A Teoria da Hist\u00f3ria, nesse vi\u00e9s, assume<br \/>\nfun\u00e7\u00e3o did\u00e1tica de orienta\u00e7\u00e3o, tornando-se uma teoria do aprendizado hist\u00f3rico, o que \u00e9 diferente de determinar uma teoria da did\u00e1tica da hist\u00f3ria, fazendo considerar que<\/p>\n<p style=\"text-align: left;padding-left: 440px\">\u201c(&#8230;) a especializa\u00e7\u00e3o decorrente da cientifiza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria faz com que o produto historiogr\u00e1fico da pesquisa hist\u00f3rica n\u00e3o seja dos mais apropriados aos processos de forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia hist\u00f3rica, nos quais n\u00e3o-historiadores aprendem a elaborar um sentido hist\u00f3rico para sua experi\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o temporal de si mesmos e de seu mundo.\u201d (R\u00dcSEN, 2001, p. 49)<\/p>\n<p>Dada a diferen\u00e7a qualitativa entre a hist\u00f3ria-ci\u00eancia e a hist\u00f3ria escolar \u00e9 necess\u00e1ria \u201c(&#8230;) uma disciplina cient\u00edfica espec\u00edfica que se ocupe do ensino e da aprendizagem da hist\u00f3ria, na medida em que n\u00e3o s\u00e3o id\u00eanticos os processos mediante os quais o conhecimento cient\u00edfico especializado se efetiva: a did\u00e1tica da hist\u00f3ria\u201d. (R\u00dcSEN, 2001, p. 51). Esse tipo de discuss\u00e3o est\u00e1 em conson\u00e2ncia com a ideia de saberes escolares e de transposi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica (CHERVEL, 1990; CHEVALLARD, 2009).<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300\"><strong>Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria, para o GEDHI, \u00e9 um campo de estudos interdisciplinar, que envolve a Educa\u00e7\u00e3o (Did\u00e1tica espec\u00edfica da Hist\u00f3ria como Metodologia do <\/strong><strong>Ensino) e a Hist\u00f3ria (Teoria da Hist\u00f3ria \u2013 did\u00e1tica da Hist\u00f3ria como teoria geral da aprendizagem hist\u00f3rica). Dedica-se ao estudo dos fen\u00f4menos referentes \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de conhecimento que tenha por n\u00facleo alguma considera\u00e7\u00e3o \/ representa\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia humana no tempo, que pode ser <\/strong><strong>observada nos processos de ensino e aprendizagem, elabora\u00e7\u00e3o de narrativas, processos de constitui\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia hist\u00f3rica e identidade, forma\u00e7\u00e3o do <\/strong><strong>pensamento hist\u00f3rico (entendido como apropria\u00e7\u00e3o das capacidades do m\u00e9todo hist\u00f3rico cient\u00edfico para an\u00e1lise da realidade), processos de legitima\u00e7\u00e3o social de institui\u00e7\u00f5es, enfim, toda situa\u00e7\u00e3o social em que o saber sobre a coletividade no tempo seja demandado para dar sentido ou\u00a0 desencadear as a\u00e7\u00f5es \/ paix\u00f5es.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Para Klaus Bergmann, citando Jeissmann, a Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria &#8220;indaga sobre o car\u00e1ter efetivo, poss\u00edvel e necess\u00e1rio de processos de ensino e\u00a0 aprendizagem e de processos formativos da Hist\u00f3ria. Nesse sentido (&#8230;) se preocupa com a forma\u00e7\u00e3o, o conte\u00fado e os efeitos da consci\u00eancia hist\u00f3rica&#8221; (1990, p. 29). As tarefas da Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria, de acordo com Bergmann, dividem-se em:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none\">\n<ul>\n<li>tarefa emp\u00edrica (estudar o que \u00e9 ensinado\/ aprendido, n\u00e3o s\u00f3 na escola, mas em &#8220;todos os modos imagin\u00e1veis de hist\u00f3ria&#8221;), portanto, estuda &#8220;a elabora\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e a sua recep\u00e7\u00e3o, que \u00e9 forma\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia hist\u00f3rica.&#8221; (p. 30)<\/li>\n<li>tarefa reflexiva (responder quais as inten\u00e7\u00f5es conjunturais do processo que investiga inten\u00e7\u00f5es e interesses da disciplina, bem como seus pressupostos, teorias, m\u00e9todos, resultados e forma de apresenta\u00e7\u00e3o deles) e<\/li>\n<li>tarefa normativa (como e o que deve ser ensinado de acordo com os princ\u00edpios pedag\u00f3gicos, metodol\u00f3gicos, cient\u00edficos, pol\u00edticos vigentes); a Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria, em sua fun\u00e7\u00e3o normativa, produz um discurso sobre o DEVER SER da Hist\u00f3ria produzida e ensinada, buscando como crit\u00e9rio os consensos sociais m\u00ednimos sobre identidade e projeto do corpo pol\u00edtico ao qual se refere. Nesse sentido, o discurso da Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria \u00e9 tamb\u00e9m hist\u00f3rico e pass\u00edvel de autorreflex\u00e3o e an\u00e1lise.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>A Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria pode ser tamb\u00e9m definida como a disciplina que estuda a aprendizagem hist\u00f3rica, que \u00e9 \u201c(&#8230;) la tarea de experimentar e interpretar el tiempo para orientarse en la propia vida, significaci\u00f3n para la cual el medio de la memoria es la base necesaria.\u201d (GARCIA, 1998, 280). Essa defini\u00e7\u00e3o deixa o campo de atua\u00e7\u00e3o da disciplina mais claro, uma vez que o ensino da Hist\u00f3ria, embora influencie a aprendizagem hist\u00f3rica, est\u00e1 contido nela, tornando os estudos da Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria necessariamente envolvidos com um objeto mais amplo que a a\u00e7\u00e3o de ensino formal e informal.<\/p>\n<p>Assim compreendida, a Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria aponta uma reflex\u00e3o indispens\u00e1vel para a pr\u00f3pria Teoria da Hist\u00f3ria (BERGMANN, 1992), na medida em que \u00e9 seu papel investigar o uso social do conhecimento hist\u00f3rico e os v\u00e1rios graus de legitimidade da produ\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico. Al\u00e9m disso, investiga a pr\u00f3pria dimens\u00e3o est\u00e9tica e ret\u00f3rica das produ\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas cient\u00edficas, motivo pelo qual reivindica a import\u00e2ncia da reflex\u00e3o did\u00e1tica na forma\u00e7\u00e3o do profissional da Hist\u00f3ria (no caso brasileiro, complementa-se: seja ele licenciando ou bacharelando).<\/p>\n<p>Ensinar a Hist\u00f3ria (incluindo a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica) \u00e9 a PR\u00c1TICA principal da ci\u00eancia da Hist\u00f3ria, uma vez que a pr\u00e1tica da pesquisa \u00e9 uma &#8220;pr\u00e1tica te\u00f3rica&#8221;. (RUSEN, 2001, Introdu\u00e7\u00e3o) Da mesma forma que outras ci\u00eancias, espera-se que a Hist\u00f3ria produza efeitos sobre a realidade, e nesse caso o efeito \u00e9 interferir na forma\u00e7\u00e3o da Consci\u00eancia Hist\u00f3rica, que por sua vez baliza a a\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos e grupos.<\/p>\n<p>2.2 &#8211; CONSCI\u00caNCIA HIST\u00d3RICA<\/p>\n<p>A consci\u00eancia hist\u00f3rica \u00e9 um fen\u00f4meno mental resultante do conv\u00edvio social, portanto elemento que o indiv\u00edduo assimila socialmente, no sentido de que n\u00e3o se trata necessariamente &#8211; e na maior parte das vezes &#8211; de um processo organizado de ensino, que envolve linguagem, intencionalidade, m\u00e9todo, mas que tamb\u00e9m sofre interfer\u00eancia do aprendizado. Consiste no conjunto de representa\u00e7\u00f5es (s\u00edmbolos, opini\u00f5es, id\u00e9ias, informa\u00e7\u00f5es, valores) e elementos pr\u00e9-representacionais que s\u00e3o mobilizados pelo indiv\u00edduo e por grupo(s) e institui\u00e7\u00e3o (\u00f5es) para atribuir sentido e significado \u00e0 exist\u00eancia no tempo. A consci\u00eancia hist\u00f3rica funciona numa rela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica entre representa\u00e7\u00f5es do passado, interpreta\u00e7\u00f5es do presente e inten\u00e7\u00f5es para o futuro, uma vez que a a\u00e7\u00e3o humana \u00e9 dotada de super\u00e1vits de intencionalidade, ou seja, expectativas de mudan\u00e7as ou perman\u00eancias no futuro.<\/p>\n<p>\u201cDe onde viemos, o que somos e para onde vamos&#8217; ser\u00e1 chamada &#8216;consci\u00eancia hist\u00f3rica&#8217; e as m\u00faltiplas respostas a ela, diferentes em subst\u00e2ncia e estrutura, ser\u00e3o ditos est\u00e1gios da consci\u00eancia hist\u00f3rica [&#8230;]\u201d (Heller, 1993, p. 15). R\u00fcsen define consci\u00eancia hist\u00f3rica como \u201ca suma das opera\u00e7\u00f5es mentais com as quais os homens interpretam a sua experi\u00eancia de evolu\u00e7\u00e3o temporal de seu mundo e de si mesmos, de tal forma que possam orientar, intencionalmente, sua vida pr\u00e1tica no tempo\u201d (R\u00fcsen, 2001, p. 57). De forma mais sucinta ainda, temos que a consci\u00eancia hist\u00f3rica \u00e9 \u201co grau de consci\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o entre o passado, o presente e o futuro\u201d (Angvik; Borries, 1997, p. 403).<\/p>\n<p>Trata-se de um componente fundamental da identidade pessoal e coletiva, e assume formas do per\u00edodo hist\u00f3rico, grupo social ou perspectiva cultural em que existe, sendo, por exemplo, influenciada pela ideologia (entendida como limita\u00e7\u00e3o ao pensamento por for\u00e7a do poder dos interesses inerentes \u00e0s sociedades de classe). Por esse motivo, existem diversos tipos de consci\u00eancia (HELLER, 1993). Embora seja anacr\u00f4nico imaginar que eles seguem um processo evolutivo natural, e reconhe\u00e7a-se a simultaneidade da exist\u00eancia dos diferentes tipos, consideramos que eles s\u00e3o hierarquiz\u00e1veis, uma vez que as consci\u00eancias hist\u00f3ricas mais &#8220;complexas&#8221; ou &#8220;avan\u00e7adas&#8221; t\u00eam as mais simples como pressuposto (\u00e9 preciso passar pelas mais simples para chegar \u00e0s mais complexas \/ as mais complexas n\u00e3o substituem as mais simples). Entretanto, \u00e9 preciso todo cuidado para que essa hierarquiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja argumento para qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o ou desmerecimento de pessoas e grupos nas sociedades multiculturais.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe aus\u00eancia de consci\u00eancia hist\u00f3rica, uma vez que ela \u00e9 a base para qualquer a\u00e7\u00e3o humana. Consideramos que, sendo a consci\u00eancia hist\u00f3rica um esfor\u00e7o interpretativo de supera\u00e7\u00e3o das conting\u00eancias (tempo sofrido), cabe \u00e0 Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria o esfor\u00e7o cont\u00ednuo da cria\u00e7\u00e3o de par\u00e2metros para influir nas consci\u00eancias hist\u00f3ricas com base numa perspectiva racionalista, \u00e9tica, solid\u00e1ria &#8211; no sentido da responsabilidade coletiva m\u00fatua para al\u00e9m das diferen\u00e7as &#8211; e humanit\u00e1ria, dentro das configura\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de cada \u00e9poca, identificando os consensos sociais fundamentais. Cabe ainda influenciar a consci\u00eancia hist\u00f3rica dos alunos e dos demais membros da sociedade para serem refrat\u00e1rios aos projetos que neguem essas perspectivas, ancorando-se em projetos irracionalistas, contr\u00e1rios \u00e0 \u00e9tica estabelecida, voltados ao privilegiamento de apenas um dos grupos da sociedade ou contr\u00e1rios aos valores humanit\u00e1rios da vida, da dignidade e dos direitos humanos e civis. Essa perspectiva tamb\u00e9m pode ser notada na obra freiriana, em que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se identifica com a transmiss\u00e3o de conhecimento, mas com a cria\u00e7\u00e3o de possibilidades de questionamento e transforma\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 440px\">Porque, ao contr\u00e1rio do animal, os homens podem tridimensionar o tempo (passado &#8211; presente &#8211; futuro) que, contudo, n\u00e3o s\u00e3o departamentos estanques, sua hist\u00f3ria, em fun\u00e7\u00e3o das suas mesmas cria\u00e7\u00f5es, vai se desenvolvendo em permanente devenir, em que se concretizam suas unidades epocais. Estas, como o ontem, o hoje e o amanha, n\u00e3o s\u00e3o como se fossem peda\u00e7os estanques de tempo que ficassem petrificados e nos quais os homens estivessem enclausurados. Se assim fosse, desapareceria uma condi\u00e7\u00e3o fundamental da hist\u00f3ria: sua continuidade. As unidades epocais, pelo contr\u00e1rio, est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o umas com as outras na din\u00e2mica da continuidade hist\u00f3rica. Uma unidade epocal se caracteriza pelo conjunto de id\u00e9ias, de concep\u00e7\u00f5es, esperan\u00e7as, d\u00favidas, valores, desafios, em intera\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica com seus crit\u00e9rios, buscando plenitude. (FREIRE, 1987, p. 91-92)<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar n\u00e3o s\u00f3 o cognitivo, como o emocional e o afetivo na constru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia hist\u00f3rica. Localizar o ensino de Hist\u00f3ria sem o imagin\u00e1rio e o emocional \u00e9 negar a influ\u00eancia destes na aprendizagem hist\u00f3rica reduzindo-a a inoper\u00e2ncia.<\/p>\n<p>2.3 &#8211; O FEN\u00d4MENO DO ENSINO E APRENDIZAGEM: A TRANSPOSI\u00c7\u00c3O DID\u00c1TICA<\/p>\n<p>O que caracteriza o fen\u00f4meno em tela \u00e9 a passagem, deslocamento, movimenta\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o (&#8220;meio \u00e9 a mensagem&#8221;) entre meios de comunica\u00e7\u00e3o e entre<br \/>\nfocos do conhecimento hist\u00f3rico (FERRO, 1989).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-109 aligncenter\" src=\"http:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2020\/08\/apresentacao2-300x150.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2020\/08\/apresentacao2-300x150.png 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2020\/08\/apresentacao2.png 730w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de que o conhecimento altera-se de algum modo ao transitar entre campos, ambientes, focos, \u00e9 tamb\u00e9m v\u00e1lido para o ensino e aprendizagem social ou n\u00e3o formal \/ n\u00e3o escolar \/ n\u00e3o disciplinarizada, o que nos conduz \u00e0 ideia de que a reflex\u00e3o te\u00f3rica da Did\u00e1tica tem parentesco com a reflex\u00e3o te\u00f3rica da comunica\u00e7\u00e3o social (meio e mensagem, forma e fun\u00e7\u00e3o, continente e conte\u00fado, emissor e receptor) e tem nessa similaridade um campo importante de investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O conceito de transposi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica discutido por Chevallard \u00e9 uma das contribui\u00e7\u00f5es mais relevantes para a compreens\u00e3o do fen\u00f4meno em foco. Esse autor<br \/>\nestabelece que a transposi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, em sentido restrito, \u00e9 a passagem do saber s\u00e1bio ao saber ensinado. Evitando uma leitura apressada, essa passagem n\u00e3o significa um processo un\u00edvoco e personalizado de simplifica\u00e7\u00e3o do saber, mas um conjunto de atos sociais dos quais participam professor, aluno e conhecimento, ou seja, uma pessoa (um professor) n\u00e3o faz a transposi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica (por exemplo, ao preparar uma aula), mas participa socialmente dela ao desenvolver seu trabalho. A transposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 bem traduzida pelo termo transmiss\u00e3o, pois n\u00e3o se trata de um processo unilinear nem unidirecional: o autor prop\u00f5e a met\u00e1fora musical da transposi\u00e7\u00e3o de tom de uma determinada melodia, ou seja, trata-se de fazer um determinado saber vibrar em outro<br \/>\ntom (ou seja, em outra institui\u00e7\u00e3o, em meio a outras pessoas, com outras finalidades), mas mantendo suas caracter\u00edsticas essenciais.<br \/>\nA transposi\u00e7\u00e3o come\u00e7a muito antes e continua muito depois da a\u00e7\u00e3o do professor. A figura abaixo permite perceber o conjunto de media\u00e7\u00f5es envolvidas no<br \/>\nprocesso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-110 aligncenter\" src=\"http:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2020\/08\/apresentacao3-300x150.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2020\/08\/apresentacao3-300x150.png 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2020\/08\/apresentacao3-768x385.png 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2020\/08\/apresentacao3.png 975w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>No c\u00edrculo mais interno da figura, temos a representa\u00e7\u00e3o dos diversos sistemas did\u00e1ticos (saber &#8211; aluno &#8211; professor) internos ao sistema de ensino. Envolvendo esse sistema est\u00e1 a noosfera, ou seja, o conjunto de institui\u00e7\u00f5es que filtra, refina e seleciona os saberes a partir das demandas do entorno, que afinal \u00e9 o conjunto social.<\/p>\n<p><strong>3. Objetivos do GEDHI<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Investigar o campo do ensino de hist\u00f3ria, escolar e extra-escolar, considerando os sujeitos envolvidos, as pr\u00e1ticas realizadas e os saberes produzidos, mobilizados e socializados.<\/li>\n<li>Promover a reflex\u00e3o te\u00f3rica e epistemol\u00f3gica sobre o ensino de hist\u00f3ria e os usos sociais do conhecimento hist\u00f3rico.<\/li>\n<li>Gerar e incrementar condi\u00e7\u00f5es para desenvolvimento das atividades ligadas \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, discutindo os trabalhos de pesquisa dos membros, gerando as necess\u00e1rias interlocu\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o e publiciza\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/li>\n<li>Coordenar a organiza\u00e7\u00e3o, co-organiza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o de seus membros em eventos cient\u00edficos ligados \u00e0 tem\u00e1tica motivadora do grupo.<\/li>\n<li>Congregar profissionais ligados ao ensino de Hist\u00f3ria para o desenvolvimento de produ\u00e7\u00e3o de pesquisas coletivas na \u00e1rea.<\/li>\n<li>Assessorar e prestar servi\u00e7os para a comunidade tendo em vista a contribui\u00e7\u00e3o para a melhoria do ensino de Hist\u00f3ria e da Educa\u00e7\u00e3o em geral.<\/li>\n<li>Divulgar o conhecimento produzido<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Referenciais bibliogr\u00e1ficos<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>ANGVIK, Magne; BORRIES, Bodo von (Orgs.). Youth and History: a comparative european survey on historical consciousness and political attitudes among adolescents. Hambourg: Edition K\u00f6rber-Stiftung, 1997.<\/li>\n<li>BERGMANN, Klaus. A Hist\u00f3ria na reflex\u00e3o did\u00e1tica. Revista Brasileira de Hist\u00f3ria, v. 9, n. 19, p. 29-42, set. 89\/ fev. 90.<\/li>\n<li>CERRI. Os conceitos de consci\u00eancia hist\u00f3rica e os desafios da Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria. Revista de Hist\u00f3ria Regional, Ponta Grossa, PR, v. 6, n. 2, p. 93-112, 2001.<\/li>\n<li>CHEVALLARD, Yves. La transposici\u00f3n did\u00e1ctica. Del saber sabio al saber ense\u00f1ado. 3. ed. Buenos Aires: AIQUE, 2009.<\/li>\n<li>CHERVEL, Andr\u00e9. Hist\u00f3ria das disciplinas escolares: reflex\u00f5es sobre um campo de pesquisa. Teoria &amp; Educa\u00e7\u00e3o. Porto Alegre, n. 2, 1990, p. 177-229.<\/li>\n<li>FERRO, Marc. A Hist\u00f3ria Vigiada. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1989 (Primeira parte: os focos da consci\u00eancia hist\u00f3rica, p. 11-75).<\/li>\n<li>FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 25. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.<\/li>\n<li>GARC\u00cdA, Verena Radkau. Aprendizaje hist\u00f3rico: algunas consideraciones y propuestas did\u00e1cticas desde una \u00f3ptica alemana. SILLER, J.P. e GARCIA, V.R. (coord.). Identidad en el imaginario social. Rescrita y ense\u00f1anza de la historia. Puebla: BUAP, 1998.<\/li>\n<li>HELLER, Agnes. Uma teoria da Hist\u00f3ria. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1993 (Primeira parte: Historicidade, p. 13 -92).<\/li>\n<li>R\u00dcSEN, J\u00f6rn. A raz\u00e3o hist\u00f3rica. Teoria da Hist\u00f3ria: os fundamentos da ci\u00eancia hist\u00f3rica. Bras\u00edlia: Ed. da UNB, 2001.<\/li>\n<li>\u00a0_____. What is historical consciousness? A Theoretical approach to empirical evidence. Canadian Historical Consciousness in an international context: Theoretical Frameworks. Vancouver, BC, University of British Columbia, 2001.<\/li>\n<li>\u00a0_____. El desarollo de la competencia narrativa en el aprendizage historico. Una hip\u00f3tesis ontogen\u00e9tica relativa a la consciencia moral. Proposta Educativa. Buenos Aires, n. 7, p. 27-36, 1992.<\/li>\n<li>_____. Did\u00e1tica da Hist\u00f3ria: passado, presente e perspectivas. Pr\u00e1xis Educativa. Ponta Grossa, PR. v. 1, n. 2, p. 07 &#8211; 16, jul.-dez. 2006.<\/li>\n<\/ol>\n<hr \/>\n<p>* Luis Fernando Cerri, Jana\u00edna de Paula do Esp\u00edrito Santo, Dayane Verner, Ana Paula Marques, Solange L. F. Ertel,<br \/>\nRodrigo Eidam, Gilmara L. Pereira, Ligiane de Meira, Michele Telles, Andrea Coelho, Fl\u00e1vio Santos, reunidos em 26<br \/>\nde Maio de 2011. Na elabora\u00e7\u00e3o do texto original em 2005 participaram Luis Fernando Cerri, Caroline Pacievitch,<br \/>\nMaria Antonia Mar\u00e7al, Nadriane Bergamo, Rilka Bandeira, Amanda Rosa, Marcos R. Kusnick, Bruna Scheifer, Jean<br \/>\nCarlo Silva e Cl\u00e1udio Clarindo.<\/p>\n<p>** Atualmente o GEDHI \u00e9 vinculado ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da UEPG.<\/p>\n<p>*** Usamos aqui a conven\u00e7\u00e3o gramatical de Hist\u00f3ria como refer\u00eancia \u00e0 disciplina, e hist\u00f3ria como refer\u00eancia aos<br \/>\nprocessos vividos no tempo. Assim, quando falamos em hist\u00f3ria ensinada, referimo-nos a todos os processos de ensino<br \/>\ne aprendizagem, n\u00e3o necessariamente vinculados \u00e0 disciplina de Hist\u00f3ria, nos quais o sentido do tempo \u00e9 o tema e o<br \/>\nconte\u00fado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GEDHI GRUPO DE ESTUDOS EM DID\u00c1TICA DA HIST\u00d3RIA Texto reelaborado coletivamente * pelos integrantes do grupo Ponta Grossa, 2011. 1. Apresenta\u00e7\u00e3o O GEDHI \u00e9 um grupo vinculado ao Departamento de Hist\u00f3ria e constitu\u00eddo internamente ao Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da UEPG**, aberto aos interessados com (ou em) forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria em Hist\u00f3ria ou \u00e1reas correlatas,&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/47"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/47\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":111,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/47\/revisions\/111"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gedhi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}