{"id":688,"date":"2018-07-05T18:19:01","date_gmt":"2018-07-05T18:19:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/?p=688"},"modified":"2018-10-17T18:21:05","modified_gmt":"2018-10-17T18:21:05","slug":"juliano-strachulski-defende-tese-sobre-territorialidade-parintintin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/2018\/07\/05\/juliano-strachulski-defende-tese-sobre-territorialidade-parintintin\/","title":{"rendered":"Juliano Strachulski defende tese sobre territorialidade Parintintin"},"content":{"rendered":"<p>No dia 28 de junho de 2018, Juliano Strachulski, integrante do Grupo de Pesquisa Interconex\u00f5es, defendeu sua tese de doutorado em Geografia pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da UEPG, conceito 5 da CAPES.<!--more--><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-689 alignright\" src=\"http:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-15.10.46-300x225.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-15.10.46-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-15.10.46-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-15.10.46-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-15.10.46.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Intitulada &#8220;KAGWYRI\u2019PE JIHOI: O TERRIT\u00d3RIO COMO FUNDAMENTO DO SABER TRADICIONAL PARINTINTIN NA ALDEIA TRA\u00cdRA DA TERRA IND\u00cdGENA NOVE DE JANEIRO, HUMAIT\u00c1 &#8211; AM&#8221;, Juliano teve como orientadores o prof. Dr. Nicolas Floriani (PPGEO-UEPG) e o Dr. Adnilson Ameida Silva (PPGEO-UNIR), recebendo distin\u00e7\u00e3o pela banca pelos seus trabalho.<\/p>\n<p>A banca de defesa foi composta pelos ilustres professores Almir Nabozny (PPGEO-UEPG), Ancelmo Sch\u00f6rner (PPGH-UNICENTRO), Antonio Marcio Haliski (IFPR=Paranagu\u00e1) e Lucia Helena Oliveira Cunha (MADE-UFPR).<\/p>\n<h5>A viv\u00eancia com os Parintintin da aldeia Tra\u00edra<\/h5>\n<p>As primeiras impress\u00f5es dos Parintintin da aldeia Tra\u00edra realmente fazem valer o ditado: \u201cJamais julgue um livro pela capa, voc\u00ea poder\u00e1 perder uma hist\u00f3ria incr\u00edvel\u201d. Felizmente n\u00e3o realizamos julgamentos, apenas conjecturas que quando negativas n\u00e3o se concretizaram, e, portanto, n\u00e3o perdemos a hist\u00f3ria, por isso o presente relato e na oportunidade lembramos de uma cita\u00e7\u00e3o ora a Helen Keller, ora a Charles Chaplin, ora de autor desconhecido, e representa bem o que sentimos e vivemos com o povo Parintintin:<\/p>\n<p>As melhores e as mais lindas coisas do mundo n\u00e3o se podem ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o cora\u00e7\u00e3o [&#8230;]. Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha, \u00e9 porque cada pessoa \u00e9 \u00fanica e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e n\u00e3o nos deixa s\u00f3 porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de n\u00f3s. Essa \u00e9 a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas n\u00e3o se encontram por acaso.<\/p>\n<p>Nossa viv\u00eancia e contato di\u00e1rio com os Parintintin ao longo de quase seis meses possibilitou mitigar as diferen\u00e7as culturais e estabelecer la\u00e7os de confian\u00e7a, a partir de respeito m\u00fatuo, observa\u00e7\u00f5es constantes e participa\u00e7\u00e3o em algumas atividades di\u00e1rias, como excurs\u00f5es a floresta, trabalho agr\u00edcola, mas em especial dos acontecimentos dentro da Aldeia como os rituais, festas e demais situa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPara n\u00f3s, a conviv\u00eancia com os Parintintin foi n\u00e3o somente uma experi\u00eancia de pesquisa, mas tamb\u00e9m de vida. A calma no saber-fazer de suas pr\u00e1ticas di\u00e1rias na Aldeia ou mesmo as excurs\u00f5es\/expedi\u00e7\u00f5es \u00e0 floresta fizeram com que entend\u00eassemos o modo de vida ind\u00edgena, como tamb\u00e9m influenciaram nos momentos que juntos passamos: a calma e a tranquilidade proporcionada naquele ambiente contagiam, envolvem e nos colocam a viver num ritmo parecido ao que o povo empreende no cotidiano.<\/p>\n<p>Foi uma vasta aprendizagem e uma grande oportunidade de conhecer um povo t\u00e3o acolhedor e simp\u00e1tico como os Parintintin. Portanto, acreditamos que essa viv\u00eancia n\u00e3o sair\u00e1 da mem\u00f3ria, nem o que aprendemos com eles e sobre eles em sua rela\u00e7\u00e3o de mundo. Levaremos um pouco de sua sabedoria, de seu modo de viver e de sua amizade e reciprocidade, tanto para a vida profissional como pessoal, pois naquele ambiente aprendemos e encontramos a humanidade, a qual \u00e9 t\u00e3o distante nos dias atuais em nossa sociedade regulada pela instantaneidade e pela monetiza\u00e7\u00e3o, inclusive dos valores fundamentais \u2013 no caso, a vida.<\/p>\n<p>o Rec\u00e9m doutor Juliano Strachulski dedica seu trabalho &#8220;a todo o povo Parintintin, aqueles que est\u00e3o vivos e aqueles com quem tivemos o prazer de conviver, mas que j\u00e1 partiram para outro plano do cosmos, pela sua hospitalidade, aceita\u00e7\u00e3o, paci\u00eancia e por confiarem em n\u00f3s e permitirem que com eles pud\u00e9ssemos caminhar na floresta. Agrade\u00e7o aos meus orientadores, Prof. Dr. Nicolas Floriani e Prof. Dr. Adnilson de Almeida Silva, por terem me orientado nesta tese. Ao Nicolas pela longa jornada de mais de nove anos que percorremos juntos at\u00e9 a defesa da tese. Ao Adnilson e tamb\u00e9m Rog\u00e9rio Vargas Motta por terem me apresentado ao povo Parintintin. Tamb\u00e9m agrade\u00e7o a todas as institui\u00e7\u00f5es e pessoas que colaboraram de alguma forma para a realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho&#8221;.<\/p>\n<h5>Acerca da TESE<\/h5>\n<p>Os povos ind\u00edgenas v\u00eam desenvolvendo seus saberes tradicionais e construindo uma rela\u00e7\u00e3o transcendental com o territ\u00f3rio e natureza local, inerentes n\u00e3o somente a elementos pr\u00e1ticos, materiais, mas tamb\u00e9m simb\u00f3licos, espirituais.<br \/>\nA Geografia acaba despertando o interesse pelos povos ind\u00edgenas, por seus conhecimentos tradicionais, que versam sobre as formas de viver no mundo (rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio e territorialidades), o savoir-faire (pr\u00e1ticas e habilidades), e tratam do mundo em que se vive (cosmogonia e cosmologia). Em especial, a Geografia Cultural entende como elementar, a tradu\u00e7\u00e3o da complexidade local n\u00e3o de forma a simplific\u00e1-la, mas com vistas a tornar tal complexidade mais intelig\u00edvel aos olhos da ci\u00eancia, a partir de referenciais como o territ\u00f3rio, territorialidades geoss\u00edmbolos, identidade e suas implica\u00e7\u00f5es socioculturais e ambientais.<br \/>\nAcerca do exposto, o objetivo norteador da tese foi compreender a import\u00e2ncia do territ\u00f3rio para a exist\u00eancia dos saberes tradicionais Parintintin na aldeia Tra\u00edra da Terra Ind\u00edgena Nove de Janeiro, Humait\u00e1 &#8211; AM. Na viv\u00eancia com os atores sociais, observou-se que no contato e conviv\u00eancia com a sociedade n\u00e3o ind\u00edgena os saberes e costumes tradicionais proporcionaram uma relativa resist\u00eancia \u00e0 cultura externa, sendo que seu sistema cultural se adaptou, internalizando novas pr\u00e1ticas materiais e imateriais h\u00edbridas.<br \/>\nPortanto, a rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio e o manejo da floresta, apesar de ter sofrido com influ\u00eancias externas, \u00e9 guiada por um conhecimento tradicional, apoiado numa concep\u00e7\u00e3o de natureza menos utilitarista e explorat\u00f3ria do que aquela da sociedade envolvente. O territ\u00f3rio \u00e9 visto como sua base material e simb\u00f3lica, em que se assentam seus conhecimentos tradicionais, tem origem seus mitos, lendas e cren\u00e7as, onde ca\u00e7am, pescam, praticam a agricultura e manejam as esp\u00e9cies vegetais elementares a sua sobreviv\u00eancia f\u00edsica e cultural e, em especial, local em que coevoluem com a natureza.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o dos saberes ind\u00edgenas acerca da vegeta\u00e7\u00e3o, evidencia-se que identificam e classificam, em especial, aquelas esp\u00e9cies utilizadas para o tratamento da sa\u00fade, sabem a melhor forma de manipul\u00e1-las, e os ambientes em que elas se encontram, estando intimamente associados ao seu territ\u00f3rio. Por outro lado, sabem que devem respeitar as fases da lua, os seres da floresta (Curupira, Kagwyrajara e Pirakwera\u2019\u011fa) e suas cren\u00e7as, em que situa\u00e7\u00f5es determinadas plantas podem ser usadas para fins pr\u00e1ticos (ch\u00e1s, xaropes, massagens, etc.) ou simb\u00f3licos (benzimentos, pintura corporal). N\u00e3o s\u00e3o somente saberes pr\u00e1ticos, que atendem \u00e0s suas necessidades prim\u00e1rias, mas tamb\u00e9m frutos de observa\u00e7\u00f5es em termos est\u00e9ticos, intelectuais e\/ou espirituais. S\u00e3o transmitidos oralmente dos mais velhos para os mais jovens, por\u00e9m igualmente adquiridos por sua curiosidade, por uma capacidade intelectual de associar a presen\u00e7a de certos elementos (naturais e culturais) a determinados territ\u00f3rios.<\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-688 gallery-columns-2 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<img width=\"300\" height=\"225\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-18.31.08-300x225.jpeg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-18.31.08-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-18.31.08-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-18.31.08-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-18.31.08.jpeg 1280w\" sizes=\"100vw\" \/>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<img width=\"300\" height=\"225\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-13.01.57-300x225.jpeg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-13.01.57-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-13.01.57-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-13.01.57-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-07-05-at-13.01.57.jpeg 1280w\" sizes=\"100vw\" \/>\n\t\t\t<\/div><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 28 de junho de 2018, Juliano Strachulski, integrante do Grupo de Pesquisa Interconex\u00f5es, defendeu sua tese de doutorado em Geografia pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da UEPG, conceito 5 da CAPES.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/688"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=688"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/688\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":692,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/688\/revisions\/692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/gpinterconexoes\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}